Bem vindo(a)! Você pode filtrar informações específicas da sede mais próxima de você, através da caixa à direita:

Viver no ritmo 2

Nova Acrópole / Artigos / Viver no ritmo 2
Categoria:

Uma ferramenta que facilita a vida e nos permite mais rendimento.
Sempre consideramos o ritmo como uma qualidade inerente a algo, seja a música, a vida ou uma máquina (biológica ou mecânica). Agora, tentaremos nos aproximar do ritmo com outra perspectiva, não como uma qualidade, mas uma ferramenta, um poder que pode servir para melhorar nossa vida e, ao mesmo tempo, tentar compreender um pouco mais sobre este misterioso elemento da natureza.
A primeira coisa que temos que considerar é que o ritmo permite que a vida se desenvolva em todos seus aspectos. Pensemos por um momento, através de diversos exemplos: a natureza tem um ritmo que, normalmente, emana dos movimentos planetários. Todo tipo de vida que se desenvolve neste planeta depende deles e um exemplo disto é nosso sistema agrícola. Sabe-se quando é tempo de semear e quando é tempo de colher, graças à natureza, que é, nesse sentido, “predizível”, posto que sempre cumpriu seu inexorável ritmo, seja através dos dias e das noites, das estações, das marés e de outros tantos elementos rítmicos.
Outro exemplo, mais próximo, pode ser o nosso próprio coração. Pulsa num ritmo determinado, lento quando não temos muita atividade ou mais rápido quando fazemos algum esforço físico. Mais lento ou mais rápido, mas sempre seguindo um ritmo. Estes batimentos do coração são a base de nossa saúde física e, em cada impulso do coração, a vida percorre todo nosso corpo. Do mesmo modo, nossos pulmões insuflam ar e eliminam toxinas ritmicamente permitindo que nosso organismo funcione como um perfeito relógio.
Nossas cidades também são enormes orquestras, a cada manhã, os distintos ritmos de todos os cidadãos formam uma estranha sinfonia. Os semáforos marcando o ritmo do tráfego, as empresas, escolas e comércios marcando o ritmo das pessoas. O ritmo está constantemente presente em nossa vida.
Por outro lado, podemos pensar nos resultados da falta de ritmo nos exemplos anteriores, para percebermos sua importância para o funcionamento da vida. No primeiro caso, o drama que se produziria se a natureza não mantivesse um ritmo concreto é óbvio. Imaginemos que o período dia/noite ou as estações não estivessem ritmadas, que não soubéssemos quando vai amanhecer ou anoitecer, ou quanto duraria a neve no inverno. O caos produzido e as catástrofes naturais seriam de tal envergadura que a existência, seja vegetal, animal ou humana, desapareceria em um curto período de tempo. No caso do nosso coração, os médicos falam da arritmia como uma irregularidade no ritmo natural do coração. Um dos tipos de arritmia mais conhecido é a fibrilação, que ocorre quando se produzem pulsos rápidos e não coordenados, que são contrações de fibras musculares cardíacas individuais e que, caso não seja corrigido, (com descargas elétricas que interrompam por um instante o coração para que volte a pulsar com ritmo) pode causar a morte.
Por outro lado, tanto em um exemplo como no outro seria difícil ou impossível viver tranquilos sem saber se amanhã amanhecerá ou se haverá uma próxima batida do coração.
Dessa maneira, parece que na natureza o ritmo é uma força poderosa e necessária. Além disso, é extremamente difícil imaginar que não cumpra seu ritmo, já que isso é algo tão intrínseco, que não podemos prescindir dele nem na imaginação. Entretanto, custa-nos manter o ritmo para realizar nossas tarefas cotidianas, funcionando normalmente por impulsos.
Algumas vezes temos tarefas, trabalhos ou atividades que nos parecem pesadas ou muito difíceis de fazer, chegando até a parecer impossíveis. Outras vezes pensamos que nossa vida cotidiana nos cansa. Analisemos isso de outro ponto de vista: utilizei o ritmo para realizar a tarefa ou, pelo contrário, trabalhei de maneira arrítmica?
Um exemplo para esclarecer: quando éramos estudantes, nos falavam que estudássemos todos os dias um pouco, simplesmente para repassar o que foi dado noe dia e, entretanto, às vezes, apenas acabamos estudando um ou dois dias antes do exame. Esta segunda opção gera angústia, cansaço e o pior é que não desfrutamos do que estamos estudando. Na primeira opção não há esforço, salvo a disciplina de fazê-lo todos os dias, simplifica a tarefa (posto que a dividimos em pequenas partes mais assimiláveis) e nos dá mais tempo para desfrutar do que estamos aprendendo, facilitando a memória a longo prazo. Outro aspecto importante do ritmo, é que o tempo é mais aproveitado e multiplica-se até pontos insuspeitados. Provemos fazer qualquer atividade ou tarefa, simplesmente 15 minutos por dia durante todos os dias, com disciplina e perseverança. Veremos que em pouco tempo sabemos muito mais ou temos mais prática do que tínhamos pensado no início do nosso plano. E não nos custou tanto esforço como tínhamos pensado, já que o ritmo tem a qualidade de que, uma vez estabelecido e incorporado na nossa vida, fica muito fácil segui-lo. É como uma música com um bom ritmo que te faz dançar quase inconscientemente. Simplesmente ouve-se a música e quando damos conta, já tem alguma parte do corpo (ou tudo), que está seguindo o ritmo. Isto se traduz, em nossa vida, como alegria de viver. Uma alegria de viver que se traduz em saúde, se além disso, cuidamos de nossos ritmos alimentares e de descanso.
Outro aspecto importante, é que cada pessoa encontre seu ritmo. Todas as pessoas têm um ritmo distinto, que deve ser encontrado e usado em nossas vidas. Se trabalharmos nesse ritmo, o de cada um, encontraremos o ponto de máxima eficiência. Quer dizer, faremos as coisas da melhor maneira, empregando o esforço justo. Hoje em dia, uma das doenças mais freqüentes é o chamado estresse, que surge do fato de vivermos normalmente contra o ritmo ou num ritmo distinto do nosso. Há pessoas que trabalham melhor de noite, outras pela manhã, outras, com cinco horas por dia, rendem o mesmo ou mais que trabalhando oito, entretanto outras necessitam das oito horas para desenvolver suas atividades. Normalmente, não “perdemos” tempo (nem as empresas) para procurar nosso ritmo e seguimos um preestabelecido, diminuindo nossas possibilidades e qualidade de vida.
Por último, devemos lembrar de algo que é claro para os músicos, que o ritmo está relacionado com a harmonia, que é a união e combinação de ações (sons, no mundo musical) iguais ou distintas, mas acordes. Isso significa que, em nossa vida, podemos realizar ações combinadas harmoniosamente e com ritmo, para obter qualquer objetivo que determinamos, usando o esforço justo e necessário, transformando o cansaço ou estresse em alegria de viver. Lembremos que o ser humano não tem porque viver cansado, da mesma maneira que uma planta, uma árvore ou um animal não vive cansado, mas que vive como é, fazendo o que lhe corresponde com um determinado ritmo. A vida não pode ser uma tarefa que nos esgote, devemos encontrar o ritmo que nos permita vivê-la plenamente.
Quando vemos as Pirâmides, ou outros monumentos da antiguidade, não podemos imaginar com quais ferramentas ou métodos foram construidos, e pode ser que a solução para esse enigma seja que, durante gerações, sem pressa mas sem pausa, seguindo o mesmo ritmo da natureza, que nossos antepassados conheciam tão bem, fossem construindo monumentos e templos, que ainda hoje nos causam espanto. Graças ao poder do ritmo.

Bibliografia
– Estratégia do Pensamento – Ed. Nova Acrópole
– http://www.texasheartinstitute.org/
– http://www.rae.es/rae.html