Bem vindo(a)! Você pode filtrar informações específicas da sede mais próxima de você, através da caixa à direita:

A FILOSOFIA DO POVO DO SOL

Nova Acrópole / Artigos / A FILOSOFIA DO POVO DO SOL
Categoria:

O pensamento asteca compreende uma concepção mágico-racional do divino e do abstrato.
Com essas palavras, Miguel Angel Portilho refere-se à profundidade e complexidade do pensamento asteca. Em sua excepcional obra, Los Antiguos Mexicanos, que é um clássico sobre o tema, demonstra que existe uma filosofia muito desenvolvida, tanto em seus códigos e tradições orais, quanto em suas construções sagradas.
Falamos de Filosofia asteca, pois suas abordagens compreendem uma concepção mágico-racional do divino e do abstrato. Que marcam também as mudanças na Natureza (Metafísica), os problemas do homem no conhecimento ultérrimo do real (Teoria do Conhecimento), quais são os valores e os elementos que formam o homem e que promovem o encontro com ele mesmo (Antropologia e Filosofia Moral), etc.
Sua concepção da Divindade é muito parecida com quase todas as antigas civilizações; existe uma deidade que rege seus trabalhos, sua mística: Huitzilopochtli. Segundo as tradições, desde as longínquas terras de Atzlan, os sacerdotes haviam trasladado a estátua desse deus, numa peregrinação de mais de 150 anos. É o deus da Guerra Florida, da atividade contínua, da vitória de fazer florescer a alma, da expansão interior que busca a conquista e civilização dos povos que as rodeiam. Representa o Sol e também o deus romano Marte. Sahagún diz que a insígnia desse deus é um dragão que expele fogo pela boca. Também é representado por um beija-flor (símbolo da alma) que eleva seu vôo até fundir-se na luz da atmosfera solar.
Além dessa Divindade de “Estado”, existe uma concepção filosófica e cosmogônica de um Princípio-Uno, que gera todas as coisas, de tradições recolhidas pelos toltecas, que as entregaram aos astecas, quando foram conquistados por eles.

Esse deus é Tloque Nahuaque ou Ipalnemohuani. Chamam-lhe Senhor (Tlacatle), deus da imediata proximidade (Tloque Naluaque, dono das proximidades – tloc – e do imenso anel que envolve o mundo – nahuac-), “Aquele pelo qual tudo vive” (Ipalnemohuani), Noite e Vento (pois como Deus Supremo é invisível como a noite e implacável como o vento). “Aquele que forja a si mesmo com o pensamento” (Moyocoyatzin).
Como tudo na Natureza manifesta-se em relação com seu oposto, e a mente humana não pode conceber o um sem o dois, foi chamado Ometeotl, deus da dualidade, que se desdobra num princípio masculino, Ometecutli (Senhor Dois), e outro feminino, Omecihualt (Senhora Dois), Pai e Mãe de todos os seres vivos, que vivem em algum lugar da dualidade, o “lugar de nove divisões” (os noves planos de consciência que dividem a existência manifestada).
Dois são os deuses que marcam com sua vida e proezas os trabalhos que a alma deve realizar para assemelhar-se cada vez mais com o divino, e não mais voltar a esta terra:
Huitzilopochtli é o caminho da guerra mágica, da conquista interior.
Quetzalcoatl (Serpente emplumada) é o caminho da sabedoria e da purificação da alma.
Quetzalcoatl é um místico rei de Tula, que na legendária Idade de Ouro, governava com justiça seus súditos, do interior de seu palácio templo com colunas de serpente. “Nunca era visto em público, vivia em silêncio nas sombras de seu templo”. Mas um dia o mago Tezcatlipoca, com um espelho de dupla face o enfeitiçou. No espelho mágico o rei viu seu reflexo material, ou seu lado feminino (Quetzlpetalt, a borboleta de asas multicoloridas), por quem se apaixonou e manteve relações sexuais após embriagar-se. Perdida a inocência, deve laboriosamente convertê-la em pureza mediante uma série de trabalhos, que incluem uma descida aos Infernos e a recuperação das tradições mágicas do passado. Finalmente, em uma pira construída com suas próprias mãos, é imolado e sua alma transforma-se na estrela Vênus, “o precioso gêmeo da Terra”.
Para as astecas, a busca da verdade não é simplesmente a busca de imagens mentais que possam parecer mais ou menos reais, mas a busca do Ser, da raiz última daquilo que traz estabilidade. A palavra “verdade” em nahuatl (neltiliztli) tem a mesma etimologia que “raiz” ou “fundamento”.
A VIDA NA TERRA
O ser humano, nessa Terra, é como um “espelho”, como a imagem fugaz de um sonho. Está aprisionado num cárcere de carne e sangue que o impede de ter um conhecimento pleno da verdade. Dizem seus poetas: Nada, nada, mas nada de verdade vive na Terra. Pois a vida na Terra é como um sonho do qual despertamos com a morte.
Por acaso se vive de verdade na Terra?
não para sempre na Terra:
só um pouco aqui
ainda que seja de jade se quebra,
ainda que seja de ouro se rompe,
ainda que seja de pena de quetzal se solta,
não para sempre na Terra,
só um pouquinho aqui.
Netzalhualcoyotl
A Terra é a Casa das Pinturas. O coração do homem é a Galeria das Pinturas, das cenas da vida que como quadros vai atravessando a consciência humana,vivendo e sofrendo como atores e aprendendo como espectadores.
Por acaso são verdade os seres humanos? Porque se não são, também não é verdadeiro nosso mundo.
A Terra é o lugar de separação. Nessa Terra, dizem os textos astecas, corre um vento como de afiadas facas de obsidiana. Mas também é o lugar de reencontro das almas irmãs: a amizade é uma chuva de flores preciosas.
Os filósofos astecas não se fecham estéreis no cárcere de seus raciocínios, mas os utilizam como degraus para recuperar a consciência de Deus.
Dizem os antigos poetas astecas:
Em toda parte está tua casa, Doadora de Vida
a esteira de flores, tecida com flores por mim.
Sobre ela te evocam os príncipes.
Conservamos deles também uma espécie de Teoria do Conhecimento. A verdade é tão sutil e instável que foge das definições racionais. Somente podemos nos referir a ela com símbolos, com metáforas. O símbolo e a arte, a poesia, é o que chamam flor e canto, o único modo de dizer palavras verdadeiras nessa terra. Esses símbolos, esses cantos, originam-se do céu, da inspiração. Não são invenções humanas, pois o simbolismo é a linguagem da Natureza:
Do interior do céu vem
as belas flores, os belos cantos,
os enfeiam nossa ânsia,
nosso invento nos leva a perdê-los.
Também é a flor símbolo da alma que se abre como uma oferenda.
Brotam, brotam as flores,
abrem suas pétalas as flores,
diante do rosto do Doador de Vida (…)
as flores se movem!
SÍMBOLOS ASTECAS
Os astecas com símbolos extraídos da própria Natureza tornaram inteligível o mistério. Com pegadas se referiram à presença de Deus Invisível; com a Serpente ao tempo, com a Terra à sabedoria. Referiam-se ao Gênio interior (a própria alma?) como uma imagem, ou animal, suspenso por trás e unido a nós por um finíssimo fio.
O caracol representa os ciclos espiralados do tempo. Com uma cruz, o quincunce, o movimento interno de todas as coisas, a harmonização, o giro e a síntese dos quatros elementos. Por um olho na interseção dos braços da cruz, a consciência, nascida do impacto do espírito na matéria. Também com a cruz representaram a encarnação da alma na matéria, as provas e dificuldades que esta deve superar por encontrar-se crucificada.
Com uma mão, o poder de Deus. Com um espelho esfumaçado, a Natureza, inflamada, fervendo, diante da presença de seu Amor. Também o último Juiz de nossos atos, o carma, o que “semeia discórdias”.
Com o sangue, representam a fluido etéreo que anima todo o Universo, que revigora os astros, no espaço semeado de estrelas, que alimenta e mantém a vida do homem. Uma tíbia quebrada e florescida, o sacrifício do material para dar luz no espiritual. A faca de pedernal, a inexorável vontade do homem que vence suas limitações, que troca sua prisão de carne.
O jaguar representa o Sol fazendo sua ronda noturna debaixo da terra, patrono dos guerreiros. A águia é o Sol no Céu, em seu elemento próprio, reinando sobre o mundo, patrono dos governantes. A borboleta multicolorida representa a psique, cheia de encantos e beleza, porém frágil e quebradiça. Uma panela fervendo, com boca e olhos, a natureza da alma encarnada, condenada a viver num mundo que não é seu, mas efervescente de paixões.
A EDUCACÃO ENTRE OS ASTECAS
Para os astecas, como eles mesmos expressam, o ideal educativo é a ação de dar sabedoria aos rostos e a ação de endireitar os corações.
O coração, yollotl, deriva etimologicamente da mesma raiz que ollin (movimento), pois no coração está o movimento interno, a vontade.
Por fontes indígenas, sabemos de um sistema de educação universal e obrigatório. No código Florentino, encontramos que entre os ritos que eram praticados, quando nascia uma criança nahuatl, estava a consagração do recém nascido a uma determinada escola.
A imagem do sábio asteca é muito parecida, para não dizer idêntica, a dos antigos filósofos do mundo clássico. O Código Matritense, no qual se conservam textos dos informantes de Sahagún, descreve:
O sábio, uma luz, uma teia,
uma grande tocha que não se apaga (…)
Sua é a tinta negra e roxa
Dele são os códices, dele são os códices.
Ele é escritura e sabedoria.
É caminho, guia verdadeiro para outros.
O sábio verdadeiro é cuidadoso
e guarda a tradição: sua é a sabedoria transmitida,
Ele é quem a ensina.
Faz sábias as faces alheias.
Faz com que tenham um rosto (uma personalidade).
Desenvolve-as. Abre seus ouvidos, ilumina-as.
É mestre de guias.
Põe um espelho diante dos outros.
Os faz sensatos, cuidadosos;
Faz que neles surja um rosto,
Fixa-se nas coisas, regula seu caminho.
Organiza e ordena.
Aplica sua luz sobre o mundo.
Conhece o que está sobre nós e
na região dos mortos.

Segundo os sábios astecas, o homem é a encarnação de uma partícula do Espírito Celeste. A Alma do homem provém do Sol e para ele voltará após numerosas encarnações e provas. Por isso, o Sol é chamado de rei dos que voltaram. Sua casa é o firmamento e está rodeada de turquesa e de penas de quaetzal das almas que regressaram a seu estado inicial de Unidade.
O supremo ideal do homem e da mulher nahualt é, portanto, ser dono de seu rosto, dono de um coração, tal como se refere a seguir o texto asteca:

O homem maduro, coração firme como a pedra,
coração resistente como o tronco de uma árvore,
rosto sábio, dono de um rosto e de um coração
hábil e compreensivo.
José Carlos Fernández

A BUSCA DA ARTE
MULHER FRITANDO OVOS
de Velázquez
National Gallery of Scotland, Edimburgo

Esta obra, pertencendo à fase juvenil do pintor, pode ser datada entre 1618 e 1620. Acredita-se que foi adquirida no inicio do século XIX pelo pintor inglês Wilkie e depois de algumas mudanças de proprietário chega à coleção Cook de Richmomd, até ser adquirida pela National Gallery, de Edimburgo.
Como obra da primeira fase, pertence à época tenebrista de Velazquez. A luz origina-se de onde encontra-se o espectador, deixando na sombra o fundo da cozinha. A zona mais iluminada delimita-se por uma estreita linha diagonal, da direita para a esquerda, e é na metade direita, que se concentra a cor. Essa serve para nos mostrar uma completa coleção de utensílios de cozinha, nos quais pode-se apreciar a textura de seu material: o vitrificado da louça nas jarras, o brilho do metal no almofariz.
A mulher frita ovos numa pequena cumbuca, que hoje não se fabrica mais e chama nossa atenção para os costumes da época, o lugar em que o faz: um fogareiro de cerâmica, dentro do qual, supomos que brasas aqueciam o azeite. Sobre a mesa, a cebola e as pimentas, inseparáveis na cozinha espanhola. Não deixem de observar a perfeição muscular no pulso da mão que mexe a colher, e que não é comum ver em Velazaquez, geralmente pintor de posturas corporais suaves e sem excessivos movimentos.
Na outra metade, a escura, traça-se um arco luminoso que fecha o ângulo: a mão do menino com a abóbora atada, para facilitar o transporte, seu rosto pensativo e sem comunicação com a mulher, o cesto pendurado. No centro, as duas mãos se unem no reflexo do vidro.
O quadro é frio, de acordo com o tenebrismo: ocre e branco cinzento; o vermelho da blusa e da cumbuca são apagados, não oferecem contraste.
Contudo, não é o Velazaquez mágico das Meninas ou da Forja de Vulcano; observa-se um esforço um tanto confuso para coordenar os vários elementos da taberna. Mas já é o gênio.
Guiomar

AS DISTÂNCIAS DAS ESTRELAS
Quando falamos de estrelas afastadas há anos-luz de distância, nos perguntamos: como se medem os anos-luz? Que sistemas utilizam?
Algumas vezes escutamos ou lemos que determinada estrela, por exemplo, a Alfa de Centauro, encontra-se a 4,3 anos-luz, que a estrela Vega está a 27 anos-luz, etc. Essas distâncias são enormes, comparadas com as existentes em nosso minúsculo planeta Terra. Pensem, simplesmente, que a unidade de longitude usada na astronomia interestelar é o ano-luz, a distância que percorre a luz em um ano. Sabemos que a velocidade da luz é aproximadamente de 300.000 km/seg., e que a distância em quilômetros de um ano-luz é de 9,5 bilhões. Em toda pessoa curiosa surge a pergunta: como se pode medir essa distância? Evidentemente, não é caminhando e nem com uma fita métrica. É muito interessante meditar sobre a capacidade da mente humana para superar os obstáculos, o ser que não se conforma e não aceitar como impossível uma dada situação. Precisamente temos como exemplo a estimativa de distâncias não acessíveis.
O MÉTODO DA PARALAXE
Para ilustrar este método, vamos realizar uma experiência muito simples: coloquem o braço estendido com o dedo indicador levantado diante de seus olhos. Feche qualquer um dos olhos e logo o outro sem mover os braços, nem o dedo. Observem que aparentemente o dedo mudou sua posição; aparentemente, porque a única coisa que mudou é o ponto de vista, mudando a visão de um olho para outro. Conhecendo a distância entre os olhos e o ângulo de deslocamento aparente do dedo, podemos calcular a que distância está o dedo. É claro que neste exemplo é muito mais fácil medir o comprimento do braço. A chave do exemplo encontra-se quando, aumentamos a distância entre os dois pontos de vista. Este método ainda é utilizado pelos topógrafos e agrimensores para medir a altura de montanhas, largura de rios, extensões de terrenos, etc.
Graças à aplicação da paralaxe podemos medir a distância de qualquer objeto. Por meio de uma variante desse método (a medição de ângulos), Eratostenes conseguiu pela primeira vez medir o tamanho da Terra, obtendo um valor para sua circunferência de no máximo 40.000 km. e para seu diâmetro de 12.000km.
Esse método foi utilizado pelo astrônomo francês Cassini para medir a distância da Terra a Marte. Enquanto Cassini media a posição de Marte no céu, visto pelo ângulo da cidade de Paris, outro companheiro seu media, ao mesmo tempo, a posição do planeta na Guiana Francesa. Conhecendo a distância terrestre entre Paris e a Guiana, e o ângulo de deslocamento, por métodos trigonométricos simples calculou-se a distância da Terra a Marte, e aplicando as recentes leis de Kepler, finalmente pode-se calcular o tamanho do Sistema Solar e as respectivas distâncias dos planetas do Sol.
Na teoria, o mesmo método pode ser aplicado para medir a distância de qualquer estrela; porém na prática, o ângulo de deslocamento é tão pequeno que para medir distâncias terrestres torna-se praticamente impossível. Usando uma distância ainda maior, como a existente entre dois pontos opostos da órbita da Terra ao redor do Sol, que é de aproximadamente 300 milhões de quilômetros, podemos aumentar a distância. Como a Terra gira ao redor do Sol em um ano, na realidade para medir a paralaxe de uma estrela é suficiente medir as estrelas num intervalo de seis meses, tempo para que se atinja os pontos opostos da órbita da terrestre. Assim, as estrelas estão tão distantes que o ângulo de medida torna-se extremamente pequeno, menor que um segundo de arco (um segundo de arco é de 1/1.296.000 partes de uma circunferência). Com estes diminutos ângulos não nos surpreende que somente no início do século XIX foi possível medir a paralaxe de uma estrela. Foi o astrônomo alemão Bessel, quem pela primeira vez conseguiu medir a paralaxe de uma estrela, a de número 61 da constelação do Cisne. Em 1838 anunciou-se que esta estrela possuía uma paralaxe de 0,31 segundos de arco, a espessura de uma moeda vista a uma distância de 12km. Naturalmente, isso demonstrou que é difícil medir as distâncias estrelares. No caso da estrela 61 de Cisne, encontra-se a uma distância de 11 anos-luz. Dois meses depois do anuncio de Bessel, o astrônomo britânico Henderson demonstrou que a estrela Alfa de Centauro (a mais próxima de nosso sistema solar) tinha uma paralaxe de 0,75 segundos de arco, e que se encontra a 4,3 anos-luz do Sistema Solar. Por esse método, poderíamos teoricamente encontrar a distância de qualquer estrela. Na prática, entretanto, os ângulos são tão pequenos que o limite prático para medir distâncias por meio da paralaxe é 100 anos-luz.
AS CEFEIDAS
Antes de continuarmos com o método para calcular as distâncias estelares, vamos falar brevemente sobre o brilho das estrelas. Nem todas têm a mesma intensidade luminosa. A conhecida lei da luminosidade diz que o resplendor de qualquer objeto diminui com o quadrado da distância. Assim, se duas lâmpadas são iguais e observamos que uma delas brilha a metade que a outra, deduzimos que ela se encontra a uma distância quatro vezes maior. Aparentemente, poderíamos aplicar esse método para calcular a distância das estrelas. Bastaria conhecer seu brilho aparente (aquele que podemos observar da superfície da Terra) e o brilho intrínseco (o que realmente possui) para calcular a distância. Certamente, a pergunta é: como se pode calcular a luminosidade intrínseca ou absoluta de uma estrela? Este problema foi resolvido observando um tipo especial de estrelas, as Cefeidas.
Geralmente acreditamos que as estrelas sempre possuem o mesmo brilho (astronomicamente conhecido por magnitude). Contudo, podemos observar um período de ciclo máximo e mínimo de resplendor de certas estrelas. A primeira estrela na qual se observou um período oscilante deste tipo foi à chamada Delta de Cefeo, em sua honra, esse tipo especial de estrela é conhecido como Cefeidas. Observando as Cefeidas encontradas na Nuvem de Magalhães, notou-se que quanto maior era o período, mais brilhante era a estrela. Mas o mesmo não se observava nas Cefeidas, que estavam fora da Nuvem. Por que as Cefeidas da Nuvem menor de Magalhães se comportavam assim? Pela simples razão de que essa Nebulosa está muito distante de nós, conseqüentemente podemos supor que todas as estrelas da Nuvem estão a mesma distância da Terra. De tal forma que nessas estrelas, poderíamos supor que todas teriam a mesma magnitude absoluta, comparando-as entre si. Assim, foi possível construir uma relação comparativa entre o período de oscilação do brilho e a magnitude absoluta. Aplicando essa mesma relação às Cefeidas próximas de nós, já é possível conhecer seu brilho absoluto comparando-as entre si. Seria suficiente conhecer a distância de uma Cefeida para conhecer as de todas as demais, não importando a que distância estejam. Ainda que a Cefeida mais próxima de nós encontre-se a centenas de anos-luz, há outros métodos, não tão diretos como o do paralaxe, para se conhecer a distância. Um deles é o deslocamento relativo das estrelas entre si. Quanto maior o deslocamento, mais próximas da Terra. Assim se conseguiu medir a distância de uma Cefeida, seu brilho absoluto, e comparando-a com as demais, foi possível conhecer a que distância estavam, medindo sua luminosidade aparente.
Para concluir esse breve artigo sobre astronomia básica, devemos refletir sobre duas ou três idéias que relatamos aqui. Uma delas é supor que as leis do Universo sejam as mesmas em qualquer lugar que estejamos, seja na Terra, no Sistema Solar, na estrela mais próxima ou na mais distante. É lógico acreditar que seja assim, pois o contrário requer que demos uma importância especial ao conglomerado de rocha que chamamos planeta Terra e ao lugar que ocupa no Universo. Outra das idéias supostas é que o aspecto aparente das estrelas, a luz que chega até nós, corresponde com a atual. Consideremos que a luz para chegar até nós, em alguns casos, demora milhares de anos, então podemos estar falando de estrelas que já não existem mais. No entanto, é lógico supor que não é assim, pois do contrário daríamos uma importância especial ao nosso momento histórico e cairíamos no mesmo erro anterior. Devemos lembrar que o Ser Humano não é uma criação especial do Universo, mas sim, mais uma de suas criaturas e, portanto, não podemos nos dar uma importância especial, nem em nosso momento nem em nosso lugar.
Fco. Javier Ruiz

UM MUNDO PARA VALENTES
É inútil fechar os olhos diante das incansáveis catástrofes que assolam o mundo, algumas são produtos da Natureza em seu indecifrável movimento, outras, filhos da mente e das mãos humanas. Quando não são terremotos, furacões, rios transbordando, são amostras da inusitada violência, guerras, espionagens… Enfim, para não estender a lista, deixemos poucos os exemplos das muitas situações que nos torturam.
Do ponto de vista da Filosofia, sabemos que os clássicos sempre tiveram uma atitude valente e positiva, não se calaram frente à dor do outro nem da própria, mas pelo contrário, puseram em jogo as forças de cada um para aliviá-la, na medida que fosse possível. É o que queremos, o que tentamos fazer, ainda que consigamos só uma pequena parte daquilo que ansiamos.
Muitas vezes, nos assola o desejo de sumir diante de tanta mentira, falsidade, grosseria, instabilidade. Há uma sede intensa de paz, de beleza e de harmonia, mas poucos lugares onde encontrá-las. Daí a necessidade de ampliar o reduto interior, esse lugar que nos pertence e onde, se desejarmos e soubermos fazê-lo, podemos guardar os maiores tesouros. Existem poucos lugares tranqüilos, mas em compensação existe um imenso jardim dentro de cada ser humano e continuam existindo centenas de coisas maravilhosas que aquietam o espírito e permitem recuperar forças.
Quando tudo cai e parece que vamos explodir sem conseguir entender porque lutamos nem para onde vamos, ainda assim surge um som, uma cor, uma forma graciosa, uma idéia profunda, uma palavra amiga, um sentimento generoso, uma atitude de gratidão, uma flor, um poema, um canto, um templo…
Sem estarmos em guerra, hoje, quase todos vivemos em guerra. Hoje o mundo nos machuca, as sociedades que sonham o encontro humano, são as que, consciente ou inconscientemente, agridem os que nela vivem. O mais corriqueiro é sofrer de angústia, cansaço, ansiedade; e o pior, e assim mesmo normal, é a falta de palavras para explicar essa ansiedade que nos desgasta. Não é um problema que afeta somente os adultos, ou aos mais comprometidos com a vida, mas aflige também os jovens e os adolescentes que já estão cansados e esgotados antes mesmos de ter começado a viver e temem o futuro que os espera, ou o ignoram sob outra de suas máscaras, a do temor.
No meio dos conflitos é quando se valorizam as pequenas coisas, as coisas boas, simples e belas. No meio do assédio de mil e uma agressões, nada tão maravilhoso como o oásis de um livro carregado de experiências atemporais, um violino que desprende agradáveis melodias através de um moderno aparelho que nos transporta para tempos passados ou futuros, porém tempos tranqüilos; uma voz que se eleva vitoriosa no meio do ruído impondo sua harmonia sonora; um pedaço da história que se faz realidade diante de nossos olhos ansiosos por aprender despertando lugares adormecidos na memória.
Porém, são instantes fugazes. São apenas o repouso do guerreiro que não sabe porque está em guerra nem contra quem deve lutar, mas sente que tudo borbulha ao seu redor num espasmo de dor e incertezas. Recuperado o animo, o guerreiro assume a outra face, do filósofo e retorna à ação. Sabe que mais além de seus sofrimentos há um mundo que sofre, entretanto, há milhares de pessoas que necessitam o conforto de uma mão amiga ou de uma palavra, de uma idéia reconfortante, de um esboço de futuro esperançoso. Por isso, não há quietude; só a ação daquele que conhece a pequenez de seu trabalho, ao mesmo tempo que valoriza sua necessidade, a ação daquele que, após uma dura jornada, abrirá a porta do seu jardim interior e encontrará as agradáveis flores de seu breve descanso. Talvez, algum dia, essas flores possam abrir-se em toda a face da Terra.