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Uma Mente Sempre Aberta

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Uma Mente Sempre Aberta

I

Helmut permanecia acordado, olhando as estrelas, não obstante o silêncio da fria noite de outono convidasse ao sono qualquer mortal. Estava em uma estalagem na estrada, em algum lugar da Baviera, aos pés dos Alpes. Corria o Ano do Senhor de 1380, e ele estava retornando de Viena, onde havia acompanhado os primeiros anos de uma nova Universidade, uma das poucas da Europa, e a primeira de língua alemã. Esta experiência havia sido a mais marcante de sua vida, e durante os dias de viagem ele não tirava da mente as lembranças de Viena. Em algumas noites, sozinho, sonhava acordado, dando asas a ideias grandiosas. Como ocorria naquela noite.

O jovem príncipe de 20 anos era um idealista, sem dúvida. Havia nascido em berço nobre, em um ramo secundário da Casa Wittelsbach, o que o aparentava com o Conde de Pfalz, Rupert, de quem era sobrinho. Porém as intrigas da Corte não interessavam a Helmut, nem a forma de vida medíocre e sedentária que muitos filhos de nobres adotavam. Seu pai, Herr (senhor feudal) de um castelo, não conseguiu envolver o filho nos negócios da família, nem este aceitou o matrimônio de conveniência que sua mãe lhe arranjara. Então, o jovem voltou-se bem cedo ao que mais amava: os livros, o estudo dos clássicos, dos povos antigos e dos sábios que inspiraram a muitos, durante séculos. O Abade Dieter, prior do Condado de seu pai, ao perceber os dotes intelectuais do rapaz bem que tentou seduzi-lo à vida monástica. Mas a fé do jovem não estava identificada com os jogos de poder do clero. O que interessava a Helmut não pertencia ao seu tempo. Tinha especial predileção pelos gregos, embora o Abade Dieter antipatizasse com os mesmos: dizia que eram “pagãos esnobes e impudicos”. Uma Mente Sempre AbertaAristóteles era o filósofo mais conhecido e estudado na época, mas Helmut se encantava mais com Platão e com sua escola: a Academia. Uma escola grande, que reuniu diferentes matérias em estudo comparativo, eclético, onde os alunos viviam e trabalhavam em fraternidade, unidos por um mesmo Ideal de Sabedoria, empenhados em praticar o que aprendiam, e comprometidos em melhorar a sociedade de seu tempo…

Sempre se perguntou como aqueles gregos antigos, sendo pagãos, poderiam ter criado tantas coisas fantásticas. Tantos séculos depois, em seu tempo, tudo lhe parecia pequeno e sombrio. Seria a Universidade de Viena o início de uma nova era? Teria ele presenciado algo importante para a História, que apenas os anos comprovariam? Perguntava-se isso, e algo em sua alma lhe sussurrava que sim, mas que a pergunta mais certa era: “o que ele poderia fazer para participar disso tudo”?

Seu sonho ia tomando uma forma mais clara aos poucos. Ele se dedicaria a dar nascimento a uma Universidade em suas terras! Esta era uma ideia que o seduzia bem mais do que as outras opções de vida que lhe haviam sido apresentadas até então. Esta era uma ideia à qual valia a pena dedicar toda a vida. E que fez o jovem sorrir largamente naquela noite fria.

 

II

– Bom dia, meu príncipe!

– Bom dia, Lothar. Tudo pronto para partirmos?

– Sim, meu senhor. Nossos cavalos já estão prontos. E vossa bagagem também.

Helmut sorriu brevemente. Seu fiel guardião, o cavaleiro Lothar, era pouco mais velho que ele, e filho de uma Casa vassala da sua. Homem de confiança de seu pai, Lothar fora enviado a Viena para acompanhá-lo na viagem de volta a Pfalz. O príncipe mantinha com ele o trato formal, adequado entre senhor e vassalo, mas cuidando para ser sempre justo com seu escudeiro. “Se a Casa dele não fosse vassala da minha – pensou – eu e ele seríamos amigos, quase irmãos”. Concluiu que, apesar das convenções sociais, nada impede um ser humano de tratar qualquer outro ser humano como um irmão. “Afinal: não somos todos companheiros de jornada numa mesma viagem?”

– Irei à Capela do vilarejo. Espere aqui, Lothar. Serei breve, e logo partiremos.

Estava amanhecendo: a névoa estava espessa; a claridade do dia mal começava a diferenciar as formas. Helmut caminhou alguns metros até uma capela muito rústica, que ficava ao lado da estalagem. A capela era pequena, sem bancos, como era comum na época, e com um altar muito simples ao fundo. Todo o ambiente era pobremente iluminado apenas por duas pequenas janelas estreitas e altas, e pela única porta, que estava aberta. Como de costume, Helmut foi fazer orações ao iniciar o dia. Ao entrar na capela, vislumbrou um homem alto, de cabelos brancos – um ancião, portanto – sentado sobre os calcanhares, próximo ao altar. Chamou-lhe a atenção a posição adotada pelo homem e sua total imobilidade, que o tornava semelhante a uma estátua. Algo que não soube definir o deteve por um instante a observar aquele ancião, e lhe deu uma estranha sensação de já conhecê-lo. Pensou em aproximar-se do altar, orar em silêncio, de pé ou sobre um joelho, e logo partir, mas aquela pessoa imóvel, ereta e com a fronte erguida ao altar, chamou sua atenção mais do que todo o restante da capela. Algo o fez aproximar-se do velho, lentamente, sem saber ao certo o que dizer. Ao chegar perto dele, este voltou seu rosto enrugado, sorriu serenamente, e olhou Helmut nos olhos tão profundamente como se lesse sua alma. O príncipe ficou sem palavras. Por alguns instantes nada foi dito, mas Helmut sentiu como se estivesse diante de um velho conhecido.

– O amanhecer sempre nos remete ao nosso próprio nascimento, não é mesmo? – disse o velho. – É como se pudéssemos reproduzir o início de nossa história todos os dias.

Helmut não sabia o que dizer. Estava como que hipnotizado pelos serenos e profundos olhos azul-turquesa do velho. Apenas assentiu com a cabeça.

– Um dia iniciado com um pensamento elevado e com  uma oferenda silenciosa e íntima ao

Altíssimo tende a ser bem diferente, não acha? – o velho ergueu-se sem a ajuda das mãos e postou-se de pé, altivo, de frente a Helmut.

– Sim, é verdade. – respondeu, por fim, Helmut.

– Chamo-me Otto, de Leimen. E Vossa Graça?

– Príncipe Helmut, da Casa Wittelsbach.

O velho fez uma breve mesura. – É filho do Conde de Pfaltz, Rupert? Helmut respondeu a mesura. – Sobrinho!

– E por acaso o Príncipe seria um amante das Letras ?

Helmut se espantou com a pergunta. Não estava trajado de modo a transparecer seu apreço pela Filosofia e pelas Letras. Na verdade, o jovem até descuidava um pouco da aparência de nobre.

– Acredito que sim, meu Senhor. Mas por que a pergunta?

– Eu já estou velho, Príncipe, mas acredito que jovens como Vossa Graça têm pela frente uma grande oportunidade: a de fazer de nosso mundo um lugar melhor, através de uma nova forma de lidar com o conhecimento. Um grande Renascimento Cultural é possível, e todos nós podemos ajudar para que ele ocorra, entretanto os homens da sua geração terão um papel decisivo nesse processo.

Helmut sentiu um arrepio. Essa havia sido a conclusão de suas meditações da noite anterior.

– Sim, Senhor Otto. Mas a que se deve esta sua ideia? Acaso estou diante de um diplomata?

– A vida torna diplomatas a muitos de nós, por necessidade. – o velho sorriu largamente. Mas meu ofício é ensinar Filosofia aos jovens: sou professor na Universidade de Paris. Ou fui, na verdade… Há muitos professores que, como eu, sonham com um mundo de pensamento mais livre. E talvez nas Universidades esteja a chave para resgatarmos essa liberdade. Não acha, Príncipe?

– Professor Otto, eu penso da mesma forma. E devo confessar que estou impressionado com este nosso inesperado encontro. Estou retornando de Viena, onde pude conhecer uma Universidade incipiente. Devo lhe dizer que o que vi e vivi lá encheu meu coração de esperança! Precisamos de mais Escolas Livres! De volta a Heidelberg, onde eu moro, pretendo me corresponder com outros centros de ensino. Estou certo de que lá existem condições de se criar uma nova Escola Livre!

O velho Professor Otto olhou em silêncio o jovem Helmut por uns segundos.

– Príncipe Helmut, podemos prosseguir nossa conversa lá fora?

– Certamente, Professor.

Ambos se dirigiram à porta da capela. Neste momento o fiel Lothar já se aproximava da capela a passos largos – visivelmente preocupado. O Príncipe já havia se demorado mais do que se esperaria de uma breve oração matinal.

– Senhor, está tudo bem?

– Tudo em ordem, Lothar. Este é o Professor Otto de Leimen. Nós vamos ter uma conversa agora. Espere junto aos cavalos até que eu o chame, por favor.

– Sim, Senhor.

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O príncipe e o professor caminharam pela relva adornada de branco, devido à geada. Suas falas externavam vapor devido ao frio da manhã, mas o calor humano daquele encontro de velhas almas ligadas pelos mesmos Ideais filosóficos superava qualquer incômodo físico. A claridade do dia que iniciava ia tomando conta pouco a pouco do ar enevoado, e o Sol ainda não se via, exceto por uma mancha dourada difusa que se destacava em meio às nuvens. Sobre as poucas construções daquele modesto vilarejo, pairava uma densa neblina, ao mesmo tempo gélida e aconchegante.

– Se me permite a pergunta, Vossa Graça possui boa relação com o Conde de Pfalz, seu tio?

– Certamente. Meus pais me enviaram a Heidelberg para estudar com os melhores preceptores do Condado, anos atrás, sob a tutela de meu tio Rupert, o Conde. Desde então resido no Castelo de Heidelberg, com ele e com outros primos.

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– Muito bem. Dentre os Principados alemães da atual idade, vejo justamente em Heidelberg um conjunto de condições favoráveis para o advento de um novo centro de ensino, como o de Viena, ou como o de Paris. Mas o aval do Conde é essencial, como seu real interesse pela questão.

Uma Mente Sempre Aberta– Creio, Professor, que meu tio Rupert será sensível a essa proposta. É minha intenção retornar a Heidelberg imediatamente, e apurar com que material humano poderíamos contar. Só não sei quantos dos brilhantes doutores de Viena aceitariam mudar-se a Heidelberg para esta aventura…

– Não sei quanto aos de Viena, Príncipe, mas talvez Vossa Graça e Sua Alteza – o Conde Rupert – possam contar com alguns doutores de Paris … Como este que vos fala agora!

Helmut não pôde conter um sorriso franco.

– Professor Otto, não cabe em mim a alegria de tê-lo encontrado de maneira tão fortuita, exatamente no momento em que meus pensamentos se voltam fortemente a este projeto!

O velho professor deteve a marcha por um momento e também sorriu.

– Príncipe Helmut: aprendi com meu Mestre Ludwig, que foi discípulo de Mestre Eckhart – talvez Vossa Graça já tenha estudado algo dele – que o acaso nada mais é do que a medida de nossa ignorância. Como seres humanos, somos todos eternos aprendizes, e ignoramos a maioria das coisas. A Inteligência do Criador, que supera infinitamente a nossa, promove encontros fortuitos, como este nosso, hoje, para que possamos tornar realidade os sonhos divinos através de nossa humilde existência. Somos todos instrumentos Dele, às vezes conscientes disso, outras vezes não.

O Professor Otto prosseguiu a caminhada, exalando o ar condensado num suspiro enevoado. Olhou para o horizonte distante: a densa neblina cedia e ao longe já se podia ver os Alpes com seus picos nevados. Em volta deles, nuvens baixas se dissipavam rapidamente, revelando o verde abundante das florestas. Otto continuou, agora com expressão grave:

 

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– Vossa Graça deve estar ciente dos desdobramentos do Cisma, estou certo? Helmut agravou a expressão, de forma semelhante.

– Sim, Professor. No último ano ouvi falar bastante deste tema. Alguma nova informação?

– Sim, Príncipe. Os cardeais de Roma não chegaram a um consenso no último Conclave, há dois anos, por disputas de poder. Houve um cisma entre eles, e foram eleitos dois Papas. Nunca na história da Igreja houve algo assim, o que pode ser o prenúncio de uma fragmentação ainda maior, ou apenas a evidência de que o Clero está muito corrupto. Até o momento, a Cristandade está rota e os países se dividem entre o apoio a um ou a outro Papa. Em Paris, por exemplo, a Universidade expulsou todos os docentes alemães, como eu, porque nossos países apoiam Papas diferentes.

Após breve pausa, seguida de um gesto concordante de Helmut, Otto prosseguiu.

– Os catedráticos mais velhos, como eu, estamos percorrendo diversas cidades há cerca de um ano, buscando alguns discípulos para poder transmitir essa chama que viemos custodiando a vida inteira. E o que eu e meus pares encontramos nessas andanças foi esperança…

Helmut olhou Otto nos olhos, e percebeu que aquele olhar não era o olhar de dois estranhos que acabavam de se conhecer, mas sim o de um mestre e seu discípulo que se reencontravam. As palavras “buscando alguns discípulos” ficaram ressoando na mente do jovem. Otto continuou.

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– Temos esperança, Príncipe, de que um Renascimento Cultural total é possível. E que nós podemos ajudar a promovê-lo! A minha geração já fez a sua parte, para bem ou para mal. Mas a sua, meu Senhor, pode fazer muito. Se novas Universidades surgirem nos próximos cem anos, elas podem ser o impulso que falta para que ressurjam em vários países verdadeiras Escolas de Filosofia, de Artes, Música, Teologia, Ciências… Podemos trazer de volta o brilho da Antiguidade Clássica!

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Os olhos do ancião brilhavam com o fogo da Vida Una. Mas Helmut precisou perguntar:

– Então este momento tão sombrio em que vivemos pode ser apenas a hora mais escura da madrugada, que antecede o alvorecer? Há poucos anos vimos uma violenta caçada aos Templários, bem como o recrudescer da Inquisição contra toda forma de pensamento eclético. A situação não parece rumar a algum tipo de melhora, Professor! Onde iremos parar? Se até mesmo a cúpula da Igreja se partiu, a tendência não é termos mais violência, mais ignorância, mais perseguições?

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O semblante do jovem agora parecia desolado. O ancião permanecia com o brilho no olhar.

– O Tribunal do Santo Ofício é apenas uma das preocupações para os filósofos de nosso tempo. Sim, nossa obra pode ser severamente prejudicada nesta luta dos pensadores livres contra a intolerância e o fanatismo. Sim, jovem Herr: os tempos podem tornar-se mais escuros e mais violentos. E é por isso mesmo que nós devemos redobrar os esforços na proteção da luz! É em horas como essas que se faz mais necessário acender novas lamparinas, com a chama de nosso coração!

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O jovem príncipe parecia agora conseguir enxergar através do olhar do velho professor. Seu desalento se dissipara, e ele reforçava, com as palavras de seu mestre inesperado, os seus próprios sonhos e esperanças. Aquele encontro apenas havia dado um novo vigor à sua convicção de antes: dedicar sua vida a uma Universidade em Heidelberg! Isso seria apenas uma pequena pedra em uma grande construção futura, mas até as maiores construções têm início com uma pequena pedra.

– Professor Otto, Vossa Graça está em viagem para onde?

– Estive em Roma, consultando amigos e aliados, catedráticos como eu, comprometidos com a causa do Saber como eu. Agora sigo para Heidelberg, que já era uma de nossas opções. Nosso projeto é possível naquela cidade: ela possui uma localização central, em termos de Império Germânico. Está regida por um dos Príncipes Eleitores, que é um homem culto e empreendedor. Só me faltava um contato próximo ao Conde. Uma mente aberta a novas ideias. Faltava, até agora…

Um sorriso iluminou a face do ancião. Helmut sentiu uma nova responsabilidade para si.

– Hoje cedo, Príncipe, eu estava orando, como de costume, quando Vossa Graça entrou na capela. Eu pedia ao Pai Maior um sinal de que meu intuito seria plausível, e de que eu viveria para ver uma chama ser transmitida, e acender uma nova tocha. Parece que ele me respondeu rápido…

– Esteja certo, meu Senhor, que Vossa Graça acaba de encontrar uma mente aberta, sim! E tão comprometida com vossa causa quanto os catedráticos que mencionou antes!Uma Mente Sempre Aberta

– A mente é como uma mão, Príncipe: devemos mantê-la sempre aberta, para que a energia da vida possa fluir, assim como ocorre com a água ou o alimento ou a riqueza. Uma mente aberta é uma mão aberta: recebe sempre, reparte sempre. Uma mente fechada é como um punho fechado: nada recebe, nada aprende, mas inspira violência. Esta deve ser a marca de nossa causa, em contraponto à intolerância: mente sempre aberta! Sempre disposta a aprender, e sempre disposta a ensinar!

– Professor: temos uma missão juntos, então. Rumaremos a Heidelberg, e por Deus que obteremos o apoio de meu tio para uma nova Escola livre! Por todos aqueles que ainda virão!

Mestre e discípulo apertaram as mãos, sorridentes, num cumprimento fraternal. Seguiram juntos até Heidelberg, onde foram muito bem recebidos pelo Conde Rupert.

III

Uma Mente Sempre AbertaAnos se passaram, e o Príncipe Helmut da Casa Wittelsbach enfim participou da fundação da Universidade Livre de Heidelberg, no ano de 1386, patrocinada pelo Conde de Pfalz, o Príncipe Eleitor Rupert I. Seu mestre Otto de Leimen ainda viveu o bastante para conviver com ele por alguns anos, ensinando-lhe muitas coisas, e chegou a testemunhar o nascimento daquela nova Escola Livre, tendo sido hospedado no Castelo de Heidelberg, até sua morte. A Universidade de Heidelberg cresceu e prosperou, tornando-se um dos mais importantes centros de ensino de Filosofia, Medicina, Direito e Letras de toda Europa. Durante séculos, esta Universidade foi um bastião do conhecimento e de pensadores livres, abrigando importantes filósofos, cientistas e políticos. Desde sua fundação, esta Escola Livre adotou como lema um pensamento de seus fundadores, que pode ser lido em seu pórtico até hoje: “Semper Apertvs”: Sempre Aberta, ó Mente!

 

Uma Mente Sempre Aberta

Autor: Carlos Rafael Lucas Ebert

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