II Fórum da Mãe Terra propõe reconexão com a Natureza e com o sentido da vida

Por Nova Acrópole Brasil

Promovido pela Organização Internacional Nova Acrópole Brasil, o encontro – realizado na sede de São Paulo Alto da Lapa e transmitido ao vivo pelo YouTube – convidou o público a redescobrir o sentido de viver em harmonia com a Terra, através de vivências simbólicas, filosóficas e práticas.

Terra, nossa mãe e primeiro livro

A Terra fala. Mas sua linguagem não é feita de palavras — é feita de ciclos, de ritmos, de símbolos. A chuva não explica por que cai. O céu não justifica sua mudança de cor. Ainda assim, há ali uma inteligência silenciosa, que pulsa por trás de cada broto, de cada estrela, de cada movimento natural. Quem se aventura a compreender essa linguagem acaba ouvindo algo mais profundo: o chamado para descobrir quem se é. Porque não estamos na Natureza — somos a Natureza. Somos feitos do mesmo barro que molda os rios e os montes. Somos tempo, somos ciclo, somos semente.

O II Fórum da Mãe Terra, realizado na unidade Nova Acrópole Alto da Lapa, no dia 26 de abril de 2025, foi um convite para vivenciar essa verdade que precisa ser relembrada. Mais do que um evento ambiental, foi uma experiência filosófica e prática sobre o que significa, de fato, viver em harmonia com a Terra — e consigo mesmo.

Logo na abertura, a música entoada por Danilo Gomes deu o tom do encontro. Ao som de violão e voz, canções que celebravam o planeta ecoaram entre os participantes. A apresentação não era entretenimento, mas evocação. “A vida é una, a Natureza é una. E nós somos expressão dessa Unidade.” A arte abriu o coração para o que viria em seguida: o reencontro com o símbolo.

II Fórum da Mãe Terra: A linguagem simbólica da Natureza

No primeiro painel do evento, Luzia Helena de Oliveira Echenique, diretora da Nova Acrópole Brasil Área-Sul, abordou o papel da Terra como mãe. “Ela dá vida, nutre, acolhe, educa”, afirmou. Segundo ela, precisamos de uma nova forma de relação com o planeta: simbólica, e não apenas utilitária.

Ela também citou Helena Blavatsky: “Ainda que todos os livros do mundo fossem destruídos, restaria um: o maior e o primeiro deles, a Natureza”. Para Luzia, aprender a “ler” esse livro é essencial para não se perder.

O professor Tiago Grandi, também no painel, destacou que a humanidade caminha para um novo estágio: o Homo symbolicus. Este ser humano não apenas pensa, mas significa. Cria vínculos com o que é sagrado e vive com intenção.

Roberto Pértile, coordenador do evento, reforçou que o símbolo amplia a consciência. “Quando compreendemos o símbolo, deixamos de viver no automático. Passamos a agir com consciência. E isso dá direção à vida”, declarou.

II Fórum da Mãe Terra: Do micro ao macrocosmos

No segundo painel do II Fórum da Mãe Terra, os professores da unidade Nova Acrópole Zona Oeste de São Paulo, Érika Kalvelage e Rafael Sanábio Nocera, trouxeram reflexões profundas sobre a ligação entre o ser humano e o Universo.

De acordo com Érika, “Nada na Natureza é aleatório. Tudo segue um ritmo, uma inteligência. Portanto, ao respeitarmos esse fluxo, estamos também a respeitar a nós mesmos”.

Em complemento, Rafael afirmou: “Vivemos num sistema coordenado. Assim, ao observarmos o macrocosmo, conseguimos entender melhor o micro. Ou seja, o sentido da vida individual está, inevitavelmente, conectado ao todo”.

Além disso, ele citou o pensador Edgar Morin, reforçando: “O todo é sempre mais do que a soma das partes. Sendo assim, o nosso papel como seres humanos é colaborar e participar da vida com consciência”.

Oficinas práticas: vida ao símbolo

Além das reflexões teóricas, o fórum proporcionou oficinas práticas para o público presente, que colocaram em ação os princípios discutidos. Durante essas atividades, filosofia e sustentabilidade uniram-se de forma concreta. Por exemplo, os participantes puderam:

Durante a oficina de sabão ecológico, Edna Blois, uma das facilitadoras, afirmou: “Quando fazemos algo para a Terra, lembramos de onde viemos. Com isso, reconectamo-nos com o gesto essencial de cuidar da vida”.

Além disso, ela destacou: “O fazer se torna uma forma de lembrar: o ser humano também é Natureza. Por conseguinte, pode agir com ela — não contra ela”.

O símbolo como reencontro com o sagrado

Embora o fórum não tenha oferecido respostas definitivas, ele lançou uma proposta clara: reconectar-se com a Terra, com o outro e com o sentido da existência. Assim, ao olhar para a Natureza com um novo olhar, percebemos que a vida não se limita às funções biológicas nem às rotinas.

Portanto, ao compreender o símbolo, tocamos algo sagrado e profundamente humano.

Além disso, para tornar essa vivência acessível a mais pessoas, o evento foi transmitido ao vivo pelo canal oficial da Nova Acrópole no YouTube. Assim, participantes de diversas regiões puderam acompanhar o conteúdo e vivenciar, mesmo à distância, esse reencontro com o essencial.

No encerramento, um gesto coletivo marcou a experiência. Todos os participantes se deram as mãos em círculos, formando um abraço simbólico à Terra. Nesse momento, Roberto Pértile afirmou: “O mundo muda quando damos a mão a alguém. Afinal, colaborar transforma o outro e nos transforma também”.

Logo após, Érika acrescentou: “Cada um tem algo a oferecer. Assim, quando agimos voluntariamente, descobrimos nossa força e transformamos o mundo — de dentro para fora”.

Por fim, a professora Luzia Helena de Oliveira Echenique relembrou uma inscrição ancestral do templo de Ísis:

Eu sou tudo o que foi, é e será; e nenhum mortal jamais levantou meu véu.

Assim, o símbolo representa esse véu. Desvelá-lo é, de fato, o maior exercício da alma. Compreender a Natureza é também compreender a si mesmo. E essa talvez seja a única ecologia verdadeiramente transformadora: a que começa no coração e floresce no mundo.

Assista à gravação completa do II Fórum da Mãe Terra, transmitido ao vivo pelo canal da Nova Acrópole no YouTube.

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