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CÂNONE DE AVICENA

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CONSELHOS PRÁTICOS PARA A SAÚDE NO COTIDIANO

1. SOBRE O EXERCÍCIO E O REPOUSO
O efeito do exercício sobre o corpo varia em função do grau (intenso ou fraco), da quantidade (muito ou pouco), do repouso tomado e dos humores movimentados.
Todos os graus coincidem em ativar o calor inato do corpo. Em qualquer dos casos o corpo se aquece. A quantidade de calor produzida durante o exercício é muito maior que a perdida. O repouso tem um efeito refrescante, pois o calor energizante desaparece e o calor inato é reduzido.

2. SOBRE O SONO E A VIGÍLIA
O sono é semelhante ao repouso. Reforça todas as funções naturais, por um aumento do calor inato e por um relaxamento das faculdades sensoriais. Durante o sono respira-se relaxado. Assim o calor vital se acumula no interior do corpo. O Sono retira a lassitude e evita evacuações fortes; induz o suor e por conseguinte a eliminação de substâncias débeis. Se durante o sono há alimentos a digerir, há geração de calor inato que viaja por todo o corpo. Se, por outro lado, o estômago está vazio, há um efeito refrescante e dispersão do calor.
Bons efeitos do sono: esquecimento de sofrimentos mentais; retificação do raciocínio caso esteja atormentado. O melhor momento de sono, segundo Avicena, seria após a refeição, e deveria terminar quando a comida estivesse digerida. A vigília, dispersa e debilita a digestão. Como a noite contribui para uma perfeita digestão (devido à sua tranqüilidade e umidade), este é o melhor horário para dormir; do contrário (durante o dia) há propensão para acidez e flatulência.
O sono em excesso produz entorpecimento das faculdades mentais, pesa a cabeça e encarcera o calor inato, deixando o corpo frio exteriormente. A vigília em excesso debilita o raciocínio, leva a mudanças oxidativas dos humores e como resultado, enfermidades agudas.

3. SOBRE A RESPIRAÇÃO
Se há frio interiormente, o colocamos para fora com a respiração; se a respiração é dispersada, ocorre frio interior e exterior que pode ser seguido por síncope e até morte.
Movimento da respiração Emoção associada Súbita e energética – expansão Enfado Suave e gradual – expansão Deleite e desfrute moderado Súbita e energética – contração Temor, terror e ansiedade Suave e gradual – contração Tristeza e melancolia
4. SOBRE A INFLUÊNCIA DOS ESTADOS MENTAIS NO CORPO
* A atenção sobre coisas vermelhas induz a uma boa disposição para o movimento do humor sangüíneo.
* Caráter energético: come coisas ásperas; endurece os dentes.
* Caráter introspectivo: insistindo em dores da extremidade.
* Disposição otimista: regozija-se em pensar que algo se realizasse.

5. A INFLUÊNCIA DA COMIDA E DA BEBIDA
* Quanto à qualidade: apenas aquecem ou esfriam o corpo.
* Quanto à composição material: após a digestão mantém sua qualidade primária e adota a “forma” do corpo, se convertendo em algum tecido.
* Quanto à substância: pode provocar um efeito no corpo que pode ser desejável (útil e harmonioso) ou indesejável (desarmonioso).
O estudo dos alimentos deve incluir os seguintes aspectos:
* Digestibilidade: depende da densidade e da textura dos alimentos. Por exemplo a gordura, sua digestibilidade poderia ser afetada pela ingestão de certos líquidos, entre eles a água, num momento inadequado, depois que a digestão começou; ou líquidos que são incompatíveis com determinados alimentos antes da digestão. O apetite tem a ver com a digestibilidade.
* Assimilidade: tem a ver com o quimo resultante. Alimentos que produzem bom quimo: gema de ovo e vinho. Mau quimo: carne fresca.
* Valor nutritivo: dependerá do tipo de humor que resulte do alimento. Assim temos: enriquecedores do sangue (cereais, leite, carne, ovos, alguns vegetais); enriquecedores do humor seroso (carne de porco); aumentam a quantidade de bile e seu fluído (frango, peixes); aumentam a quantidade do humor de bile negra (carne fresca, lentilhas).

6. SOBRE AS MANEIRAS DE BEBER ÁGUA
A água é o único dos elementos que tem a propriedade de compor tanto a comida quanto a bebida. Não é criadora de tecidos, mas ajuda a nutrição dentro e fora dos tecidos. A melhor água é a manancial, que não está contaminada. Porém, nem toda água corrente é boa; deve estar exposta ao sol e vento. A água que corre sobre terra é mais saudável que a que corre sobre rochas, pois a terra funciona como um filtro. Mas a terra deve estar a céu aberto. Se a correnteza for para o leste, no verão, será considerada de melhor qualidade. A segunda melhor corre para o norte. Se a água vem de regiões altas e com outras boas qualidades, então é saudável. Como Hipócrates dizia sobre água manancial: “as qualidades da água variam de acordo com sua vinda do norte, sul, leste ou oeste”.
A forma mais rápida de medir sua qualidade é pelo seu peso. A água mais leve é mais saudável. Como medir? Molhar duas peças de roupa de linho, secar e pesá-las. Uma água “ruim” pode ser purificada, por exemplo, fervê-la; então é menos provável que cause inflamação, passando mais rápido pelo corpo.
Águas recomendáveis: A melhor das águas é a água da chuva, principalmente se cai no verão. Ela é fresca, limpa e leve, pois é formada pelas partículas mais leves que se desprenderam dos rios e mares até o céu. A água de tempestade não é boa, pois os ventos agitam as nuvens. A água da chuva, contudo, sofre, em pouco tempo apodrecimento, devido à sua rarificação que permite uma rápida contaminação pela terra e pelo ar. O que contaminaria também os humores do corpo. Fervendo-se essa água, o risco de podridão diminui.
As águas de poços e aquedutos não são boas, já que estão encarceradas e foram expostas à terra por muito tempo. A água da neve e a derretida do gelo têm bastante textura. Quando estão puras e não misturadas à substâncias nocivas, são saudáveis.
Águas não recomendáveis: A água pantanosa é de pior qualidade, porque permanece apodrecendo e em decomposição. A água estancada não é saudável, é pesada; causa enfermidades devido à mistura com a terra e a dispersão de suas partículas sutis:
(a) Enfermidades do baço. Produzem um amontoamento das vísceras e estiramento do peritônio; o abdome está duro e denso; enfraquecimento de braços e pernas – a nutrição cai apesar do excessivo apetite e sede.
(b) Hidropsia: da retenção da água.
(c) Depósitos inflamatórios no pulmão e no baço.
(d) Achaques de disenteria, que deixam as mãos e os pés secos, o fígado é debilitado e a nutrição deteriora-se.
(e) Febres ardentes (no verão).
(f) Nas mulheres a concepção e o parto são dificultados.
Água encanada: mais saudável que a estancada. Não aplicar em casos de febre. Favorece tratamentos de retenção.
Água com metais terrosos: podem ser prejudiciais; dão força aos órgãos internos, previnem problemas de estômago, estimulam o apetite e resolvem problemas de baço.
Água salgada: a princípio é laxante, mas depois causa obstrução intestinal. Descompõe o sangue e aparecem pruridos e sarnas.
A água leitosa dá cálculos e obstruções. Assim deve-se fazer uso de diuréticos depois de tomá-la, assim como após água pesadas.
Água gasosa: útil para certas indisposições.
A água que só é moderadamente fria é mais saudável que todas as demais, porque estimula o apetite e fortalece o estômago.
A água morna produz náuseas. A água quente é benéfica quando: dor de cabeça “fria”, inflamação dos olhos, epilepsias, asma, soluções de continuidade no tórax, úlceras de diafragma, dores reumáticas, diurese, evoca a menstruação, debilita o estômago se tomada com freqüência, também dispersa cólica e flatulências se muito quente.

7. SOBRE OS AGENTES EXTERNOS
As influências no corpo humano de agentes externos, atuam destas maneiras: por penetração no corpo; a qualidade primária do agente é capaz de modificar o organismo; influências externas e internas.
Um agente pode ser maléfico externamente, mas não internamente: cebolas aplicadas como emplastre causam ulceração, como alimento são inofensivas.
Um agente de tipo contrário: chumbo branco é um veneno quando tragado, mas é inofensivo quando aplicado como pomada.