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Alexandria

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Alexandria foi fundada por Alexandre Magno, que a planejou para ser a melhor cidade do mundo. Após sua morte, Ptolomeu I herdou o Egito, e Alexandria foi a capital de seu império. Quando Hipátia nasceu (370 d.C), o Museu de Alexandria estava funcionando havia sete séculos. O cristianismo, que acabava de se converter na religião oficial, estava a ponto de acabar com o museu, pois ele representava o centro mais importante do saber grego, o que para os cristãos era sinônimo de “saber pagão” que deveria ser perseguido e exterminado. Nesse contexto, aparece Hipátia. Era filha e discípula do filósofo e matemático Teon, que ela adorava. Segundo os historiadores, Teon queria que Hipátia fosse um ser humano perfeito. Em uma época em que as mulheres dispunham de poucas opções e limitado acesso ao conhecimento, desenvolveu-se livremente e sem se afetar pelos domínios tradicionalmente masculinos. Os historiadores concordam em dizer que ela era de uma grande beleza e que teve muitos pretendentes, mas rechaçou todas as propostas de casamento. De acordo com a educação grega, Teon queria que Hipátia cultivasse tanto sua mente quanto seu corpo, por isso lhe deu uma formação baseada na ginástica para o corpo e música para a alma. Hipátia se dedicou durante vinte anos a investigar e ensinar Matemática, Geometria, Astronomia, Lógica, Filosofia e Mecânica no Museu, ocupando a cátedra de Filosofia Platônica, motivo por que seus amigos e companheiros a chamavam de “a filósofa”. No ano 400 d.C., seu conhecimento era tal, que foi nomeada diretora do Museu, ao qual pertencia a famosa Biblioteca. Escreveu um tratado “Sobre o Canon Astronômico de Diofanto”, texto de leitura obrigatória para os astrônomos de sua época em que se fala sobre equações de primeiro e segundo grau. Entre suas conquistas, se destacam várias invenções, como o astrolábio (instrumento usado para determinar o movimento e posição das estrelas), a esfera plana e o aerômetro (instrumento que mede a densidade do ar ou outros gases). Mas Hipátia estava no centro de poderosas tensões sociais. Cirilo, o bispo de Alexandria, a desprezava pela estreita amizade que mantinha com o governador romano e porque era um símbolo de cultura e de ciência, que a primitiva igreja identificava em grande parte com o paganismo. Os acadêmicos do Museu foram perseguidos, obrigando-os a se converter ao cristianismo se não quisessem morrer. Hipátia se negou a essa conversão e, apesar do risco pessoal que isso supunha, negou-se a renunciar ao conhecimento grego, à filosofia e à ciência.

Continuou ensinando e publicando, até que em março de 415 d.C., quando se dirigia à Biblioteca para trabalhar, caiu nas mãos de uma multidão de paroquianos de Cirilo. Arrancaram-na da carruagem, rasgaram suas roupas e, armados com conchas marinhas, esfolaram-na arrancando sua carne dos ossos. Seus restos mortais foram queimados, suas obras destruídas, seu nome esquecido. Cirilo foi nomeado santo. A destruição da Biblioteca veio pouco tempo depois, precipitando-se a negra Idade Média sobre o Ocidente, com suas seqüelas de ignorância e de dor.

O martírio de Hipátia implicou na morte da mais notável filósofa e matemática da sua época. Mas seu exemplo de vida iluminou o caminho de muitos buscadores da verdade, como farol que guia na escura noite os navegantes.

Julián Palomares