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EM BUSCA DA ARTE – SÃO JORGE E O DRAGÃO

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SÃO JORGE E O DRAGÃO de Paolo Ucello
National Gallery, Londres
O quadro foi pintado provavelmente em 1460, em óleo sobre tela. Ucello descreve o episódio lendário com sua característica sensibilidade. No primeiro plano, e dirigindo-se ao ponto de fuga definido pelas montanhas, coloca um jardim estruturado em contornos geométricos, enquanto os contornos lineares da caverna contrastam com estas linhas retas. Todos os vetores confluem na cabeça do dragão, personagem que centra a atenção dos outros dois e portanto do espectador.
A cena pode ser dividida no seu centro pelo tipo de linhas dominantes: à esquerda o mal, traçado com linhas retas e quebradas: a caverna, as asas do dragão; à direita o bem, com as linhas curvas: as copas das árvores, o pescoço do cavalo, a nuvem cinzenta.
À esquerda da composição vemos a princesa, cuja verticalidade estática se opõe ao movimento das rochas da caverna, assim como a cor de sua vestimenta se destaca sobre a escuridão da entrada. Junto dela está o dragão, que no Renascimento já tinha perdido sua capacidade aterrorizante dos tempos medievais, é agora quase um animal de estimação, como denota a correntinha que leva no pescoço, que com seu gesto de dor e de vencido, quase nos provoca piedade.
No outro lado, um São Jorge totalmente abstraído em sua tarefa; muito jovem montado em seu cavalo branco, símbolo de pureza, enquadrado entre as linhas curvas do pescoço e da cauda do animal.
Os dois são figuras etéreas, desprovidas de expressão, pálidos, simbólicos como todo o quadro.
Detrás do cavaleiro, uma massa de árvores de copas arredondadas enquadra com sua escuridão a claridade da armadura e o cavalo.
Em cima, uma nuvem espiralada nos indica a natureza sobrenatural da cena, que se opõe, na zona do bem, à angulosa caverna, na zona do mal. E acima dela, uma pequena lua em quarto minguante nos diz que esse mal está terminando.
A aquarela é fria, porque assim o pede o caráter quase onírico da cena.
A atribuição do quadro a Ucello não foi unânime até sua aceitação pela National Gallery e seu completo estudo e restauração em 1959. Não se tinha notícia de sua existência até 1898, quando é citada pela primeira vez como pertencente à coleção Lanckoronski de Viena.
A restauração colocou em evidência certas correções do pintor, como modificações no jardim, uma grande ampliação da boca da caverna, maior altura nas árvores e a corrente do dragão, que num primeiro momento era sustentada pela mão esquerda da princesa.