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Ética Genética

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As ciência avança que é uma barbaridade, já diziam nossos tataravós…

Muitos dos conhecimentos que aparecem nos livros de um texto escolar surpreenderiam qualquer terráqueo de gerações anteriores: a constituição do átomo, as placas tectônicas, o funcionamento do cérebro. E qual seria seu assombro se conhecesse os últimos avanços no campo da genética! O genoma humano já está decifrado, os cientistas avançam a passos gigantes até seu total conhecimento.
Ah, se Mendel levantasse a cabeça! Estou seguro de que aquele velho monge, enquanto classificava conscienciosamente suas ervilhas em alguma estância de seu convento, sonhava acordado com que, num futuro não muito distante, suas investigações ajudariam o homem a vencer doenças ou melhorar as espécies para obter mais alimentos. Mas não. Uma das prioridades de nossos geniais cientistas e das empresas, que afinal de contas, são as que financiam esses projetos, é a busca do trabalhador geneticamente perfeito, ou seja, que tenha características genéticas que se assemelhem ao perfil desejado pelo empresário.
Dentro de pouco tempo, já não será necessário espremer os poucos neurônios que nos restam para enriquecer os currículos, nem esforçar-se para agradar o chefe de recursos humanos (não nos enganemos, não somos mais que um recurso…), nem fazer uma infinidade de inúteis cursos para obter mais títulos. Não senhor. Bastará uma análise de DNA para que a parte contratante conheça todas nossas características mais importantes: se somos propensos a adoecer e causar baixas no trabalho, nosso caráter, e inclusive se seremos exigentes com nossos direitos como trabalhadores.
É incrível, mas parece que nos genes está toda essa informação. Quem poderia imaginar que vivemos com esses dedos-duros? Os simpáticos corpúsculos que faziam com fôssemos loiros ou morenos, de olhos azuis ou castanhos, ou que as ervilhas que comeram no convento de Mendel (deve ter sido a dieta habitual graças a nosso amigo) foram verdes ou amarelas, resultam ser fofoqueiros.
Pergunto: Existirá o gene do esquivar-se? Algum determinará o entrar no banheiro para fumar um cigarro em horas de trabalho? Chegar tarde será uma questão genética?
Piadas a parte, a questão é bastante séria. Está claro que o caráter de uma pessoa é determinado em parte pela genética, mas não devemos perder de vista que em nós também influem outros fatores, que vão desde nosso entorno, a educação que recebemos ao longo de nossa juventude, nossa família, e, em grande medida, nossa vontade e esforço.
Se entiquetamos uma pessoa segundo seu material genético, a enquadraos em uma situação que praticamente vai ser impossível sair, pois está claro que um empresário não vai arriscar-se, confiando no possível esforço de alguém, mas vai optar pelo mais seguro. Estaremos negando a um ser humano a liberdade de superação pessoal, de ser cada dia melhor.
No século XIX, os psiquiatras estavam cheios de pessoas que, incapazes de expressar-se corretamente, eram tidos como loucos. Hoje, algumas dessas pessoas possuem estudos superiores e levam uma vida normal, sendo um exemplo de como o ser humano pode superar as dificuldades que a genética ou as circunstâncias colocam em seu caminho.
A vontade é uma parte muito importante em nós e temos o direito de exercê-la, não só para ecolher se o leite que bebemos no café da manhã terá omega 3,4 ou 5 ou qual o tipo do iogurte, mas para superar nossas limitações.
Alguém contrataria uma pessoa para compor música se em seus genes consta que pode sofrer um defeito auditivo com o tempo? É óbio que não. Porém, temos Beethoven, que apesar de sua surdez nos deixou maravilhosas sinfonias. Negaríamos a possibilidade de falar em público a uma pessoas com um defeito para expressar-se? Como exemplo, temos Demóstenes, o melhor orador da Grecia Clássica.
Emfim, esperemos que, enquanto continuam as investigações, algum dia desses, os que propugnam esses estudos discriminatórios encontrem o gene do senso comum, e que isso os permita meditar sobre o lícito que é jogar com a vida e a intimidade das pessoas.
Quando aprenderemos a não julgar as pessoas por sua origem, raça ou características externas? Na história já não existem exemplos suficientes mostrando para onde isso nos leva?
Como disse o genial Albert Einstein, se a moral avançasse junto com a ciência, teríamos um mundo melhor.