
A Mulher Rei acompanha as Agojie, guerreiras que defendiam o reino do Daomé no século XIX, e uma jovem que aprende com elas o sentido da disciplina. Onde nasce a verdadeira coragem?
Esta ficha traz sinopse, abordagem filosófica, perguntas para reflexão e citações.

Ficha técnica
| Título original | The Woman King |
|---|---|
| Ano | 2022 |
| Duração | 135 min |
| Direção | Gina Prince-Bythewood |
| Roteiro | Dana Stevens, a partir de argumento de Maria Bello e Dana Stevens |
| Elenco | Viola Davis (Nanisca), Thuso Mbedu (Nawi), Lashana Lynch (Izogie), Sheila Atim (Amenza), John Boyega (rei Ghezo), Hero Fiennes Tiffin (Santo Ferreira), Jordan Bolger (Malik) |
| País | Estados Unidos |
| Gênero | Drama histórico e ação |
| Lançamento mundial | 9 de setembro de 2022 (estreia mundial no Festival Internacional de Cinema de Toronto, Canadá) |
Sinopse de "A Mulher Rei"
À noite, mulheres armadas avançam em silêncio sobre um acampamento de traficantes. São as Agojie, o regimento feminino que protege o reino do Daomé, na África Ocidental. Em 1823, sob o comando da general Nanisca, elas libertam mulheres daomeanas sequestradas por traficantes ligados ao Império de Oyo, o poderoso rival do reino.
Enquanto isso, chega ao palácio Nawi, uma jovem entregue ao rei Ghezo pelo próprio pai. Teimosa e cheia de perguntas, ela começa o duro treinamento das guerreiras. Aos poucos, a veterana Izogie se torna sua amiga, e Nanisca a observa com exigência redobrada. Além disso, mercadores portugueses de escravizados chegam ao reino, e a guerra com Oyo parece inevitável.
Assim, A Mulher Rei, de Gina Prince-Bythewood, inspira-se livremente em fatos históricos para falar de disciplina, memória e liberdade. Mais do que um filme de batalhas, porém, é a história de mulheres que precisam decidir pelo que vale a pena lutar.
Abordagem filosófica
Antes de empunhar uma arma, Nawi precisa aprender a obedecer, a resistir à dor e a confiar nas companheiras. No início, ela confunde disciplina com prisão. Com o tempo, porém, descobre que a disciplina não apaga quem ela é; pelo contrário, dá forma à sua força. De fato, educar, no sentido antigo, é trazer para fora o melhor que já existe em nós.
Aristóteles dizia que nos tornamos corajosos praticando atos corajosos. Nesse sentido, o treino das Agojie é uma escola de virtude, e não apenas de combate. Afinal, ninguém nasce valente; a coragem se constrói em pequenos gestos repetidos todos os dias. Por isso, Delia Steinberg Guzmán propunha conceber as dificuldades como provas para a inteligência e a vontade. Quantas vezes desistimos de uma virtude só porque ela ainda não estava pronta?
A Mulher Rei e o domínio de si
Nanisca exige muito das recrutas e, sobretudo, de si mesma. Por isso, sua dureza não nasce do orgulho, mas do peso da responsabilidade. Contudo, a general entende que não pode conduzir as outras sem antes enfrentar a si mesma. Desse modo, A Mulher Rei mostra que a verdadeira autoridade começa pelo domínio de si.
Além disso, o filme toca numa questão difícil: o comércio de pessoas escravizadas, do qual o próprio reino participava. Nanisca defende que o Daomé encontre outro caminho para prosperar. Em outras palavras, ela percebe que nenhum povo é livre enquanto vende a liberdade de outros. Nesse ponto, vale lembrar Delia Steinberg Guzmán: para conviver, é preciso alargar a consciência e dar lugar a todos os seres vivos.
Irmandade, dever e liberdade
Por fim, a força das Agojie não está só nas lanças, mas no laço que as une. Cada uma sustenta a outra, e assim o grupo se torna maior do que a soma das partes. Portanto, ninguém ali luta apenas por si mesma. Logo, a pergunta do filme também é nossa: que dificuldade de hoje pode ser, na verdade, o treino de que precisamos para ser livres?
Perguntas e problemas propostos por "A Mulher Rei"
Disciplina e coragem
- A disciplina limita a liberdade ou a torna possível?
- Que virtude você gostaria de ter e ainda não começou a praticar?
- Por que a coragem precisa ser exercitada, e não apenas admirada?
Autoridade e feridas
- O que muda quando um líder enfrenta as próprias feridas antes de conduzir os outros?
- Como transformar uma dor antiga em força, e não em dureza?
Liberdade e fraternidade
- Pode ser livre um povo que tira a liberdade de outros?
- O que torna um grupo maior do que a soma de seus membros?
- Quem sustenta você nas suas batalhas, e a quem você sustenta?
Citações
Delia Steinberg Guzmán
“Para conviver, é preciso alargar a consciência e dar lugar a todos os seres vivos, entender a vida em todas as coisas e conceber a infinitude do universo.”
Para convivir hay que ensanchar la conciencia y dar cabida a todos los seres vivos, entender la vida en todas las cosas y concebir la infinitud del universo.
Delia Steinberg Guzmán, Contra la desunión, la confianza (artigo). Biblioteca de Nueva Acrópolis, publicado em 12-07-2015; 2º parágrafo. Texto conferido literalmente por WebFetch em 13-10-2026 (em segmentos contíguos). Fonte (tradução livre)
“Conceber as dificuldades como provas para a nossa inteligência e a nossa vontade. E, no pior dos casos, converter os fracassos em novas oportunidades para recomeçar.”
Concebir las dificultades como pruebas para nuestra inteligencia y nuestra voluntad. Y en el peor de los casos, convertir los fracasos en nuevas oportunidades para volver a empezar.
Delia Steinberg Guzmán, Triunfar en la vida (artigo). Biblioteca de Nueva Acrópolis, publicado em 20-02-2015. Frases consecutivas. Texto conferido literalmente por WebFetch em 13-10-2026. Fonte (tradução livre)
Aristóteles
“Pois as coisas que precisamos aprender antes de fazê-las, nós as aprendemos fazendo-as; por exemplo, os homens se tornam construtores construindo e tocadores de lira tocando a lira; assim também nos tornamos justos praticando atos justos, temperantes praticando atos temperantes, corajosos praticando atos corajosos.”
For the things we have to learn before we can do them, we learn by doing them, e.g. men become builders by building and lyreplayers by playing the lyre; so too we become just by doing just acts, temperate by doing temperate acts, brave by doing brave acts.
Aristóteles, Ética a Nicômaco. Livro II, cap. 1. Tradução inglesa de W. D. Ross (domínio público), The Internet Classics Archive (MIT). Texto conferido literalmente por WebFetch em 13-10-2026 (em segmentos contíguos). Fonte (tradução livre)
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