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As virgens negras na Idade Média

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Muitos estudiosos das virgens negras apontam a suposta mensagem alquímica de sua cor e dos tons de suas roupas (negro ou azul escuro, branco e vermelho). O negro ou o azul escuro, representando a matéria prima e a primeira fase da obra, a opus nigrum. O branco representando o albedo e o vermelho o rubedo. Rastrear historicamente as cores das vestimentas das estátuas é uma tarefa árdua, principalmente se levamos em conta que há lugares onde só temos a referência de que possivelmente ali houve alguma vez uma virgem negra. Porém só resta a tradição, como é o exemplo de Mont St. Michael, na França. Ou então encontramos uma estátua que é a cópia da cópia de uma imagem negra original, que se perdeu para sempre, freqüente devido a desastres naturais e intervenções humanas. Na Espanha as cores poderiam coincidir em Nossa Senhora de Nuria, porém não é assim no caso da Nossa Senhora de Montserrat, Guadalupe, Atocha e muito menos Almudena que é uma imagem muito mais moderna. Tampouco sabemos quais eram as cores originais, levando em conta além do mais, o costume (que durou séculos) de vesti-las. Por outro lado, muitas representações gerais da Virgem, sobretudo a partir do Renascimento, mostram nas cores de seus trajes interessantes características simbólicas, como o branco e o azul claro para a Imaculada, que podemos associar com a Virgem Celeste, a matéria pura mais além da Vida e da Morte e causa de ambas. O vermelho e o azul em todas suas gamas para a Virgem Mãe, vermelho feminino da vida e do sangue no traje e azul, algumas vezes salpicado de estrelas, masculino e celeste, para o manto. Espírito e Matéria em conjunção para frutificar no Menino-Criação, e finalmente o negro do luto e da morte, com o matiz ctônico para a Virgem Dolorosa.

Outro aspecto importante das virgens negras são os milagres. Os que se aproximaram do seu simbolismo têm peculiaridades que não se dão em outros milagres atribuídos a Nossa Senhora em outros momentos históricos. São milagres que têm relação com a vida e a morte, como o que se produziu no momento da reaparição da imagem de Almudena, com tele-transportes, como os casos de cativos no Oriente despertaram repentinamente em seu país e são libertados de suas correntes, ou a salvação das águas (como o de Nossa Senhora de Atocha no poço de San Isidro). Milagres de individuação, de libertação, de despertar.

Por outro lado, no período da Idade Média que coincide com a aparição das virgens negras, há uma reativação social, artística e cultural no seio da sociedade medieval hispano-francesa. As ordens monásticas, as cruzadas, os Templários, o contato com o Oriente e o mundo árabe facilitaram o comércio, a entrada de conhecimentos sobre arquitetura, arte em geral, medicina, matemáticas, astronomia, etc. E a tradução dos clássicos abriu novas perspectivas na filosofia e no mundo do conhecimento em geral. Há uma irrupção e um desenvolvimento do elemento feminino, não somente com o culto mariano, mas também de forma idealizada no amor cortês… apesar das grandes discussões que ocuparam a atenção dos escolásticos sobre a Natureza, a carne e o pecado, semeando uma disjunção entre matéria e espírito que chegou até os nossos dias.