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Passado e presente das virgens negras de Madri

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Os estudiosos franceses assinalaram a relação entre a tradição céltico-druídica e as virgens negras. Por um lado encontramos representações de deusas mães celtas muito similares às virgens negras. No entanto, em outras culturas também temos deusas sentadas como o menino nos braços ou em seu colo. Uma referência próxima é a da egípcia Ísis.

Madri esteve povoada desde tempos muitos antigos. Foram encontrados restos de assentamentos humanos pré-históricos. Temos evidências de povoações com características celtas, além da presença romana, como se pode ver no museu municipal de San Isidro. Na zona de Rivas, onde se diz que antigamente viveu Gracián, foi encontrado um povoado visigodo e ainda temos as pegadas dos árabes, que estão à vista de todos, pois restos dos minaretes que formaram parte de antigas mesquitas estão integrados agora às igrejas católicas, como as de San Pedro el Viejo, na rua do Núncio ou de San Nicolas, na praça do mesmo nome.

Outra mesquita, a principal de Madri, estava na rua da Almudena, sobre a qual se ergueu a igreja que dá nome à rua e que foi derrubada na segunda metade do século XIX para reestruturações urbanísticas. Para não falar da antiga Fortaleza, que se queimou na época de Felipe V, e que ocupava a colina onde agora se erguem o atual Palácio Real e a Catedral de Almudena. Os nomes atuais das ruas desta zona, e em geral da cidade de Madri da época dos Austríacos, nos indicam os lugares onde se situavam as agremiações de ofícios, assim como a população muçulmana (porta dos mouros, bairro dos mouros, etc). O que é indubitável é que tanto a primeira ermida ao lado do Poente de Toledo, como esta segunda ermida, que segundo a lenda foi construída por Gracián para Nossa Senhora de Atocha, estavam fora dos muros e bastante longe da Madri daquela época.

Que imagem se adorava ali nos séculos VII e VIII ? Considerando que a imagem que agora podemos contemplar é, quase com toda a segurança e no mínimo, dois ou três séculos posteriores ? Trata-se da virgem cristã ? Seguramente era um culto popular, e é possível que fosse da antiga tradição. Certos autores afirmam que antes da estátua que conhecemos havia uma pintura de Nossa Senhora, porém este dado parece confundir-se com uma atribuição similar feita à imagem de Nossa Senhora de Almudena.

Por outro lado, o culto mariano experimentou seu apogeu precisamente na época das virgens negras, que são datadas entre os séculos XI e XII. Sabemos que cultos anteriores ao cristianismo foram cristianizados e velhos símbolos com evidentes componentes arquetípicos foram integrados também no mundo cristão. Entre outros símbolos estão as antigas deusas mães. Além do mais precisamos considerar que desde o século IV, quando cai o império romano, até o século VII em que Nossa Senhora de Atocha já era plenamente venerada, há muito pouca margem para admitir que crenças milenares e cultos enraizados tenham desaparecido sem deixar rastro. É muito provável, então, a continuação dos mesmos através dos vaivéns socioculturais e que com o tempo se identificaram com a nova visão religiosa.