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INVESTIGAÇÃO CIENTÍFICA – ICESat e a mudança do clima terrestre

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Novamente dedicaremos esta seção de Investigação Científica às investigações da NASA, a Agência Aerospacial, que desde sua criação em 1958 é um dos motores dos avanços científicos. Falaremos de um satélite capaz de fazer uma exploração da Terra em três dimensões. O satélite recebe o nome de ICESat, siglas que provêm dos termos em Inglês Ice, Cloud and and Elevation Satellite, ou seja, um satélite para o estudo do gelo (ice), das nuvens (cloud) e da elevação do solo (land elevation).

O satélite foi lançado em 2003 e obteve imagens espetaculares em três dimensões das placas de gelo, nuvens, montanhas e bosques da Terra. Essa informação ajudará os cientistas a entender melhor como a mudança do clima afeta a vida terrestre. A missão da Agência de Estudos da Terra, dentro da NASA, é a “compreensão da terra como um sistema integrado” (como um ser vivo, como se disse no Renascimento) e seu estudo está direcionado para melhorar a previsão do clima e dos desastres da natureza, utilizando o privilegiado ponto de vista espacial.

O ICESat cruza a Terra a uma velocidade de aproximadamente 30.000 km/h e contém um laser que envia curtos pulsos de luz verde e infravermelha quarenta vezes por segundo em direção à superfície, tem também um telescópio de um metro de diâmetro que recolhe a luz refletida. Levando em conta a velocidade da luz e o tempo que demora para produzir-se o eco, é possível determinar a distância que existe entre o satélite e a superfície. Desta forma, podemos ter mapas de altimetria que nos oferecem uma perspectiva em três dimensões do observado. Sua órbita foi desenhada para maximizar a cobertura das grandes placas de gelo polares. Assim, tem sido possível realizar, especialmente da Antártida, um modelo em três dimensões com mais detalhes do que nunca e dessa forma saber se as placas de gelo aumentam ou diminuem com o passar dos anos, devido à mudança climática provocada por causas naturais ou pelo homem.

O altímetro é conhecido como GLAS (Geoscience Laser Altimeter System) e tem como missão medir as elevações da superfície das grandes placas de gelo que cobrem a Antártida e a Groenlândia para determinar como estão mudando devido ao clima. Envia dados suficientes para que os peritos comecem a elaborar o que chamam de “Modelos Digitais de Elevação”, imagens tridimensionais em alta resolução das placas de gelo da Antártida e da Groenlândia, assim como de outras regiões do globo.

A coleta desses dados, a partir do espaço, permitirá aos cientistas uma visão sem precedentes de como as camadas de gelo crescem e diminuem. Essa informação é crítica para conhecer como a cobertura de gelo da terra afeta o nível do mar.

Até agora, os cientistas dispunham de ferramentas para observar a Terra em duas dimensões. Com o ICESat, têm a capacidade de atingir uma terceira dimensão que permite contemplar a terra, a água e a atmosfera, de forma inovadora e muito interessante. Segundo o cientista da Nasa, Waleed Abdalati, os primeiros meses de dados do ICESat foram espetaculares. Agora é possível ver detalhes no gelo e na terra que até então não podíamos ver.

O ICESat fornece aos cientistas medidas muito precisas da altitude das nuvens e observações das partículas atmosféricas chamadas aerosóis. Segundo James Spinhirne, cientista da NASA, a quantidade de pó e poluição presentes em muitas zonas da Terra é algo insuspeitado. Graças a estes mapas e a outros dados, constatou-se a existência de grandes “rios” de pó que procedem do deserto do Saara, tormentas de areia enormes e colunas de fumaça de grandes dimensões ocasionadas pela queima da vegetação. A fumaça, o pó e as nuvens estão conectados diretamente com os ventos e, através deles, ao transporte global de partículas, que pode afetar o desenvolvimento do clima em qualquer lugar do mundo.