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A vocação nossa de cada dia – A VOCAÇÃO E A ALMA

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Retomando um tema que foi tratado nos primeiros números desta revista, iremos aprofundar um pouco mais o conceito de “genética da alma”, já que as atuais teorias antropológicas reduzem a genealogia do ser humano apenas ao aspecto físico. Tal abordagem é limitada e torna muito difícil o desenvolvimento da vocação. Por outro lado, a falta de cultura filosófica da educação atual elimina uma série de conceitos importantes que são fundamentais para a compreensão do tema da vocação. Em termos políticos, os demagogos da atualidade improvisam, de forma assustadora, no planejamento educacional, sem ter a mínima idéia do valor social da vocação. E por último, diante das interessantes propostas efetuadas pela UNESCO e pelo MEC, com relação aos eixos de transversalidade, porém sem a inclusão da vocação em qualquer um deles, este aprofundamento ganha em importância, podendo trazer a lume aspectos interessantes no sentido de uma melhora na qualidade do ensino.

A primeira questão corresponde ao conceito de genética da alma e será abordada aqui a primeira incoerência, que resulta das atuais concepções materialistas, tanto da antropologia quanto da ciência em geral, em relação ao processo que vincula o nascimento do ser humano à projeção no tempo e no espaço de suas tendências e inclinações, do seu potencial inteligente e do seu desenvolvimento. Para as atuais teorias, existem algumas posições inconciliáveis, como por exemplo, que o ser humano nasce como tábua rasa e que seu comportamento é apenas o resultado da interação de fatores totalmente externos. Ou outra, que diz que todo ser humano é o resultado do processo genético que tem herdado dos pais e dos seus ancestrais. A questão é que ambas as teorias até convivem, às vezes, nos mesmos ambientes acadêmicos, sendo completamente contraditórias. Mas nenhuma das duas teorias leva em conta que, desde o seu nascimento, os seres humanos mostram, através das infinitas diferenças de comportamento, com relação a essas tendências, inclinações e potenciais. Ainda que a teoria da tábua rasa, com a sua admirável aleatoriedade, e a não menos admirável, teoria da inexorabilidade do “matemático” cálculo genético têm aparentemente respondido a todas as “probabilidades”, de forma real e prática, os seres humanos vivem, em termos de satisfação educacional e trabalhista, ainda na época das cavernas. Nem se pode considerar as teorias da formação do indivíduo, tão só por fatores externos, nem como um processo puramente genético biofísico. Deve-se, antes, apelar para o bom senso, que diz que no tocante à evolução psicológica, intelectual e espiritual do ser humano muito pouco se sabe, e que o atual estado de insatisfação geral, em relação à educação e ao trabalho, assim o demonstra.
Tanto as estatísticas do resultado educacional com relação ao trabalho, quanto as de desenvolvimento do potencial humano são estarrecedoras. As atuais teorias parecem saber e dominar tudo, mas a qualidade de vida das pessoas se torna cada vez mais triste. A questão então tem que ser pesquisada e desenvolvida em termos mais práticos, a respeito de resultados. Se existem tendências, inclinações e potenciais que aparecem até num bebê, deve-se pensar que existe algo que se desenvolve no ser humano através de uma lógica evolutiva, em que o físico, o biológico, o psicológico, o intelectual e o espiritual convergem em diferentes linhas de evolução até um ser comum a todas, inteligente e que opera com fatores que não podem ser captados nem por meios simples, como são as percepções sensoriais, nem por condicionamentos reflexos e mecânicos, mas sim por meio de uma integração de conhecimentos em todas essas áreas de forma interdisciplinar. Neste ponto, tanto a filosofia quanto a vocação têm muito a aportar.
A alma humana, entendida como uma inteligência estratégica, genial ou multifocal, ou como se queira denominá-la — contanto que seja considerada essa proposta global — possui, de acordo com todas as tradições que trataram desse tema, uma genealogia que percorre o tempo e o espaço, primeiro como uma identidade atemporal, que sobrevive aos processos de destruição do corpo, mas que persiste pela sobrevivência de fatores causais de ordem psíquica, intelectual e espiritual e que volta a se manifestar em outros ciclos de tempo e de espaço, através de formas físicas adaptadas a essa genealogia, onde prima a evolução, em termos de realização do seu potencial, de forma completa, seguindo como um processo, que quando encontra as condições vocacionais, que lhe são naturais e próprias, não só as reconhece e se identifica com elas, como também se desenvolve mais rápido, trazendo à tona muito mais potencial.
Os conceitos deixados de lado pela educação atual, que é a segunda questão deste aprofundamento, serão tratados no próximo artigo.