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Ignoto Deo – Almeida Garret

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Ignoto Deo – Almeida Garret

Creio em ti, Deus: a fé viva
De minha alma a Ti se eleva.
És – o que és não sei. Deriva
Meu ser do Teu: luz… e treva,
Em que – indistintas! – se envolve
Este espírito agitado,
De Ti vem, a ti devolve.
O Nada, a que foi roubado
Pelo sopro criador
Tudo o mais, o há-de tragar.
Só vive de eterno ardor
O que está sempre a aspirar
Ao infinito donde veio.
Beleza és Tu, luz és Tu, Beleza és Tu, luz és Tu, - 1. Ignoto Deo - Almeida Garret
Verdade és Tu só. Não creio
Senão em Ti; o olho nu.
Do homem não vê na Terra
Mais que a dúvida, a incerteza,
A forma que engana e erra.
Essência!, a real beleza,
O puro amor – o prazer
Que não fatiga e não gasta…
Só por Ti os pode ver
O que inspirado se afasta,
Ignoto Deus, das ronceiras,
Vulgares turbas: despidos
Das coisas vãs e grosseiras
Sua alma, razão, sentidos,
A Ti se dão, em Ti vida,
E por Ti vida têm. Eu, consagrado
A Teu altar, me prosto e a combatida
Existência aqui ponho, aqui votado
Fica este livro – confissão sincera
Da alma que a Ti voou e em Ti só ‘spera.

 

Retrato de Almeida Garrett (1881)

Nota biográfica

João Baptista da Silva Leitão de Almeida Garrett, mais tarde 1º Visconde de Almeida Garrett, nasceu em Porto, em 4 de fevereiro de 1799 e faleceu em Lisboa, em 9 de dezembro de 1854. Foi um escritor e dramaturgo romântico, orador, par do reino, ministro e secretário de estado honorário português. Grande impulsionador do teatro em Portugal, uma das maiores figuras do romantismo português, foi ele quem propôs a edificação do Teatro Nacional de D. Maria II e a criação do Conservatório de Arte Dramática.

 




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