{"id":1668,"date":"2015-07-10T01:39:40","date_gmt":"2015-07-10T01:39:40","guid":{"rendered":"http:\/\/www.revistaesfinge.com.br\/?p=1668"},"modified":"2015-07-10T01:39:40","modified_gmt":"2015-07-10T01:39:40","slug":"apolo-rei-dos-lobos","status":"publish","type":"blog","link":"https:\/\/nova-acropole.org.br\/staging\/blog\/apolo-rei-dos-lobos","title":{"rendered":"Apolo, Rei dos lobos"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" class=\"alignright wp-image-27251\" src=\"http:\/\/nova-acropole.org.br\/staging\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/Apolo_de_belvedere_-_vaticano.jpg\" alt=\"\" width=\"357\" height=\"485\" srcset=\"https:\/\/nova-acropole.org.br\/staging\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/Apolo_de_belvedere_-_vaticano.jpg 663w, https:\/\/nova-acropole.org.br\/staging\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/Apolo_de_belvedere_-_vaticano-221x300.jpg 221w, https:\/\/nova-acropole.org.br\/staging\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/Apolo_de_belvedere_-_vaticano-580x787.jpg 580w\" sizes=\"(max-width: 357px) 100vw, 357px\" \/>Sem p\u00f3los, o \u00danico, deus da Luz, da Medicina, da Harmonia e tamb\u00e9m o misterioso que fere de longe. \u00c9 a escurid\u00e3o primeira, senhor dos Hiperb\u00f3reos, a quem os D\u00f3rios renderam culto.<br \/>\nComo toda divindade ou s\u00edmbolo, s\u00e3o numerosas as chaves que permitem acessar os significados que evoca. Existem chaves matem\u00e1ticas, por exemplo, que unem Apolo e Artemisa como a rela\u00e7\u00e3o matem\u00e1tica que existe entre a luz solar e a luz lunar. O nome-n\u00famero de Apolo, em rela\u00e7\u00e3o ao nome-n\u00famero de Artemisa, nos d\u00e1 a propor\u00e7\u00e3o matem\u00e1tica Fi, o N\u00famero de Ouro. Plat\u00e3o, no Cr\u00e1tilo, insiste no fato de que o maior destaque de Apolo \u00e9 ser o deus da adivinha\u00e7\u00e3o, da medicina, da m\u00fasica e da arte de lan\u00e7ar flechas e, que as palavras com as quais \u00e9 designado se relacionam a:<br \/>\n1. lavar, purificar;<br \/>\n2. liberar dos males da alma e do corpo;<br \/>\n3. o simples e o verdadeiro;<br \/>\n4. movimento que tem rela\u00e7\u00e3o com a igualdade e que por ele indica a harmonia do canto e o movimento dos c\u00e9us, dado que os versados em m\u00fasica e em astronomia afirmam que ambas se movem com a mesma harmonia;<br \/>\n5. a harmonia como aquilo que imprime um duplo movimento entre os deuses e os homens;<br \/>\n6. a indaga\u00e7\u00e3o e a filosofia por ser senhor das Musas.<br \/>\nOs nomes, com os quais rendia-se culto a esse deus, falam por sua vez dos distintos atributos e modos de comportamento da luz: Karneios \u00e9 o radiante (como o Karna-sol irm\u00e3o de Arjuna no Mahabharata), Febo significa luminoso, brilhante; D\u00e9lio, claro; Plut\u00e3o abundante; Aidoneo invis\u00edvel; Faneo, l\u00facido; Teorio, observador; Pitio, indagador por ser um deus-serpente; Ismenio, conhecedor; Lesquenorio, conversador. Ameibo, o mut\u00e1vel, porque a luz do Logos-sol assume toda a forma da natureza. Precisamente, com rela\u00e7\u00e3o a esse nome, chamam-lhe construtor de muralhas, o que refor\u00e7a o significado anterior, ou seja o construtor de formas. Incenso, que significa o que inflama. Epibateiros, que favorece o regresso, pois como s\u00edmbolo da unidade faz com que todos os caminhos convirjam para nele. Por isso diz o Hino \u00d3rfico \u00e0 Apolo: &#8230;teu \u00e9 o princ\u00edpio e o final que tem que acontecer&#8230; Alex\u00edkako, que afasta os males. Kerd\u00f3o o possuidor. Nomio ou legislador, porque a luz outorga a medida. Esm\u00ednteo, como senhor dos ratos pela rela\u00e7\u00e3o que t\u00eam os dardos de flecha de Apolo, da peste com os ratos e, tamb\u00e9m, por esot\u00e9ricas rela\u00e7\u00f5es dos labirintos na terra com o ressurgir de um novo sol. Assim, por exemplo, no Egito, representa-se, em papiros m\u00e1gicos, o musaranho sempre relacionado com signos solares e gerando o Sol. Argenetes, o brilhante. Prestes, o relampejante, o ziguezagueante. Teoxenios.<\/p>\n<p>Al\u00e9m dessa miscel\u00e2nea de id\u00e9ias, o que \u00e9 evidente \u00e9 que os dons de Apolo s\u00e3o a luz que iluminam a intelig\u00eancia, a luz que cura as almas e aparta os males morais (diferente de Ascl\u00e9pio, que restabelece a sa\u00fade como harmonia vital), a luz que purifica e tamb\u00e9m a luz que renova tudo o que existe, tudo o que vive. Este \u00e9 o significado de Apolo Hiperb\u00f3reo, a luz da primavera que d\u00e1 um novo vigor a tudo que vive e canta na natureza. \u00c9 o raio verde que d\u00e1 luz \u00e0s almas e for\u00e7a aos atos.<\/p>\n<p>Qual \u00e9 ent\u00e3o a faceta de Apolo que queremos destacar? Por que recebe outros nomes n\u00e3o t\u00e3o comuns como Escuro, Skotios, ou Aidoneo, o Invis\u00edvel ou Apolion, o destruidor e, sobretudo Loxias que significa o de turvo olhar, o obl\u00edquo, o de olhar indireto, o amb\u00edguo pela dificuldade de interpretar seus or\u00e1culos, o indireto (embora alguns etimologistas derivam esta palavra de Logos, o senhor da palavra). E Lycios, como senhor dos lobos. Muito enigm\u00e1tica esta rela\u00e7\u00e3o que se estabelece entre a deidade da luz e da juventude permanente e o animal-emblema da noite e da morte. Em Argos, encontramos medalhas, nas quais se mostra a face de Apolo no anverso, e um lobo coroado por raios no reverso. Dizia-se em Delfos que, na \u00e9poca do dil\u00favio de Deucalion, alguns homens se livraram da invas\u00e3o das ondas ao serem guiados pelos uivos dos lobos at\u00e9 a ascens\u00e3o ao Parnaso, onde fundaram a cidade da Lykoreia em comemora\u00e7\u00e3o a esses animais. \u00c9 evidente que esse mito narra acontecimentos muito long\u00ednquos, em que a humanidade \u00e9 salva por Apolo, o velho rei dos lobos. Salva da inunda\u00e7\u00e3o moral que dissolve todos os valores e que impede o crescimento do L\u00f3tus de uma nova civiliza\u00e7\u00e3o. Aqui o uivo do lobo \u00e9 s\u00edmbolo do Grito na Escurid\u00e3o, um \u00faltimo recurso ou \u00faltima reserva de espiritualidade.<\/p>\n<p>No santu\u00e1rio do deus Apolo em Delfos, via-se junto ao altar, um lobo de bronze vigiando o tesouro do templo, como o An\u00fabis, protetor da arca sagrada. Tamb\u00e9m em Arg\u00f3lida, Apolo envia um lobo para combater um touro. Em todas estas formas de Apolo Lycio, o lobo \u00e9 s\u00edmbolo de luz, mas trata-se da luz invis\u00edvel, aquela que ilumina, mas n\u00e3o se v\u00ea, a luz que protege, a luz espiritual. A luz que combate as trevas. Apolo Lycio \u00e9 tamb\u00e9m uma forma de Apolo como Pastor-Lobo, que vigia e protege o gado. O gado ou rebanho representa aqui as almas humanas. Por isso o velho nome do Pastor, Poim\u00e9n, \u00e9 o de governante na antig\u00fcidade. O pr\u00f3prio Cristo, recolhendo uma tradi\u00e7\u00e3o eg\u00edpcia, \u00e9 o bom pastor. Helena Blavatsky diz que o rebanho celeste representa tamb\u00e9m a sabedoria oculta, e aqui o lobo \u00e9 s\u00edmbolo do dourado Merc\u00fario a quem os hierofantes proibiam nomear. O guardi\u00e3o da sabedoria secreta.<\/p>\n<p>Assemelhar o rebanho com as almas humanas ou com a luz das estrelas \u00e9 um costume indo-europeu muito antigo. Por exemplo, na \u00cdndia, Sarama e Sarameya s\u00e3o os vigilantes, que protegem o gado dourado das estrelas e raios solares. Indra, rei dos deuses e, portanto, rei do mundo, deve resgatar as almas que a ele est\u00e3o encomendadas, as vacas Go ou os raios de luz que foram dispersados pelos frios dedos da n\u00e9voa. Outra vez, o Rei \u00e9 o protetor, canalizador e quem dirige as almas ao seu seguro ref\u00fagio.<\/p>\n<p>Existem tamb\u00e9m representa\u00e7\u00f5es m\u00edticas que se referem \u00e0 Apolo como senhor da morte. \u00c9 representado em antigos monumentos recebendo nos infernos as almas dos iniciados. Mas a morte de Apolo \u00e9 uma morte doce, repentina. Aparece como guia das Parcas, int\u00e9rpretes do destino humano e, como deus da destrui\u00e7\u00e3o. Em Leucade, a cada ano, quando chegava a festa de Apolo, sacrificava-se um homem, precipitando-o ao mar de um elevado promont\u00f3rio. A v\u00edtima escolhida, geralmente um delinq\u00fcente, era envolta em plumas e, atavam-lhe aves ao corpo. Com isso, pretendia-se entender que os antigos pensariam que \u00e9 mais f\u00e1cil salvar-se estando atado \u00e0s aves e com os atributos pr\u00f3prios delas. Por\u00e9m, acredito que o significado \u00e9 que aquele que se lan\u00e7a ao abismo, nem os deuses, nem as id\u00e9ias superiores, nem nada pode salv\u00e1-lo. Os deuses ajudam a descender e percorrer o abismo, mas nada podem fazer para quem abandona a si mesmo.<\/p>\n<p>No templo de Delfos, as m\u00e1ximas que os s\u00e1bios inspirados pelo deus consagraram em seu p\u00f3rtico, recordam sempre a medida e a prud\u00eancia: conhece-te a ti mesmo, nada em excesso, seja prudente. Dizem que Apolo \u00e9 como o deus da raz\u00e3o, a prud\u00eancia, a sa\u00fade das almas. Mas existe algo mais? Se Apolo for quem faz do homem um Homem, podemos achar uma raiz m\u00edstica mais poderosa, mais viril, mais severa, mais relacionada com as trevas, que Apolo tamb\u00e9m representa? Plutarco diz que al\u00e9m das m\u00e1ximas j\u00e1 mencionadas, em seu templo existia uma oferenda em forma de E, ao princ\u00edpio de madeira, que logo os atenienses trocaram por uma de bronze e que Livia, a esposa de Augusto, trocou por uma de ouro. Tamb\u00e9m nas moedas d\u00e9lficas, da \u00e9poca do Plutarco, se observa uma letra E como emblema do Apolo. V\u00e1rias s\u00e3o as interpreta\u00e7\u00f5es de Plutarco em sua obra: 1) a part\u00edcula desiderativa; 2) a conjun\u00e7\u00e3o que liga a causa ao efeito; 3) a afirma\u00e7\u00e3o voc\u00ea \u00e9, dirigida como uma sauda\u00e7\u00e3o ao deus e 4) o n\u00famero s\u00edmbolo do universo, o cinco, matrim\u00f4nio entre o primeiro par e o primeiro \u00edmpar, portanto representante perfeito do andr\u00f3gino divino.<\/p>\n<p>Precisamente neste n\u00famero cinco est\u00e1 a chave da quest\u00e3o. O cinco \u00e9 a letra n\u00famero-s\u00edmbolo da estrela, do \u00e9ter ou espa\u00e7o no qual navegam as barcas-estrelas. Segundo os fen\u00edcios e os hebreus, o n\u00famero cinco simboliza a janela ou a matriz, aquela que d\u00e1 nascimento ou aquela que permite a passagem ao c\u00e9u. Neste sentido, o cinco \u00e9 o n\u00famero-s\u00edmbolo da consci\u00eancia humana. Recordemos o mito eg\u00edpcio em que os cortes que o machado de An\u00fabis deixa no labirinto s\u00e3o em formas de estrelas de cinco pontas.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, aqui Apolo Lycio ou, Apolo, regente dos lobos, representa tudo aquilo que pode proteger a consci\u00eancia humana. Por exemplo, \u00e0 Apolo Soranus rendiam culto no cume do monte Soraste. Conta a lenda que, certo dia, feito o sacrif\u00edcio para o deus, uma manada de lobos arrebatou as v\u00edtimas do altar. Os pastores, que sa\u00edram em sua persegui\u00e7\u00e3o, pereceram repentinamente ao chegar a uma caverna de onde exalavam vapores venenosos. Desde aquele dia a comarca foi devastada pela peste. O or\u00e1culo prometeu sa\u00fade \u00e0queles moradores, se consentissem em viver como os lobos, mais al\u00e9m de toda norma social. Isto nos refere \u00e0 dif\u00edcil sobreviv\u00eancia da alma, quando as rela\u00e7\u00f5es sociais e o cotidiano inundam-na na indefini\u00e7\u00e3o moral. Tudo aquilo que se acha nos umbrais da escurid\u00e3o, esta como morte e mist\u00e9rios, deve se encontrar com esse lobo que narra a lenda. H\u00e1 um componente de for\u00e7a e mist\u00e9rio nesses s\u00edmbolos porque estamos nos referindo a um Apolo que rege os limites, os umbrais e a morte. Em Esparta, asseguravam que os adolescentes se converteriam em adultos se atravessassem essa pequena morte que permite o renascimento. Durante tr\u00eas dias deviam viver como os lobos, al\u00e9m da lei e desafiando a morte. Isto lhes permitia a inser\u00e7\u00e3o no seio da sociedade dos adultos. Isso \u00e9 um eco de tradi\u00e7\u00f5es mist\u00e9ricas e inici\u00e1ticas dos tr\u00eas dias que o Sol deve passar pelo reino da morte. Ou, dos tr\u00eas dias em que o Sol-iniciado descendia aos infernos e experimentava terr\u00edveis provas com as quais adquiria sua condi\u00e7\u00e3o plena de conquistador da sabedoria. Os raios de sol do amanhecer no terceiro dia ungiam a alma do Iniciado, o qual, ao sentir o beijo deste Sol de Ressurrei\u00e7\u00e3o pronunciava a frase ritual de: \u201cOh, Sol, como me glorificaste!\u201d.<\/p>\n<p>Entretanto, em Paus\u00e2nias tamb\u00e9m aparecem refer\u00eancias de Apolo como matador de lobos, o Apolo Nomios, ou Apolo, como Sol de Justi\u00e7a.<\/p>\n<p>Deve ser, esse Apolo, mais interno e profundo, que Ov\u00eddio nos explica em Metamorfose: \u201cEu revelo o que foi, \u00e9 e ser\u00e1\u201d.<\/p>\n<p>O Apolo invis\u00edvel converte-se no fundamento do Apolo que outorga a alegria e a bondade de cora\u00e7\u00e3o; aquele que ajusta os versos \u00e0 m\u00fasica, o condutor do coral das Musas, que foi representado pelo louro. Como o louro n\u00e3o envelhece jamais, arde e crepita ao primeiro contato com o fogo, Apolo converteu-se no s\u00edmbolo da perene juventude, a quem os adolescentes outorgavam seus cabelos ao chegar a ela.<\/p>\n<p>Com este Apolo, senhor da alegria, que queremos terminar este artigo com os versos de P\u00edndaro:<br \/>\n[..]Oh, tu, divino Apolo, teus rem\u00e9dios t\u00e3o cheios de sa\u00fade liberam os homens e as mulheres; tu nos deste a lira, e tu dispensas aos teus favoritos os dons da Musa e introduzes nos cora\u00e7\u00f5es a paz e a conc\u00f3rdia.[&#8230;]<\/p>\n<p>Cr\u00e9dito da imagem:\u00a0<a href=\"https:\/\/commons.wikimedia.org\/wiki\/File:Apolo_de_belvedere_-_vaticano.jpg\">Tetraktys<\/a>    \t<\/p>\n","protected":false},"template":"","categories":[93],"tags":[],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v17.7.1 - https:\/\/yoast.com\/wordpress\/plugins\/seo\/ -->\n<title>Apolo, Rei dos lobos - Nova Acr\u00f3pole<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/nova-acropole.org.br\/staging\/blog\/apolo-rei-dos-lobos\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"pt_BR\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"Apolo, Rei dos lobos - Nova Acr\u00f3pole\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"Sem p\u00f3los, o \u00danico, deus da Luz, da Medicina, da Harmonia e tamb\u00e9m o misterioso que fere de longe. \u00c9 a escurid\u00e3o primeira, senhor dos Hiperb\u00f3reos, a quem os D\u00f3rios renderam culto. 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