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Em Busca da Arte – Henrique IV da França brincando com seus filhos

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Ingres – Petit Palais, Paris
Encontramo-nos diante de um quadro, um óleo sobre tela de 39x49cm, belo como todos os de Ingres, tanto pelo seu colorido como pela sua composição, e encantador pelo seu inusitado tema: algo tão longínquo para a concepção de seu momento, como a Majestade no chão, cavalgado por dois de seus filhos. Uma bela cena familiar.
Notemos que, como fez Goya em “A Família de Carlos IV”, Ingres situa a realeza, o Trono, nesse momento, personificado pela Rainha. Por isso, ocupa o lugar central da cena e, a cadeira do seu salão é como um trono. Em seu colo, apóia-se a filha menor, ainda pouco interessada nos jogos dos meninos. E sorri ao visitante, como que solicitando compreensão.
O visitante é, nada menos, que o Embaixador da Espanha, num momento em que a Corte de Madri é exemplo de protocolo, seguido por todas as da Europa, pleno de rigidez e normativas. Daí seu gesto de assombro, em que, se olharmos a posição de suas mãos, quase podemos ouvir um “Mas…!”.
Muito belo o grupo de Henrique IV e os três meninos. O que cavalga ergue o chapéu do pai como troféu. O outro, luta para subir também. E a menina, no cúmulo da permissividade paterna, brinca com a espada, que se bem já não tem o mesmo significado, continua sendo a alma do guerreiro.
Encanta-nos o rosto do Rei. Avô mais que pai. Contempla com entusiasmo o herdeiro, com um sorriso que é um poema.
Fechando a cena, a donzela. Pela parte visível de seu rosto, advertimos que não gosta do que vê; que o Rei é o Rei e está mimando as crianças.
O esquema do quadro mantém o clímax dos sentimentos, em linha descendente: o mais alto é o Embaixador, que não entra na cena familiar. Mais baixa, a mãe, que centra a prudência e está consentindo a brincadeira; e mais abaixo o pai, que de momento perdeu a realeza. A linha volta a subir à donzela, no mesmo conceito de pensamento que o Embaixador. O descenso linear se equilibra com o móvel e o friso detrás, e esta horizontal, por sua vez, com as colunas verticais do baldaquim, que emoldura as flores de lis. Tondo Doni de Rafael completa a decoração, que cobre um excessivo vão sobre a linha em máximo descenso.
A paleta, magnífica: o amarelo veronês do traje da menina e o arroxeado do traje da Rainha, sobretudo, em uma atmosfera de tons vermelhos.
E não podia faltar a representação iconográfica do doméstico: o cão.