{"id":2068,"date":"2015-07-16T00:38:45","date_gmt":"2015-07-16T00:38:45","guid":{"rendered":"http:\/\/revistaesfinge.com.br\/?p=2066"},"modified":"2015-07-16T00:38:45","modified_gmt":"2015-07-16T00:38:45","slug":"um-antepassado-de-sete-milhoes-de-anos","status":"publish","type":"blog","link":"https:\/\/nova-acropole.org.br\/staging\/blog\/um-antepassado-de-sete-milhoes-de-anos","title":{"rendered":"UM ANTEPASSADO DE SETE MILH\u00d5ES DE ANOS"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"http:\/\/revistaesfinge.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/02\/UM-ANTEPASSADO-DE-SETE-MILH\u00d5ES-DE-ANOS.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-full wp-image-2067\" src=\"http:\/\/revistaesfinge.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/02\/UM-ANTEPASSADO-DE-SETE-MILH\u00d5ES-DE-ANOS.jpg\" alt=\"UM-ANTEPASSADO-DE-SETE-MILH\u00d5ES-DE-ANOS\" width=\"177\" height=\"184\" \/><\/a>O descobrimento de um cr\u00e2nio de homin\u00eddeo no deserto de Chad, \u00c1frica, de cerca de sete milh\u00f5es de anos de antiguidade, tem despertado novamente a pol\u00eamica sobre os antepassados do homem.<\/p>\n<p>O cr\u00e2nio em quest\u00e3o apareceu quase completo e bem conservado e os pesquisadores respons\u00e1veis pelo descobrimento, uma equipe da Universidade de Poitiers, na Fran\u00e7a, consideram que possivelmente perten\u00e7a a um ser b\u00edpede, um primata similar a um chimpanz\u00e9 com tra\u00e7os humanos, o que faria ser o f\u00f3ssil antepassado do homem mais antigo achado at\u00e9 o momento.<\/p>\n<p>Mas nem todos os paleont\u00f3logos est\u00e3o de acordo com esta afirma\u00e7\u00e3o. Para J. L. Arsuaga, vice diretor do s\u00edtio da Serra de Atapuerca, em Burgos, onde se encontra o achado considerado o mais antigo do continente europeu, a coisa n\u00e3o est\u00e1 muito clara, j\u00e1 que o descobrimento do Chad n\u00e3o implica uma revolu\u00e7\u00e3o na atual vis\u00e3o da evolu\u00e7\u00e3o humana. Segundo disse, temos que encontrar um \u201cArgumento definitivo e conclusivo\u201d que assegure a rela\u00e7\u00e3o deste achado \u00e0 nossa linha evolutiva.<\/p>\n<p>Sendo assim, esperando que os especialistas cheguem a um acordo, nosso colaborador Antonio Mart\u00ednez nos ajuda a por um pouco de clareza nas fam\u00edlias conhecidas e comumente classificadas dos considerados antepassados humanos.<\/p>\n<p>Alguns dos f\u00f3sseis mais importantes dos homin\u00eddeos at\u00e9 o <em>sapiens<\/em> e sua data\u00e7\u00e3o aproximada.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Ardipithecus ramidus<\/em><\/p>\n<p>4,4 milh\u00f5es de anos.<\/p>\n<p>Viveu na Eti\u00f3pia. Entre 1992 e 1994 uma equipe dirigida por Tim White, Berrhane Asfaw e Gen Suwa, encontrou f\u00f3sseis de dezessete indiv\u00edduos, a maioria deles apenas dentes, mas h\u00e1 tamb\u00e9m um fragmento da base de um cr\u00e2nio e de uma mand\u00edbula, assim como diversos fragmentos de bra\u00e7o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Australopithecus anamensis<\/em><\/p>\n<p>Em torno de 4 milh\u00f5es de anos.<\/p>\n<p>Bryan Patterson em 1965 encontra um \u00famero. Peter Nzube acha em 1994 uma mand\u00edbula com todos os dentes e, tamb\u00e9m em 1994, Kamoya Kimeu descobre uma t\u00edbia que evidencia bipedismo deste homin\u00eddeo. Todos esses f\u00f3sseis foram encontrados em Kanapoi, Qu\u00eania.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Australopithecus afarensis<\/em><\/p>\n<p>De 3 a 3,7 milh\u00f5es de anos.<\/p>\n<p>Donald Johanson em 1973 encontra na Eti\u00f3pia diversos fragmentos de ambas as pernas e em 1974, junto com Tom Gray descobre no mesmo s\u00edtio 40% de um esqueleto que ser\u00e1 conhecido como \u201cLucy\u201d.<\/p>\n<p>Em 1975 a equipe de Johanson acha na Eti\u00f3pia restos de, pelo menos, treze indiv\u00edduos de diferentes idades e de grandes diferen\u00e7as de tamanho.<\/p>\n<p>Em 1978 Paul Abell, em Laetoli, Tanz\u00e2nia, descobre pegadas fossilizadas de dois ou tr\u00eas homin\u00eddeos. Datadas em torno de 3,7 milh\u00f5es de anos, s\u00e3o atribu\u00eddas ao <em>A. afarensi<\/em> simplesmente por n\u00e3o se conhecer outro homin\u00eddeo desta \u00e9poca. Alguns autores (Tattersall, 1993) defendem que essas pegadas s\u00e3o id\u00eanticas \u00e0s de um homem moderno.<\/p>\n<p>Em 1991, Bill Kimbel e Yoel Rak descobrem em Hadar, Eti\u00f3pia, um cr\u00e2nio quase completo de um homem adulto datado em 3 milh\u00f5es de anos. Seu tamanho \u00e9 de 550 cm<sup>3<\/sup>.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Kenyanthropus platyops<\/em><\/p>\n<p>Entre 3,2 e 3,5 milh\u00f5es de anos.<\/p>\n<p>\u00c9 um dos mais importantes achados dos \u00faltimos anos. Descoberto por Justus Erus, membro da equipe de Meave Leakey, em 1999. O f\u00f3ssil que d\u00e1 nome a esse novo homin\u00eddeo \u00e9 um cr\u00e2nio completo com uma combina\u00e7\u00e3o de caracter\u00edsticas incomuns. Diversos autores fazem notar sua semelhan\u00e7a com o cr\u00e2nio ER1470 de <em>H.habilis<\/em> datado 1,5 milh\u00f5es de anos depois.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Australopithecus africanus<\/em><\/p>\n<p>Entre 2 e 3 milh\u00f5es de anos.<\/p>\n<p>O f\u00f3ssil que deu lugar a este homin\u00eddeo \u00e9 conhecido como \u201cMenino de Taung\u201d. Foi descoberto por Raymond Dart em 1924 na \u00c1frica do Sul. Consiste em um fragmento da parte interna do cr\u00e2nio e os ossos da face e mand\u00edbulas com os dentes.<\/p>\n<p>Outros f\u00f3sseis de <em>A. africanus<\/em> s\u00e3o um cr\u00e2nio muito bem conservado e uma coluna vertebral quase completa junto a uma p\u00e9lvis, um fragmento de f\u00eamur e uma costela, descobertos por Robert Broom em Sterkfontein, \u00c1frica do Sul.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Australopithecus aethiopicus<\/em><\/p>\n<p>Em torno de 2,5 milh\u00f5es de anos.<\/p>\n<p>Deste homin\u00eddeo se encontrou em 1985, no Qu\u00eania, um cr\u00e2nio completo chamado \u201cO Cr\u00e2nio Negro\u201d, que \u00e9 um de tantos enigmas, dada a mescla de tra\u00e7os muito primitivos (tamanho muito reduzido, aproximadamente 410 cm<sup>3<\/sup>) com outros muito avan\u00e7ados.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Australopithecus garhi<\/em><\/p>\n<p>Em torno de 2,5 milh\u00f5es de anos.<\/p>\n<p>Em 1997 Johannes Haile-Selassie encontra em Bouri, Eti\u00f3pia, parte de um cr\u00e2nio e uma mand\u00edbula superior com seus dentes.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Australopithecus robustus<\/em><\/p>\n<p>Entre 1,5 e 2 milh\u00f5es de anos.<\/p>\n<p>O primeiro f\u00f3ssil, fragmentos de um cr\u00e2nio, descoberto em 1938 por um jovem na \u00c1frica do Sul. Andr\u00e9 Keyser, em 1994, acha um cr\u00e2nio e uma mand\u00edbula de uma f\u00eamea e outra mand\u00edbula de um macho no s\u00edtio arqueol\u00f3gico de Drimolen, na \u00c1frica do Sul.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Australopithecus boisei<\/em><\/p>\n<p>1,4 a 1,8 milh\u00f5es de anos.<\/p>\n<p>O primeiro achado desta esp\u00e9cie se deu em Olduvai, Tanz\u00e2nia, por Mary Leakey. Foi um cr\u00e2nio quase completo com volume de 530cm<sup>3<\/sup>.<\/p>\n<p>Outros f\u00f3sseis importantes desta esp\u00e9cie s\u00e3o um cr\u00e2nio completo (510cm<sup>3<\/sup>) encontrado por Richard Leakey em 1969 e outro menor achado por ele mesmo em 1970, ambos nos arredores do lago Turkana, no Qu\u00eania; assim como diversos fragmentos de um cr\u00e2nio e uma mand\u00edbula descobertos em 1993 na Eti\u00f3pia por A. Amzaye.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>Homo habilis<\/em><\/p>\n<p>Entre 1,4 e 1,9 milh\u00f5es de anos.<\/p>\n<p>Dos numerosos restos coletados, \u00e0s vezes com significativas diverg\u00eancias entre os especialistas, desta esp\u00e9cie descoberta por Leakey nos anos 60 na garganta de Olduvai, Tanz\u00e2nia, destacamos o cr\u00e2nio mais completo desta esp\u00e9cie, encontrado por Bernard Ngeneo em 1972 no Qu\u00eania, com um volume de 750cm<sup>3<\/sup>. \u00c9 o famoso f\u00f3ssil KNM-ER 1470 que gerou importantes debates acerca de sua idade \u2013 datada inicialmente com tr\u00eas milh\u00f5es de anos \u2013 e classifica\u00e7\u00e3o, pela surpreendente modernidade de alguns aspectos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Homo erectus<\/em><\/p>\n<p>Entre 800 mil e 1,7 milh\u00f5es de anos.<\/p>\n<p>Desde os primeiros achados realizados por Eugenio Dubois na Indon\u00e9sia em 1891, esta esp\u00e9cie, tamb\u00e9m chamada <em>Pithecanthropus<\/em>, \u201cHomem de Java\u201d ou \u201cHomem de Pequim\u201d, deixou sua marca f\u00f3ssil em lugares t\u00e3o distantes entra si como Indon\u00e9sia, China e \u00c1frica.<\/p>\n<p>Dos numerosos f\u00f3sseis de <em>H. erectus<\/em> destacam-se o cr\u00e2nio quase completo de 1000cm<sup>3<\/sup> encontrado por Sastro Hamidjojo Sartoro em 1969 em Java, que foi datado com 800 mil anos, mas que recentemente lhe foi dada a idade de 1,7 milh\u00f5es de anos, com o que as hip\u00f3teses a respeito da data de emigra\u00e7\u00e3o do <em>H. erectus<\/em> a partir da \u00c1frica devem ser revisadas.<\/p>\n<p>O outro achado que destacamos \u00e9 o chamado \u201cMenino de Turkana\u201d, descoberto por Kamoya Kimeu em 1984 nas proximidades do lago Turkana, no Qu\u00eania. Consiste em um esqueleto quase completo de um jovem de onze ou doze anos datado com 1,6 milh\u00f5es de anos. A caracter\u00edstica mais marcante \u00e9 a semelhan\u00e7a do esqueleto com o do homem moderno, n\u00e3o s\u00f3 na forma, mas tamb\u00e9m nas dimens\u00f5es. Se o menino de Turkana tivesse chegado \u00e0 idade adulta alcan\u00e7aria 1,85m de altura.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Homo antecessor<\/em><\/p>\n<p>780 mil anos.<\/p>\n<p>Descoberto em Atapuerta, Burgos, Espanha, em 1996, deve seu nome ao fato de ser considerado por seus descobridores como o poss\u00edvel ancestral comum do Neandertal e do homem moderno. O f\u00f3ssil \u00e9 uma face parcial de um jovem de idade entre dez e onze anos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Homo sapiens arcaico<\/em><\/p>\n<p>Entre 125 mil e 700 mil anos<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m chamado \u201c<em>Homo heidelbergensis<\/em>\u201d, \u201c<em>Homo rhodesiensis<\/em>\u201d etc. referindo-se ao local onde foram encontrados f\u00f3sseis do mesmo.<\/p>\n<p>Os cr\u00e2nios recuperados mostram tra\u00e7os de <em>H. erectus<\/em>, <em>H. neanderthalensis<\/em> e <em>H. sapiens<\/em> juntos, com volumes entre 1125 e 1280 cm<sup>3<\/sup>.<\/p>\n<p>Destacam-se os f\u00f3sseis do Abismo dos Ossos, em Atapuerca, Espanha, descobertos em 1992-93 por uma equipe dirigida por Emiliano Aguirre e que, datados com cerca de trezentos mil anos, nos oferecem os restos mais completos no registro f\u00f3ssil do homem pr\u00e9-moderno.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Homo sapiens neanderthalensis<\/em><\/p>\n<p>Entre 28 mil e 200 mil anos.<\/p>\n<p>Entre os numerosos f\u00f3sseis achados ap\u00f3s o primeiro cr\u00e2nio encontrado em Gibraltar em 1848, os resto aparecidos no Vale de Neanderthal, Alemanha, em 1856, e que deu seu nome \u00e0 nova esp\u00e9cie, destacamos os nove esqueletos descobertos por Ralph Solecki no s\u00edtio de Shanidar, Iraque, datados entre 40 mil e 70 mil anos; e o esqueleto descoberto por Fran\u00e7ois L\u00e9v\u00eaque em Sant-Cesaire, Fran\u00e7a, com uma idade de 35 mil anos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Antonio Martinez-\u00danica L\u00f3pez<\/p>\n<p>&nbsp;    \t<\/p>\n","protected":false},"template":"","categories":[93],"tags":[],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v17.7.1 - https:\/\/yoast.com\/wordpress\/plugins\/seo\/ -->\n<title>UM ANTEPASSADO DE SETE MILH\u00d5ES DE ANOS - Nova Acr\u00f3pole<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/nova-acropole.org.br\/staging\/blog\/um-antepassado-de-sete-milhoes-de-anos\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"pt_BR\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"UM ANTEPASSADO DE SETE MILH\u00d5ES DE ANOS - Nova Acr\u00f3pole\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"O descobrimento de um cr\u00e2nio de homin\u00eddeo no deserto de Chad, \u00c1frica, de cerca de sete milh\u00f5es de anos de antiguidade, tem despertado novamente a pol\u00eamica sobre os antepassados do homem. 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