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A Revolução Industrial

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“Manjares de plástico, sonhos de plástico.

É de plástico o paraíso que a televisão promete a todos e a poucos outorga. A seu serviço estamos.

Nesta civilização onde as coisas importam cada vez mais e as pessoas cada vez menos, os fins foram seqüestrados pelos meios: as coisas te compram, o automóvel te dirige, o computador te programa e a TV te assiste”.

Eduardo Galeano

Para Claude Fohlen as causas da chamada Revolução industrial podem ser classificadas em fatores endógenos e exógenos, entre os primeiros estão:

1- Tecnologias e invenções aplicadas à indústria entre as quais podemos destacar as inovações na indústria têxtil e a máquina a vapor.

2- Acumulações de capitais, na indústria o capital tem um papel mais relevante que na agricultura.

3- Função dos empresários ou empreendedores que são aqueles que estão dispostos a investir o capital nas inovações.

Entre os fatores exógenos estão:

1- A revolução agrícola consistente na supressão da rotação trienal e no desaparecimento dos barbechos e a extensão de terras cultiváveis.

2- O crescimento da população, mesmo que alguns considerem que seja uma conseqüência ao invés de uma causa do processo de industrialização.

3- A ação do Estado para apoiar o crescimento industrial.

Com a mesma mentalidade “objetiva” utilizada no método científico, analisa-se a Revolução Industrial como um fenômeno, neste caso econômico e social. Sem tirar a importância destes aspectos, não há como esquecer de que os acontecimentos da sociedade obedecem a uma determinada mentalidade.

Em seu livro Pneumatics, Heron de Alexandria do séc. I a.C. descreve e detalha uns 80 experimentos diferentes realizados com vapor. Fazia os pássaros cantarem, fazia os instrumentos musicais tocarem, mover figuras e outros engenhos.

Entre estas invenções estava a “eolípia” cujo nome provém de Eolo, deus do vento. Esta é a primeira máquina a vapor que possui registro escrito. Consiste num globo ou esfera oca colocada sobre uma plataforma, de maneira que pudesse girar ao redor de um par de varetas, sendo uma delas oca. Por esta o vapor d’água sobe, o qual escapa do globo para fora por dois tubos dobrados orientados tangencialmente em direções opostas e colocados nos extremos de um diâmetro perpendicular ao eixo do globo. Ao ser expelido o vapor, o globo reage a essa força e gira ao redor do seu eixo. Este sistema, no qual os jatos de água atuam como força motriz no lugar do vapor, é o que atualmente se utiliza nas regas por aspersão.

Utilizando o mesmo mecanismo, Heron fez uma máquina que abria e fechava automaticamente as portas do templo.

É evidente que na máquina de Heron contava-se com elementos suficientes para fazer uma máquina à vapor e aplicá-la à indústria. No entanto, não havia a mesma mentalidade e, por conseqüência, os inventos de Herón tinham um caráter que para nós parecem jogos, mas que possivelmente aos gregos helenísticos era algo sério e importante. Tal como ocorreu com as pessoas da idade média, para as quais era muito importante e fundamental a construção de catedrais. A mentalidade própria de cada época outorga importância a determinados aspectos da sociedade.

Então, devemos considerar também como uma causa da chamada revolução industrial a mentalidade de domínio da natureza, que foi a que prevaleceu durante todo esse tempo. A indústria foi a expressão mais concreta do domínio das forças da natureza que, ao perder seu valor sagrado, transformou-se numa fonte inesgotável de recursos que poderiam ser transformados, graças à indústria, numa grande quantidade de bens de consumo que trariam um crescimento constante à economia.

Para produzir cada vez mais, é necessário consumir mais matérias-primas e mais energia. Por isso, há não muitos anos atrás, media-se o nível de desenvolvimento de um país de acordo com o seu consumo de energia e entendia-se que quanto mais consumo havia, maior era o desenvolvimento. Hoje sabemos que os recursos são limitados e que a economia não pode cresce sempre, pelo menos não a prazos médios ou longos. Por isso, hoje se entende o desenvolvimento não como incremento, e sim como desenvolvimento sustentável.

Numa mentalidade em que a natureza é vista como uma inimiga que deve ser conquistada, a sociedade demonstrava suas invenções e engenhos que lhe permitiam contradizer a natureza, porque tudo isso mostrava até onde havia chegado a conquista.

Na arquitetura vernácula vamos encontrar sempre desenhos que buscam estar em harmonia, por exemplo, com o clima. Assim, nos climas tropicais se desenham lugares que provém da sombra e que gerem correntes de ar com o objetivo de neutralizar o calor e a umidade.

Este desenho que busca criar as condições adequadas ao clima, é considerado para a mentalidade de conquista da natureza, uma subordinação do homem à natureza, sente-se como numa batalha perdida. Ganhar a batalha é fazer uma construção, já não buscando a utilitas (funcionalidade) de se adaptar aos diferentes climas, mas uma versão deformada de venustas (beleza), que é fazer o que lhe dita a moda do momento por mais absurda que seja. Para permitir isso, utilizou-se diferentes engenhos entre eles o ar condicionado, que nasceu para uma função industrial.

O ar condicionado

Os primeiros antecedentes do ar condicionado podem ser encontrados nos trabalhos do engenheiro francês Sadie Carnot. Em 1824, ele estudou a eficiência das diferentes máquinas térmicas que trabalham transferindo calor de uma fonte à outra e concluiu que as mais eficientes são as que funcionam de maneira reversível.

Para isso desenhou uma máquina térmica totalmente reversível que funciona entre duas fontes de calor de temperaturas fixas. Esta máquina é conhecida como a máquina de Carnot e seu funcionamento é chamado de ciclo de Carnot que se define com um processo cíclico reversível que utiliza um gás perfeito e que consiste em duas transformações isotérmicas e duas adiabáticas. Este ciclo vai exercer um papel fundamental nos fundamentos da termodinâmica atual.

Em 1852, James Prescott Joule e William Thomsom (Lord Kelvin) descobriram que a temperatura de um gás desce quando se expande através de uma parede porosa até uma região de pressão mais baixa. Ambos investigadores deixaram expandir um gás por uma placa porosa, de uma pressão constante à outra, controlando a diferença de temperatura produzida por efeito da expansão. O sistema estava isolado de forma que o processo era adiabático, e observaram que a temperatura era inferior na zona de baixa pressão e que a diferença de temperatura era proporcional à diferença de pressão aplicada. Este fenômeno é conhecido como efeito Joule-Thomson e serve de base à refrigeração e aos sistemas de ar condicionado.

O ar condicionado, como conhecemos atualmente, deve-se à criatividade do engenheiro Willis Haviland Carrier. Em 1902, Carrier foi contratado por um editor do Brooklyn para controlar a umidade e a temperatura no seu escritório, que o impediam de conseguir uma boa qualidade em seus trabalhos.

Carrier encontrou a solução, e assim foram criadas as bases de uma invenção revolucionária, o ar condicionado. Rapidamente chegaram pedidos de companhias que estavam afetadas pelo mesmo problema, e foi assim que o sistema desenvolvido por Carrier permitiu que uma grande quantidade de indústrias melhorassem seus produtos: fábricas têxteis, de navalhas, de películas de celulóide, de cápsulas farmacêuticas, processadores de tavaco, confeitarias, embaladoras de carne, fábricas de sabão, de munições, entre muitas que outras foram beneficiadas pelo novo sistema.

O primeiro “aparelho para tratar o ar” foi registrado por Carrier em 1906, e no ano seguinte já chegava seu primeiro pedido vindo do exterior, uma fábrica de seda de Yokohama, no Japão. Nos primeiros anos, este sistema que permitia controlar a umidade e a temperatura, estava focado à indústria, às máquinas mais do que para às pessoas.

Isto mudou em 1924, quando fez sua inauguração numa loja de Detroit, na qual as vendas caíam no verão devido ao calor. Já no verão de 1925, o cinema Rivoli de Nova York refrigerava sua sala e divulgava fortemente seu “fresco conforto”. No dia da inauguração do local refrigerado, poucos lembraram do filme, mas ninguém esqueceu a sensação de conforto que se desfrutou naquela sala.

As máquinas de ar condicionado se sustentam no ciclo de refrigeração que é um ciclo fechado, composto por quatro processos básicos que funcionam de forma eficiente, graças às propriedades dos gases refrigeradores e seguindo o Ciclo de Carnot.

Como é um circuito fechado podemos explicá-lo começando por qualquer parte dele.

O primeiro passo é quando o gás refrigerador passa pelo processo de Compressão no qual, de acordo com a lei dos gases, o incremento de pressão faz com que a temperatura aumente, o gás superaquecido e a alta pressão se descarregam no processo seguinte.

O Condensador, no qual o calor restante é evacuado a u xpansvai a uma va temperatura de saturaçremento de pressulquer roporconava dido utos?:m ar mais frio e a temperatura do gás desce a uma nova temperatura de saturação, tornando-se líquido; este líquido vai a uma válvula de Expansão, onde ao se expandir o gás, a pressão é reduzida e, por conseqüência, a temperatura também.

A partir deste ponto, vai ao Evaporador, onde o líquido evapora a uma temperatura e pressão constantes, enquanto a energia necessária para o fornecimento de calor latente de evaporação passa das paredes do evaporador ao líquido que está evaporando. Todo o refrigerado se evapora no evaporador e isto faz com que o calor do meio ambiente passe para o evaporador.

O ciclo de refrigeração é uma engenhosa aplicação das propriedades físicas, sendo um circuito fechado, produz um intercâmbio de calor, coloca calor pelo condensador e absorve pelo evaporador. Mas todo este processo consome uma grande quantidade de energia.

Paulatinamente, o ar condicionado foi trazendo conforto às pessoas e hoje são milhões de máquinas de ar condicionado que funcionam no mundo, desde os pequenos aparelhos individuais até grandes centrais que são capazes de abastecer um edifício.

Edifícios confortáveis sem ar condicionado

As atividades nos prédios comerciais consomem um sexto de toda a energia que o mundo ocidental consome. Se o ar condicionado fosse eliminado, economizar-se-ia mais de um terço deste consumo energético, segundo o comunicado do Instituto Tecnológico de Massachussets emitido em junho de 2006.

O problema é que ninguém quer trabalhar em um ambiente sufocante e para isso se faz imprescindível o uso destes sistemas. Perante este desafio, os investigadores do MIT estão desenvolvendo uma nova ferramenta informática que ajude os arquitetos a desenhar edifícios que se refresquem utilizando correntes de ar naturais.

Outras investigações sobre o efeito dos íons na saúde demonstram que o ar natural é mais confortável e saudável que o ar condicionado. Portanto, um desenvolvimento neste sentido permitiria poupar tanto com relação à energia quanto à economia e ainda com maiores benefícios para a saúde.

Não há como pretender que se elimine completamente o ar condicionado, sobretudo nas indústrias, mas nos ambientes onde trabalham as pessoas, um desenho mais inteligente em que se diminuam as cargas térmicas externas e internas e seja aumentado o fluxo natural de ar, vai permitir prescindir ou ao menos diminuir o uso do ar condicionado.

Além dos benefícios que estes desenhos podem trazer, é interessante constatar que cada vez mais se está criando uma nova mentalidade, ainda no âmbito tecnológico. A natureza já não é mais vista como inimiga que deve ser conquistada, mas como nosso próprio ambiente com o qual devemos manter relações harmônicas, e isso é possível se trocarmos este enfoque bélico por um enfoque de convivência.

As mentalidades também obedecem a ciclos, não são ciclos fechados, e sim abertos que vão conformando espirais. Mas, estamos paulatinamente retornando àqueles perenes postulados da filosofia clássica de ver o cosmos como uma ordem inteligente e inteligível e o ser humano como um microcosmo, que forma parte integral do cosmos e está regido por essa mesma ordem inteligente.