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Educação Natural – Aprender a viver

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Esse é um tema muito amplo e que envolve vários aspectos, cuja diversidade não se pretende esgotar neste artigo.

Diante dos insucessos de um sistema educacional meramente informativo e materialista, bem como dos problemas e fragilidades decorrentes da forma de vida atual, hoje as pessoas buscam meios alternativos para restabelecer a ordem bio-psíquica-espiritual em si mesmas e em seus filhos.

Faz-se necessária uma Educação Natural, que coloque o ser humano novamente em contato consigo mesmo e com a natureza, e que lhe permita viver com mais fluidez.

Há uma ordem no universo, uma harmonia inteligente onde todas as coisas se complementam e se beneficiam mutuamente. O ser humano faz parte disso e precisa reconhecer-se como tal. Perceber o que está ao seu redor e compreender as leis gerais que regem essa grande harmonia universal, para ele poder atuar de forma livre, como alguém que conhece a direção dos ventos e das correntezas e navega com segurança para chegar ao seu destino.

Depressão, violência, desordem, fraqueza, corrupção, problemas ambientais, enfim, todos os problemas que vivemos hoje em dia são frutos das escolhas erradas que temos feito e da forma de vida artificial que temos adotado. Ao invés de nadarmos no fluxo natural do rio, temos escolhido o caminho das pedras.

Vejamos alguns exemplos:

Infância

As crianças têm uma curiosidade natural e uma imaginação fértil que são fontes ricas de criatividade. Manifestam interesse por todas as coisas, gostam de se sentirem úteis e sentem-se honradas ao receberem responsabilidades. Percebem o mundo através dos sentimentos e têm um encantamento natural que torna a vida cheia de graça. São sinceras e espontâneas.

A falta de tempo e paciência impede os pais de participarem desse mundo infantil. Para compensar, costuma-se presentear às crianças com brinquedos modernos, os quais se podem, quando muito, apertar alguns botões e ficar observando. E ainda ficamos indignados quando as crianças resolvem experimentá-los para descobrir o que têm a mais e acabam estragando-o. Além disso, exercitar a curiosidade envolve riscos e exige mais presença e atenção; opções mais fáceis são a televisão e o computador, que mantêm as crianças entretidas e “a salvo”, dentro de casa.

Crianças precisam de movimentos. Por isso ficam agitadas quando estão muito tempo paradas. Pular, correr, cair, subir, descer, rolar… Os movimentos estabelecem conexões cerebrais fundamentais. Sobretudo se as canalizarmos através de atividades lúdicas, promovendo seu desenvolvimento em vários aspectos. Jogos e brincadeiras que contemplem regras e pequenos desafios, com metas que vão se tornando mais elaboradas, à medida que vão sendo cumpridas. A isso devemos agregar a música, com ritmos danças e expressões corporais. Além de muita alegria, as crianças tendem a manifestar um grande respeito por aquele que as conduzem por esse canal, que para elas é tão natural. Através dessas atividades se desenvolvem a atenção, a memória, a sociabilização, a auto-confiança, a coordenação motora, a ordem, a inteligência, etc..

Por pena ou super proteção, costumamos poupar as crianças e fazer tudo por elas. Impedimos que tenham experiências, que aprendam com seus erros e acertos. Deixamos de dar-lhes pequenas tarefas e nem tampouco permitimos que nos ajudem quando estamos fazendo algo. Sem estímulo, elas vão perdendo o interesse e o encantamento pelas coisas. O mundo dos adultos passa a ser algo sem graça e distante, e a medida dessa distância será a dimensão do vazio que irá demarcar a próxima fase.

Juventude

Uma infância bem vivida conduz a uma juventude forte e saudável. O Amor que nutre a alma humana e que está naturalmente presente desde a concepção da vida, torna a criança segura para enfrentar as dificuldades desse período de transição.

Os encantos dos contos, a grandeza dos sonhos, os mistérios da natureza e a beleza de suas formas, levam a criança a crescer em busca de aventuras. E assim nasce o jovem disposto a enfrentar a si mesmo para viver grandes emoções. Sedento de experiências, de conhecimentos e superações. Sua essência o impulsiona ao contato com a natureza, a querer escalar montanhas, mergulhar, saltar, acampar, navegar, voar, cavalgar, lutar e vencer. E, quando perder, terá uma grande oportunidade de aprendizado.

No entanto, se as coisas não são como têm que ser, se a vida não segue seu curso, surgem tristes aberrações: velhos de dez, doze, quinze, vinte anos de idade, que na verdade são crianças e jovens que deixaram de sonhar, que são incapazes de acreditar, imaginar ou realizar coisas de valor. Simplesmente paralisam diante dos obstáculos da vida, os quais se transformam em muralhas instransponíveis diante de suas fraquezas. Seus corpos, também envelhecidos, perderam a pureza, o frescor, flexibilidade e a saúde. Sentados diante de seus computadores, aprisionam-se a realidades virtuais, comunicam banalidades mal escritas, recebem passivamente todo tipo de informação desqualificada – publicações feitas sem responsabilidade alguma – e permanecem inertes, vulneráveis.

Sua necessidade de viver grandes emoções é substituída pelo entorpecimento. Evadem-se em viagens psíquicas provocadas por alucinógenos. O percurso, que vai da euforia à depressão, desemboca sempre numa vida sem graça e sem sentido da qual só lhes resta continuar fugindo.

Não, este não é o jovem e esta não pode ser a descrição da juventude. Pois não foi assim que a concebeu a grande inteligência que rege a vida. Na natureza, a água parada se densifica, apodrece, escurece, intoxica. A imagem de uma criança que chega ao esplendor de sua juventude se assemelha ao movimento de um rio. Em sua nascente, a água pura jorra como expressão de alegria. Esse pequeno córrego segue o seu curso potencializando-se cada vez mais, vencendo as pedras com energia e dando vida a tudo em sua volta. O rio serpenteia por montanhas, vales, florestas e percorre lugares diversos, mas sempre com a certeza do destino de suas águas: a plenitude do mar, senhor de si mesmo. O jovem torna-se adulto e, sem deixar de ser jovem, torna-se grande.

Destino

Uma educação natural é fruto do conhecimento da essência do ser humano. Temos a faculdade de compreender a natureza e viver livremente de acordo às suas leis. E não há liberdade maior do que viver de acordo ao que necessariamente sucede; ao que é natural. Estamos presos aos nossos problemas porque estamos vivendo de forma artificial e buscando soluções artificiais.

Se o homem é dotado de razão, não o seria para viver como os animais, guiado por seus instintos e apenas para satisfazê-los. Há algo muito maior que devemos conquistar. Seguindo o exemplo dos grandes homens e mulheres da história, podemos chegar a desenvolver todo nosso potencial humano. Por isso somos humanos e nascemos com esse potencial. Temos que fazer prevalecer a inteligência sobre os instintos e então dominá-los. Esse é nosso objetivo e nossa vitória.

Para que se realizem na vida, homens e mulheres, jovens e crianças, precisam da experiência de ter feito algo de valor. Não nos basta possuir bons meios de vida, por isso são meios e não fins. “Todo homem tem direito a um pouco de honra e um pouco de história” (1). A verdadeira felicidade que reside na satisfação de poder dizer eu fiz isso e fiz bem, e isso faz diferença.

É isso que nos cabe dentro dessa grande harmonia universal, onde cada coisa cumpre sua função. Disso depende não só a nossa própria realização, mas o sucesso de toda humanidade em seu destino.

(1) Professor Jorge Angel Livraga Rizzi – Educação informativa X Educação formativa.