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Anita Garibaldi

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Giuseppe Garibaldi permanece no Brasil entre os anos de 1837 a 1841. Nesse período ele conhece a jovem que viria a ser Anita Garibaldi. A seguir algumas informações sobre esta incrível mulher.

Ana Maria de Jesus Ribeiro nasceu em Morrinhos, em 1821, Laguna, na então província de Santa Catarina. Seus pais, Bento Ribeiro da Silva e Maria Antônia de Jesus, eram pobres, porém honrados. Do seu pai parece ter herdado a energia e a coragem pessoal, revelando desde criança um caráter independente e resoluto. Aos 18 anos conheceu a Giuseppe Garibaldi que viera com as tropas farroupilhas de Davi Canabarro e Joaquim Teixeira Nunes tomar a Laguna em julho de 1839, devido a sua posição estratégica e também pelo porto, importante para o fluxo de armas e alimentos para a revolução, fundando a República Juliana dos Cem Dias.

Garibaldi chegara à Laguna com fama de herói pelo feito épico que acabara de realizar ao transportar, por terra, as duas embarcações “Farroupilha” e “Seival” de Capivari a Tramandaí e posterior salvamento do naufrágio da primeira ao sul do Cabo de Santa Marta. Seu encontro com Anita resultou em amor a primeira vista, dando origem a um dos mais belos romances de amor e dedicação incondicionais.

Anita decide seguir Giuseppe Garibaldi, em 20 de outubro de 1839, subindo a bordo de seu navio para uma expedição de corso até Cananéia. Sua lua de mel tem lances de grande dramaticidade: Em Imbituba recebe seu batismo de fogo ao serem os corsários atacados por forças marítimas legais. Dias depois, a 15 de Novembro, Anita confirma sua coragem impar e amor heróico a Garibaldi e à causa na célebre batalha naval de Laguna, contra Federico Mariath, em que se expõe ao perigo, atravessando uma dúzia de vezes num pequeno escaler na área de combate para transportar munições em meio da verdadeira carnificina humana.

Com o fim da efêmera República Lagunense, o casal segue na retirada para o sul. Subindo a serra, Anita combate ao lado de Garibaldi em Santa Vitória, passa o Natal de 1839 em Lages, toma parte ativa no combate das Forquilhas (Curitibanos) à meia-noite de 12 de janeiro seguinte. Feita prisioneira de Melo Albuquerque, consegue desde comandante permissão para procurar no campo de batalha o cadáver de Garibaldi que lhe haviam dito morto. Foge depois espetacularmente embrenhando-se pela mata atravessando o Rio Canoas a nado reencontrando as tropas em retirada e seu Giuseppe, oito dias depois.

Nasce seu primogênito Menotti, em Mostardas, em 16 de Setembro de 1840, na região da Lagoa dos Patos, no Rio Grande do Sul. Doze dias depois de parto, é obrigada a fugir dramaticamente a cavalo, seminua e com o recém-nascido ao colo, de um ataque noturno de Pedro de Abreu durante a ausência de Garibaldi.

Reencontrados depois, Anita e o filho seguiram, também, na posterior grande retirada pelo mortífero vale do Rio das Antas, da qual nos conta o próprio Garibaldi foi a mais medonha que jamais acompanhou, e que a desesperada coragem de Anita conseguiu meios de salvar o filho na última hora.

Em 1841, dispensado pelo Bento Gonçalves, Garibaldi segue com a pequena família para Montevidéu, engajando-se nas lutas uruguaias contra o tirano Rosas. Em 26 de Março de 1842, Garibaldi casa com Anita na antiga Igreja de São Francisco de Assis. Nos anos seguintes Anita tem mais 3 filhos Rosita, Teresita e Riccioti. Rosita não consegue vencer um ataque de difteria, falecendo aos trinta meses.

Em fins de 1847 segue Anita com seus três filhos para a Itália, para Gênova e Nice sendo seguida pelo marido poucos meses depois. Na Itália, Anita Garibaldi deu múltiplas demonstrações de aprimoramento intelectual, aparecendo como esposa condigna do herói italiano cuja estrela começa a brilhar internacionalmente. Infelizmente a vida de Anita foi demasiado curta. Em meados de 1849 vai a Roma sitiada pelos franceses ao encontro do marido, e com ele e a sua Legião italiana faz a célebre retirada, dando repetidas demonstrações de grande dignidade e de coragem em lances de bravura frente aos inimigos austríacos.

Grávida pela quinta vez e muito doente, não aceita os conselhos para permanecer em San Marino para restabelecer-se. Não quer abandonar o marido quando quase todos o abandonaram. Acompanhado de poucos fiéis, ziguezagueando pelos pântanos ao norte de Revenna, fugindo dos Austríacos, prometendo pena de morte a eles Garibaldinos e a quem lhes ajudasse, Giuseppe Garibaldi vê definhar rapidamente a mulher que mais amou na vida e de sua coragem disse desejara muitas vezes fosse a dele! Pelas 19 horas do dia 4 de agosto de 1849, Anita Garibaldi falece nos braços do esposo, longe dos filhos, num quartinho do segundo pavimento da casa dos irmãos Ravaglia em Mandriole, próximo a Santo Alberto.

Jucildo Augusto Lima