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INDIRA GANDHI: “BELA DE OLHAR”

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Indira nasceu em 19 de novembro de 1917, em Allahabad, a cidade sagrada do Ganges, perto de Benarés. Seus pais a batizaram com o nome de Indira Priyadarshini, que significa “Bela de Olhar”. Nome que iria fazer honra; de porte nobre, esbelta, seus olhos negros e profundos correspondiam com o olhar de quem era capaz de captar o mais além dos gestos.
Desde pequena aprendeu o valor da palavra compromisso, pois sua família tinha assumido, desde os tempos de seu avô paterno, um compromisso político a favor da independência da Índia.
Viveu sua infância no palácio da família em sua cidade natal, onde passou longos períodos sozinha, quando seus pais foram presos pelos britânicos. Suas primeiras manifestações de protesto eram organizadas com suas bonecas e os serviçais da casa, aos quais pronunciava calorosos discursos.
Era uma excelente aluna, mas sua educação foi interrompida várias vezes pela prisão de seus pais; e quando teve idade para ir à prisão, ela mesma sofreu o cárcere. Foi uma leitora precoce e indiscutivelmente sua heroína foi Joana d’Arc.
Aos doze anos entra para o movimento de independência da Índia. Funda a organização infantil Vana Sena, que chegou a ter seis mil membros e sob sua direção atuavam como mensageiros do Congresso Nacional da Índia. Em 1938 entra plenamente nas atividades do Congresso e em fevereiro de 1942 casa-se com Feroz Ghandi, advogado muito atuante na luta pela independência.
Após a morte do amigo íntimo da família, Mahatma Ghandi, pelas mãos de um fanático hindu, fez algo mais que chorar: promoveu e organizou reuniões entre dirigentes das religiões hindu e muçulmana, com as quais buscou assentar as bases de uma convivência e conciliação nacional.
Durante a grave doença de seu pai em 1964, Indira atuou implicitamente como chefe do governo, sendo popularmente conhecida como “Filha da Nação”.
Neste mesmo ano foi nomeada membro da mesa executiva da UNESCO e da UNICEF. Aceitou o Ministério da Informação, que na Índia, com tão elevada percentagem de analfabetos, era uma alavanca importante para a educação popular. A serviço da mesma utilizou com seriedade o rádio e a televisão, cujos canais se abriram sob sua direção.
Assumiu, com a liderança do governo, a pasta de Energia Atômica, impulsionou a conquista da bomba nuclear indiana para frear as ameaças de seus vizinhos do norte da China e Paquistão, mas tentou por todos os meios manter a paz nas fronteiras, porque considerava o principal problema a alimentação do povo.
Com seu intenso trabalho de mais de quinze horas diárias estilizou ainda mais sua figura e seu aspecto ganhou maior fragilidade. Seu cabelo azeviche se tornou grisalho, e cada vez mais impressionava aos observadores seu ar melancólico, solitário, assim como sua dedicação absoluta à causa de seu povo.
Após ser derrotada em 1977 abandona a política, seu filho Sanjay, já bem preparado por Indira, e sua nora Makena, a ajudaram definitivamente a vencer as eleições de 1980, onde o povo volta a nomeá-la Chefe do Governo.
É quando sofre a dolorosa perda de Sanjay, um jovem político de gênio ainda mais severo que sua mãe. Quando se recupera da dor ocupa-se em convencer seu filho mais velho Rajiv para que assuma as funções que eram de seu irmão.
Rajiv era completamente diferente, mas finalmente cede e conquista habilmente a cadeira que seu falecido irmão havia ocupado no Parlamento, sendo eleito novo Chefe de Governo após a morte de sua mãe.
Foram anos de reformas, avanços industriais, agrícolas… mas também anos em que o germe latente do ódio religioso floresceu. Surgem agitações cada vez mais perigosas da seita Sikh. Alguns deles se rebelam isolando-se no Templo de Ouro de Amristar, em junho de 1984.
Indira tinha em sua guarda pessoal, vários homens desta seita e quando o governo deu ordem de retirar os rebeldes do Templo de Ouro todo o povo da seita considerou-se em estado de guerra contra a primeira ministra, que foi assassinada em sua residência em outubro de 1984 por dois membros de sua guarda pessoal.
Termina assim a vida de Indira Ghandi ou Indira Praiyardarsini, que não foi somente “Bela de Olhar”.