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SINESTESIA: VOCÊ VÊ O QUE EU VEJO?

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Um dos sinestésicos mais famosos foi o caso do compositor russo Alexander Scriabin (Moscou, 1872 – 1915) Scriabin estreou em 1910 em Prometeu. Além de seu acorde místico (dó, fá sustenido, si bemol, mi, lá, ré), esta obra sinfônica inclui um jogo de luzes e de cores que correspondem às notas musicais de cada momento, que se projetam na sala enquanto a obra é interpretada.
Com o Clavier à Lumières que é um órgão com luzes, que projeta na sala determinadas cores, acompanhando a interpretação musical, segundo a composição visual do próprio Alexandre Scriabin, com base em suas experiências sinestésicas.
Wassily Kandinsky, pintor abstrato russo, escreveu: “são como os bons violinos, vibram em todas suas partes com o contato do arco”.
Carol Oteen, uma artista de Nova York, expressou: “Para mim é como se o mundo fosse visto em preto e branco”, para quem as letras, os números, os sons e os odores evocassem uma variedade de cores”.
“Vejo em cores”. Patrícia Duffy, diz a instrutora de idiomas das Nações Unidas, quem sente a cor perante as letras e números, ou ao pensar em unidades de tempo como as horas e os dias, coincidem enfaticamente. “A sinestesia é maravilhosa”, comenta. “Perdê-la seria desagradável como perder um dos sentidos”.
A sinestesia é uma faculdade com a qual algumas pessoas nascem. Simon Baron-Cohen, psicólogo da Universidade de Cambridge, estima que uma em cada 2000 pessoas é sinestésica e vive com um sentido empurrando o outro. A sinestesia é a capacidade, alguns a chamam de transtornos psicológicos, de unir percepções visuais e auditivas, de modo que os sons, as palavras, os números ou a música despertem, simultaneamente, a visão de cores e vice-versa.
A sinestesia – do grego syn – junto, e aisthesis – sensação, gera muito interesse científico e popular há muito tempo.
Contudo, apesar de todo o interesse e dos muitos estudos e investigações realizadas, do ponto de vista da ciência, pouco se sabe sobre suas causas. Não há dúvidas de que as sensações que um sinestésico experimenta, são reais. As provas descartam que estas pessoas estejam fantasiando. Alguns psicólogos, como Thomas Palmari da Universidade de Vanderbil, chegou a dizer que a sinestesia é uma percepção alterada.
POR QUE?
Há equipes de investigação em vários países, como Estados Unidos, Escócia, Inglaterra, Canadá, Austrália, França, Alemanha, Israel e Finlândia que estão começando a aplicar os mais recentes avanços na investigação da sinestesia, tais como: imagens cerebrais, registros eletrofisiológicos, análises de ADN, e outros, para tentar esclarecer as causas deste tipo de percepção. E parece que a única questão de consenso é que as causas reais deste “problema”, para alguns, para outros, capacidade, não são conhecidas.
Os mais entusiastas chegaram a dizer que os sinestésicos são o passo seguinte na evolução do ser humano, uma espécie de mutante do futuro com uma percepção a mais, porém profunda e completa do mundo. Mas, em princípio, a noção de que os sinestésicos são semidivinos está descartada, com isto também estão de acordo com as equipes de investigação.
Em um experimento realizado em 1993, Baron-Cohen e seus colegas deram aos sinestésicos e aos não sinestésicos uma lista de letras, palavras e frases para que descrevessem a cor ou a forma que cada uma evocava. Uma semana depois, 37% dos não sinestésicos responderam da mesma forma que a anterior, enquanto que as associações de 92% dos sinestésicos foram iguais. Os sociólogos chamam isto de “invariabilidade Steen”.
O que parece claro é que essas pessoas constituem uma janela interessante do mistério fundamental da consciência e das percepções humanas, e acrescentaria mais, não somente da consciência, mas também uma janela interessante sobre a constituição da própria matéria.
DA METACIÊNCIA
Vejamos o que nos diz a metaciência (ou metafísica). A sinestesia é uma grande oportunidade, não somente para saber mais sobre a consciência e percepções, mas também sobre o mundo físico que é percebido e que nos rodeia, em outras palavras, conhecer o mundo objetivo e subjetivo. Desse ponto de vista, é curioso que a física não tenha dito nada sobre esse tema tão interessante e que tanto lhe interessa.
Peter Grossenbacher, associado dos Institutos Nacionais da Saúde (NIH) dos E.U.A., o mais importante investigador norte-americano da sinestesia, assinala: “Tendemos a supor que a realidade é igual para todos”, acrescentaríamos, e é, o que muda é nossa percepção, uma pessoa com problemas de visão não vê as coisas tão claramente quanto outra com boa vista, apesar da realidade ser a mesma para ambos. Se a realidade fosse distinta para cada pessoa, não seria realidade, pois não pode ser real o que com tanta facilidade muda.
Blavatsky, a partir de sua visão metafísica do mundo nos diz: “Pois bem, o primeiro requisito para todos que estudam as ciências esotéricas com este duplo propósito, é conhecer perfeitamente a correspondência entre cores, sons e números. E o avanço de um estudante de ocultismo depende do completo conhecimento e compreensão do significado e potência desses números, em suas várias combinações multiformes, e em sua mútua correspondência com sons ou palavras, e cores ou modos de movimentos, que a ciência física representa por vibrações”.
Nessa correspondência entre cores, sons e números podemos encontrar algumas das chaves para resolver o mistério da sinestesia, contudo nos conta mais, porque também nos ensina sobre a constituição do mundo físico.
A filosofia Sanquia afirma que o mundo exterior é constituído de cinco elementos sutis, primários e simples, que correspondem aos cinco sentidos.
Estes cinco elementos sutis ou simples se combinam entre si produzindo os cinco elementos compostos, os quais combinados entre si, formam o mundo da matéria.
Devemos advertir, ainda assim, que como o mundo físico é composto por esses cinco elementos simples, e é justamente a proporção desses elementos que faz com que um sentido se sobressaia mais que outro. É aqui que surge a resposta da sinestesia, a matéria/energia ou material/onda é composta desses elementos simples e por essa razão, afeta a si mesmo, se bem que num grau menor, a todos os sentidos restantes.
Os sinestésicos são capazes não somente de sentir a proporção dominante, mas também um pouco dos cinco restantes, nascendo assim uma forma tão especial de sentir e ver o mundo.
Para visualizar isso, podemos imaginar um quadro pintado com cinco cores, no qual predomina o azul, mais quatro cores em uma proporção muito pequena. Ao contemplarmos esse quadro, nossa impressão é que se trata de um quadro completamente azul.
Os sinestésicos podem ver na maior e na menor medida as outras cores do quadro.
Há algo muito interessante sobre este tema, relatado em alguns textos do século XIX. “Toda vibração ou impulso do nosso corpo físico, que produz certa vibração do ar, isto é, que produz a colisão de partículas físicas, e cujo som é capaz de afetar o ouvido, cria ao mesmo tempo, um fulgor luminoso, que assumirá determinada cor”.
Nesse princípio, baseiam-se todas as modernas investigações sobre os fenômenos dos cegos, que são capazes de ver cores e surdos que podem distinguir sons. No choque das partículas, cuja composição é de cinco elementos, é natural que surjam um pouco de som nas ondas/partículas luminosas e um pouco de luz nas ondas/partículas sonoras.
Um sinestésico será capaz também de ver um pouco dos outros elementos que se produzem nos choques ou a vibração da matéria. Ele possui uma visão mais completa, mais detalhada de uma única realidade.