
“Vossos corações sabem, em silêncio, os segredos dos dias e das noites.” — Kalil Gibran
A palestra “Filosofia e o Sentido da Vida” aconteceu no dia 4 de dezembro na unidade São Leopoldo da Escola de Filosofia Nova Acrópole. Logo no início, o encontro apresentou um dos grandes temas da tradição filosófica: o sentido da vida e o papel do ser humano como consciência em evolução.

O diálogo sobre sentido e impermanência
O professor Gerson Mello conduziu a palestra e criou um diálogo profundo com o público. Durante a exposição, ele abordou o sentido da vida em um mundo marcado por impermanência, dor e desejo de realização. Segundo ele, embora não exista uma definição absoluta sobre a vida ou sobre Deus, podemos observar seus efeitos e aprender com eles.
Por isso, a Filosofia oferece instrumentos para investigar, compreender a si mesmo e orientar ações de forma mais consciente. Assim, o público foi convidado a pensar sobre a própria jornada interior.
O movimento como base da vida
Entre os temas apresentados, Mello destacou o movimento como característica fundamental da vida. Ele lembrou que o movimento possui direção e sentido. “A ciclicidade da Natureza nos dá a noção de tempo”, observou. Além disso, citou Platão ao afirmar: “O tempo é filho do movimento.”
A partir disso, o professor explicou que o movimento ordenado da vida chama-se evolução, presente em todos os seres. Consequentemente, surge a pergunta essencial: para onde se dirige a evolução humana?


O destino da evolução humana: o estado heroico
Ao longo dos séculos, diversas filosofias apontam que o ser humano se aproxima do heroísmo através da evolução. Desde a infância, esse ideal aparece no fascínio por heróis. Mais tarde, ele surge na admiração por artistas e figuras inspiradoras.
Dessa forma, o estado heroico representa um potencial latente na alma humana.


O desafio de dominar o dragão interior
O professor utilizou o simbolismo de São Jorge para ilustrar a batalha interna do ser humano. O dragão representa a personalidade com seus conflitos. Por isso, o objetivo não é matar o dragão, mas dominá-lo com consciência e firmeza. Assim, o autodomínio torna-se parte essencial do caminho heroico.


Os quatro pilares do autodomínio
A filosofia prática apresenta quatro pilares que orientam essa jornada:
Terra – Saber Resistir
- A queixa enfraquece e atrai a derrota.
- A resistência abre espaço para soluções reais.
- A força física nasce da constância.
Água – Saber Agir
- Agir de acordo com as Leis da Natureza.
- Praticar a reta ação sem esperar retorno.
- O voluntariado une vontade, liberdade e serviço ao próximo.
Ar – Saber Querer
- Direcionar o amor com consciência.
- Aceitar as pessoas como são.
- Ver o bem e o elevado nos outros.
Fogo – Querer Saber
- O incrédulo diz “não acredito” para evitar aprender.
- O ignorante “crê que já sabe” e impede o próprio crescimento.
- Por isso, a humildade socrática — “só sei que nada sei” — abre o caminho do saber.


Uma nova visão: de problemas a provas
Quando avançamos, nossa percepção da vida se transforma. Os problemas deixam de ser castigos. Em vez disso, tornam-se provas que fortalecem. Problemas se resolvem; provas se superam. Ao superá-las, incorporamos sua força e seguimos mais sábios.


As recompensas da jornada heroica
A primeira recompensa é a consciência da imortalidade, a percepção da unidade entre todas as coisas. Assim, vencemos o tempo e ampliamos nossa visão. Como exemplos míticos, surgem Hércules no Olimpo e a busca de Gilgamesh.
A segunda recompensa é a glória, entendida como um estado de consciência elevado, capaz de enfrentar desafios com firmeza e clareza.

O instinto de eternidade da Alma
Segundo Mello, carregamos um “instinto de eternidade” que nos impulsiona. Por isso, buscamos o que é mais puro, elevado e verdadeiro. Se conseguimos sonhar, também podemos alcançar esses ideais. O caminho heroico, portanto, depende de nossa vontade e liberdade.

