
A palestra “Platão e as engrenagens da sociedade” reuniu alunos e convidados na unidade Nova Acrópole São Leopoldo, no dia 30 de outubro de 2025. O evento, conduzido pelo professor Gerson Mello, promoveu uma reflexão profunda sobre o papel do indivíduo na formação de uma sociedade justa.
Logo no início, o palestrante recordou o dilema apresentado por Platão em A República:
“Um Estado justo precisa de cidadãos justos, e cidadãos justos só podem ser formados em um Estado justo.”
Com essa frase, Mello introduziu o tema da noite e convidou o público a refletir: moldamos a sociedade ou somos moldados por ela? Assim, abriu-se um diálogo entre filosofia e vida prática.

A estrutura da alma e a cidade justa
Durante a apresentação, explicou como Platão relaciona a alma humana à organização da cidade. Segundo ele, a alma se divide em três partes: concupiscível, irascível e racional.
De modo semelhante, Platão comparava essas partes às três classes da cidade ideal:
- Trabalhadores, que cuidam das necessidades materiais;
- Guardiões, que defendem as leis e protegem os valores sociais;
- Governantes filósofos, que orientam a sociedade pelo amor à sabedoria.
Desse modo, cada classe representa uma virtude da alma: o domínio dos desejos, a coragem e a sabedoria. Quando cada parte cumpre sua função, a harmonia surge naturalmente. Além disso, destacou que esse equilíbrio interior reflete diretamente na justiça coletiva.
Por outro lado, quando uma das partes domina as demais, a desordem se instala. Portanto, cultivar a harmonia interior é o primeiro passo para construir uma cidade justa.
A engrenagem interior e o poder da educação
“Dentro de nós existe uma sociedade formada pelos desejos, pela moderação e pela sabedoria”, explicou o professor. Assim, cada pessoa deve aprender a alinhar suas próprias engrenagens internas.
Para isso, a educação desempenha papel essencial. Ela desperta consciência, fortalece o caráter e inspira o bem.
Consequentemente, quem busca autoconhecimento consegue agir com mais equilíbrio e discernimento.
Mello lembrou ainda que a temperança e a coragem nascem do exercício constante da razão. Quando o indivíduo age com virtude, contribui para a transformação da sociedade.
Também observou que “a cidade justa é o espelho do homem justo”. Ou seja, a mudança começa dentro de cada ser humano.
O mito da caverna e o despertar da consciência
Ao abordar o Mito da Caverna, explicou que a saída da caverna simboliza o processo educativo e filosófico. Segundo ele, sair da caverna é uma jornada individual e desafiadora.
Contudo, esse caminho leva à verdadeira liberdade interior. Assim, cada pessoa precisa vencer suas próprias sombras para alcançar a luz do conhecimento.
Enquanto alguns preferem permanecer na escuridão, outros têm coragem de caminhar em direção à verdade. Com isso, Platão mostra que a transformação pessoal antecede qualquer transformação coletiva.


Filosofia como cuidado da alma
Em tempos de incerteza, o professor ressaltou que a filosofia se torna ainda mais necessária. Ela nos convida a romper o ciclo do egoísmo e a sair não só da caverna individual, mas também da caverna coletiva da indiferença.
“Cada pessoa é uma engrenagem que precisa girar”, afirmou. Assim, quando cada um desenvolve virtude e consciência, toda a sociedade começa a se mover em harmonia.
O palestrante destacou que a transformação interior sustenta a transformação social. Portanto, ao cuidar da alma, o ser humano também cuida do mundo.
“A Filosofia é o cuidado da alma. Quem cuida da alma, cuida melhor do mundo.”
Com essas palavras, encerrou o encontro, lembrando que o movimento filosófico Nova Acrópole propõe viver a filosofia de forma prática e transformadora.
Contribuição aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS)
A atividade relaciona-se diretamente com o ODS#4 – Educação de Qualidade e o ODS#16 – Paz, Justiça e Instituições Eficazes, da ONU.
O evento reforça a importância da educação filosófica e da ética como caminhos para uma sociedade mais justa e pacífica.