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A um poeta – Machado de Assis

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A um poeta – Machado de Assis

O Sr. P. de Sales Guimarães e Cunha
Non é perduta
Ogni speranza ancor
METASTÁSIO

 

Poeta, beija a poeira
Destes ásperos caminhos
E cinge alegre os espinhos,
Heranças que o gênio tem.
O alaúde é dom funesto.A um poeta - Machado de Assis
Quando uma fronte é fadada
Pela pálpebra inspirada
Debruçar-se ao pranto vem!

E o pobre gênio passando
Por noite tempestuosa
De uma espiral escabrosa
Sobe os ásperos degraus;
E o anjo dos pesadelos,
As negras asas abrindo.
Vai embalá-lo sorrindo
Num berço de sonhos maus.

E todo um mundo criado
Nas ondas da fantasia
Um sopro de ventania
Desfaz por noite fatal!…
Os olhos sangram na sombra
Um pranto desesperado,
E o gênio morre abraçado
Na cruz do seu ideal.

Irmão! é sangrenta a sina,
Mas os louros valem tanto…
Cada uma gota de pranto
E uma póstuma flor.
As brisas da primavera
Vêm depois do inverno frio,
E é sempre por céu sombrio
Que nasce aurora melhor.

Fatalidade! — Qu’importa?
Deus nos deu esse fadário…
Mas no cimo do Calvário
Há muita palma a florir,
Toma o madeiro do Cristo,
Beija os espinhos da fronte,
E verás pelo horizonte
Erguer-se o sol do porvir.

 

A um poeta - Machado de Assis

Nota Biográfica

Joaquim Maria Machado de Assis (Rio de Janeiro, 21 de junho de 1839 — Rio de Janeiro, 29 de setembro de 1908) foi um escritor brasileiro, considerado por muitos críticos, estudiosos, escritores e leitores um dos maiores nomes da literatura do Brasil. Escreveu em praticamente todos os gêneros literários, sendo poeta, romancista, cronista, dramaturgo, contista, folhetinista, jornalista e crítico literário.

 

 

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