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Do fundo da História – A deusa das serpentes

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Nenhuma mulher nunca se vestiu de forma tão formosa como eu, em meu palácio de Cnossos; faz quase 4000 anos, e nunca saiu de moda a minha vestimenta… Minha saia revoava graciosa ao caminhar. É um dos elementos que da minha terra grega passou para a sua terra espanhola, juntamente com a festa dos touros. Cingido o meu talhe, os seios ao ar, que não há por que ocultar, mas sim mostrar com orgulho como fonte de vida que são.

E, nas minhas mãos, as serpentes.

As Serpentes do Sigilo, da Sabedoria. Essas serpentes que tudo conhecem porque em todos os lugares podem entrar, em total silêncio, para observar com seus olhos de âmbar. E julgar. Elas sabem o que fazemos, por que o fazemos.

As serpentes do Destino, porque seus rastros no pó nos levam aos lugares recônditos onde os deuses nos falam.

As que guardam os santuários, os altares, as oferendas.

Elas estão nas minhas mãos. Porque as mulheres, as sacerdotisas, compreendemo-las. Também somos Sigilo, para velar o sonho de nossos guerreiros, para ser seu descanso na paz. Também somos Sabedoria, para educar os nossos filhos, para transmitir os costumes, os ritos do nosso povo, tudo o que é nossa identidade. Somos o Destino, porque em nossos ventres se aloja a vida que continuará nossa raça. Somos as pitonisas, as que levantam o véu do futuro para aconselhar os nossos governantes quando eles nos solicitam.

Por isso porto em minhas mãos serpentes. Elas me entendem e me obedecem, elas são minhas irmãs. A Mulher e a Serpente, eterno mito de todas as religiões. Inimigas ou companheiras, mas sempre relacionadas. Aos pés ou nas mãos, mas sempre o contato pele a pele. A Píton da Grécia, o Oureus do Egito, minhas pequenas víboras. Crava nos meus olhos fixos e expectantes as pupilas de âmbar e mostra-me o sigiloso caminho ao secreto, à Sabedoria.

Não temas nunca às serpentes. São um relâmpago feito de matéria. São pequenos rios de vida no leito da terra.

Mª Ángeles Fernández