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Howard Carter, por detrás dos rastros de Tut-Anj-Amón

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Em 4 de novembro de 1922, a descoberta da tumba de Tut-Anj-Amón impressionou o mundo, e a fascinação que causou continua viva. O homem que levou isso a cabo foi Howard Carter, arqueólogo tão teimoso quanto entusiasta. Ele buscou Tut-Anj-Amón por todos os cantos do Vale dos Reis, com a certeza de que lá se encontrava sua tumba, contra a opinião majoritária dos seus colegas de que o vale estava esgotado.

Howard Carter nasceu em 9 de maio de 1873 na cidade inglesa de Kensington. Era o caçula de 11 irmãos, e seu pai, que era um pintor reconhecido na Inglaterra, relacionou seu filho com uma família de aristocratas, amantes da cultura do antigo Egito, os quais lhe transmitiram o interesse por esse país. Assim nasceu sua paixão pela egiptologia.

Com essa influência, além da sua facilidade para o desenho, e após passar por um curto período de formação de três meses no Museu Britânico, começou sua aventura no Egito.

Em 1892, ajudou o egiptólogo britânico Flinders Petrie na escavação do Tell el-Amarna, onde se destacou por seu bom trabalho. Depois foi designado como inspetor chefe do Departamento de Antigüidades do governo egípcio. Sua missão era proteger os monumentos da destruição e dos ladrões, assim como facilitar o acesso dos visitantes aos monumentos.

Numa ocasião, diante de problemas entre um grupo de arqueólogos franceses e seus trabalhadores, apoiou estes últimos. Carter sempre fazia o que acreditava ser justo, sem ter em conta o que se esperava dele. Após o incidente, renunciou ao cargo e se dedicou à pintura e a ser guia de turistas pelo território egípcio.

Três anos mais tarde, conheceu o quinto conde de Carnarvon, nobre inglês que se havia iniciado na arqueologia como mero aficionado. Em 1903, Lord Carnarvon contratou Carter como o homem mais adequado para levar a cabo uma escavação financiada por ele.

Embora seu sonho fosse o Vale dos Reis, tiveram que esperar até 1917 para escavar lá, pois a concessão era do americano Theodor Davis. Esperavam encontrar alguma tumba intacta, já que nunca se havia descoberto alguma, e Carter sabia que faltava encontrar a tumba de Tut-Anj-Amón.

Mas, após vários anos infrutíferos, nos quais Carnarvon esteve a ponto de desistir, em 4 de novembro de 1922, seus esforços deram o resultado desejado: a entrada da tumba foi descoberta. Dezesseis degraus que conduziam às profundidades. Após descer os degraus, Carter se encontrou numa antecâmara. Atrás dele estava Lord Carnarvon. Ao atravessar a porta, tiveram que desocupar todo um corredor de escombros, chegando até outra porta. Carter a esburacou e com sua lanterna olhou para dentro. Por vários minutos permaneceu imóvel vendo os maravilhosos tesouros que voltavam a brilhar depois de quase 3.500 anos.

— Bem… vês alguma coisa? — perguntou Lord Carnavon, no cúmulo do nervosismo. Carter mexeu a cabeça afirmativamente.

— Sim, vejo coisas maravilhosas… — sussurrou, emocionado.

Tratava-se de uma antecâmara repleta de objetos pessoais e rituais: vasos de pedra, carros de guerra, imagens de deuses…, detrás se ocultava a câmara funerária, onde se encontrava a múmia do rei, dentro de três espetaculares sarcófagos, o último de ouro maciço com um peso de aproximadamente 100 quilos. O trabalho foi enorme e difícil de realizar devido sobretudo ao espaço pequeno, mas a recompensa foi muito grande: o corpo intacto do faraó, coberto de jóias e seu rosto oculto por uma bela máscara de ouro.

Milhares de turistas curiosos chegaram ao Vale dos Reis de todo o mundo querendo entrar na tumba. Isso fazia que Carter tivesse que manter contínua vigilância, noite e dia. Também o governo egípcio o pressionava para obter o controle da operação, a ponto de lhe retirarem a permissão para escavar.

Mas o maior incidente para Carter enquanto realizava a escavação foi a morte de seu amigo e mecenas Lord Carnarvon, que sucumbiu por uma infecção após a picada de um mosquito… Acabava de nascer a lenda da “maldição” de Tut-Anj-Amón.

No entanto, para a egiptologia, a tumba de Tut-Anj-Amón sempre foi considerada uma autêntica benção, já que é o único enterro real do Vale dos Reis que se manteve a salvo dos saqueadores.

Talvez a grande maldição da tumba de Tut-Anj-Amón foi que não tenha resolvido vários dos enigmas que ainda giram em torno desse rei-criança: como ascendeu ao trono, quem era seu pai, como terminou sua vida… Como disse Howard Carter, “o mistério da sua vida continua escapulindo, as sombras se movem, mas a escuridão nunca se dispersa”.

Carter continuou por mais cerca de sete anos no projeto, descobrindo e catalogando numerosos objetos. Após o fim da escavação, regressou a Londres, onde se dedicou a trabalhar com antigüidades e dar conferências. O governo britânico nunca valorizou nem recompensou seu trabalho.

Howard Carter, longe de ser um egoísta caçador de recompensas, foi um magnífico egiptólogo a quem no final todos abandonaram. Faleceu em 2 de março de 1839 na companhia apenas de sua sobrinha. Mas, certamente, foi ao Egito celeste tendo cumprido seu sonho, e isso é algo por que vale a pena viver.

Julián Palomares