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INVESTIGAÇÃO CIENTÍFICA – LENTES PARA A MEMÓRIA

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Platão narra no Fedro que o deus Thot, inventor da escrita, dos números e das ciencias, apresentou ao rei Tamus do Egito sua obra, dizendo: Este invento fará os egípcios mais sábios e servirá para sua memória; é um remédio para dificuldade de aprender e reter informações. Mas o rei respondeu: esta invenção produzirá somente esquecimento, desprezando a memória. Além do mais, quando perceberem que podem aprender muitas coisas sem mestres, dir-se-ão sábios.
Aplicando as idéias de Platão à nossa época, não sabemos se os avanços técnicos nos fazem cada vez mais hábeis e mais sábios, ou o contrário: fazem-nos mais dependentes de fatores externos (das máquinas), ou pior ainda, fazem-nos mais ignorantes. Às vezes, é preciso recordar nossos leitores da importância da formação em Humanas, se, de verdade queremos utilizar corretamente as investigações científicas.
Neste artigo, falaremos de uns óculos “especiais” inventados por Richard DeVaul, do Media Lab – Instituto Tecnológico de Massachusetts (MIT). O que têm de especial? Uma telinha incorporada numa das lentes, conectada a um PDA (computador de bolso), que é programado para enviar mensagens ou imagens à tela durante um intervalo de 1/180 de um segundo, o que faz com que a pessoa nem sequer perceba que tenham sido enviados. Desta forma, pretende-se que os estímulos “exercitem” a memória de forma subliminal.
A técnica das mensagens subliminares gerou grande controvérsia na década de 1970, por sua relação com a publicidade intrusiva, mas segundo DeVaul, as mensagens subliminares não têm a força suficiente para levar uma pessoa a realizar uma ação. O sistema só fornece uma grande quantidade de informação e pistas, que ajudam a recordar os compromissos, a lista de compras no supermercado, as reuniões, etc.
Poderíamos perguntar: se utilizando o antigo invento de Thot podemos ter uma ajuda escrita num invento recente, como um “post-it” ou uma agenda, então para que necessitamos dessas lentes? A resposta de DeVaul nos chamou a atenção: há muitas pesquisas que demonstram que se damos à memória algum tipo de suporte – como uma lista -, a pessoa tende a concentrar-se na lista e deixa de concentrar-se no que está tentando lembrar. Mas as recordações subliminares não distraem a pessoa, do que está tentando lembrar, porque não precisa concentrar-se neles. A pergunta que gostaríamos fazer é: esse dispositivo estimula nossa capacidade de memória? É somente uma técnica sofisticada das que preocupavam Giordano Bruno? Ou é algo que nos fará mais dependentes de outro fator exterior?
A comunidade científica está dividida quanto ao seu funcionamento. Para o Dr. John Gabriele, professor do Departamento de Psicologia de Universidade de Stanford, essas mensagens podem ser efetivas se estimularem uma zona correta do cérebro. Mas o Dr. James McGaugh, diretor do Centro de Neurobiologia da Aprendizagem e Memória e o Dr. Larry Squire, professor de psiquiatria e ciências neurológicas da Universidade da Califórnia, são mais céticos e não crêem que seja algo prático.
Até o momento, as provas realizadas têm trazido bons resultados. As pessoas que realizaram as provas aumentaram sua capacidade de retenção. Contudo, não perceberam ter recebido ajuda. Segundo DeVaul, é importante que se receba a informação inconscientemente: do contrário, poderia provocar riscos graves para vida diária, por exemplo, se chegassem num momento inoportuno (ao atravessar uma rua ou ao dirigir um carro). Mas além disso, pode ter aplicações médicas muito interessantes.
Por exemplo, poderia ajudar a melhorar o aprendizado e a lembrança em pessoas com idade avançada. Também poderia ser útil em casos de amnésia, por dano físico do cérebro ou por trauma emocional. Também em casos de agnosia (perda de conhecimento), de prosoagnosia (incapacidade de reconhecer rostos) ou de anomia (incapacidade de lembrar nomes ou palavras, que “temos na ponta da língua”). Inclusive na fase inicial do Alzheimer também poderia ser útil como sistema de lembranças proativas.
Quanto à sua possível comercialização, a bateria é o principal problema, porque as telas utilizam muita energia para as luzes e ainda não há como conectá-las sem fio, mas mesmo assim essas lentes poderiam ser comercializadas.

Para saber mais: http://www.media.mit.edu/wearables/mithril/memory-glasses.html