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Sobre o culto à tradição monárquica

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Há uma longa lista de reis que veneraram Nossa Senhora de Atocha, inclusive Reis Católicos. Mas foi com Carlos I que começou uma maior vinculação com a coroa. Frei Juan Hurtado de Mendoza, dominicano que era seu confessor, conseguiu sua aprovação e a do Papa Adriano VI para que a Virgem de Atocha passasse à custódia dos dominicanos. Tradição que ainda perdura. Felipe II a chama Patrona de Madri e de todos os seus reinos. Custeia um novo convento e a igreja que continua sendo financiada por seu filho Felipe III. Carlos II a decora com afrescos de Lucas Jordan. Todos os reis Austríacos tiveram grande devoção a esta Virgem e praticaram o costume de levar a imagem ao leito de morte.

Os Bourbons continuaram com esta tradição, apesar de que ao Rei Carlos III propuseram que visitasse a Virgem de Almudena, pois estava mais próxima. É preciso assinalar que o monarca viveu no Palácio Real.

Testemunha de casamentos e celebrações religiosas de todo tipo, Nossa Senhora de Atocha deixou seu santuário no dia 5 de maio de 1808. O lugar foi ocupado pelas tropas francesas, que o converteram em quartel, destruindo a biblioteca e saqueando o local. A imagem foi levada às Freiras Descalças Reais e mais tarde ao convento de Santo Tomás, na mesma rua de Atocha, até o regresso de Fernando VII, que havia depositado cetro real aos seus pés e dali o recolheu novamente. Em 1834, com a desapropriação de Mendizábal, foi confiscado o Santuário de Nossa Senhora de Atocha e convertido em Hospital de Inválidos. O templo ficou em ruínas e a imagem se transferiu à Igreja do Bom Sucesso até que os dominicanos pediram a Alfonso XIII, em 1924, a restituição dos terrenos para reconstruir o templo e a basílica.

A igreja foi incendiada em 1936, mas felizmente a imagem não estava mais lá. Finalizada a guerra apareceu no Museu Arqueológico, no fundo de um baú, vestida com todos os seus trajes. Então foi levada à Igreja de Santa Bárbara até que a Direção Geral de Regiões Devastadas construiu um novo templo, ampliando o anterior com duas naves laterais, que é o que agora podemos visitar. Esta basílica tem anexo um colégio para 2000 alunos. Os terrenos incorporam o Panteão dos Homens Ilustres, uma idéia da Rainha Maria Cristina, cuja construção começou em 1891 como anexo da Basílica de Atocha. Ali estão enterrados, entre outros, Cánovas, Mendizábal, Sagasta, Argüelles, Canalejas e Eduardo Dato.

O casamento Real de 22 de maio de 2004, que foi celebrado na Igreja de Nossa Senhora de Almudena, incluiu uma visita posterior à Basílica de Atocha para oferecer um ramo de flores, um elo a mais na longa cadeia de reis, nobres e fiéis de todo tipo que rendem homenagem a esta Senhora Escura de Atochar desde tempos que se perdem na lenda. Esta visita real tem além do mais uma leitura simbólica, ao servir como nexo de união entre estas duas Virgens. É uma justa retribuição para Nossa Senhora de Atocha, que devido a diversas vicissitudes políticas e sociais não só foi colocada em segundo plano, mas convertida em uma grande desconhecida.

Em seu caso, parece que se cumpre um dos aspectos das deusas negras ao serem relegadas à obscuridade do esquecimento. Fica aqui registrado também meu pequeno aporte de desagravo a elas.