
Palestra da Nova Acrópole une Ciência e Filosofia rumo à unidade em 2026
Neste ano de 2026, a Nova Acrópole escolheu a Ciência como seu tema mundial de estudos e reflexões. Em consonância com o mês de abril — período em que celebramos a nossa Mãe Terra, cujo Dia Internacional ocorre em 22 de abril —, a instituição promoveu a palestra especial intitulada “Ciência e Filosofia: um caminho rumo à unidade”. Nesse contexto, o encontro propôs a reconexão desses dois ramos fundamentais da árvore do conhecimento para o desenvolvimento humano.
O Macro e o Microcosmo: nosso lugar no Universo
Para dar início às reflexões, a palestrante fez uma pergunta essencial: somos nós parte de um todo, ou um todo composto de muitas partes? A fim de ilustrar o desafio dessa percepção, também relembrou a clássica “Parábola do Rei, dos seis cegos sábios e um elefante”.
Logo em seguida, foi ressaltado como a magnitude da nossa existência impressiona. No Universo observável, existem trilhões de galáxias e, em cada uma delas, centenas de bilhões de estrelas. Ao mesmo tempo, no microcosmo do nosso próprio ser físico, abrigamos 37 trilhões de células e somos o lar de aproximadamente 40 trilhões de bactérias, a nossa microbiota. Além disso, a humanidade já soma mais de 8 bilhões de pessoas habitando o planeta contemporaneamente, todos evoluindo e se transformando incessantemente, assim como o Universo.
Por outro lado, historicamente, o avanço científico nos séculos XVII a XIX trouxe equívocos, gerando uma ilusão de autossuficiência humana e separação da natureza. Consequentemente, nos afastamos de perguntas filosóficas centrais como o “Por quê?” e o “Para que?”. Dessa forma, a dissociação antinatural constrangeu a consciência filosófica e culminou em episódios trágicos, como as grandes guerras e a utilização de armas atômicas.
A Física Quântica como ponte para a compreensão
Buscando desvendar a realidade nas menores partes da manifestação, a palestra percorreu os princípios da Física Quântica, ramo da ciência surgido no início do século XX que abalou o determinismo da física clássica.
O evento destacou o legado de grandes cientistas do século XX, cujas ideias revolucionaram nosso entendimento da matéria e da energia:
- Max Planck: Intuiu e fundamentou matematicamente que a energia luminosa se comporta em frações ou pacotes indivisíveis, denominados “quanta”.
- Albert Einstein: Deu continuidade à teoria, apresentando evidências de que a luz é formada por partículas sem massa e sem carga, os Fótons.
- Werner Heisenberg: Estudou o comportamento aleatório dos quanta e trouxe o “Princípio da Incerteza”, demonstrando que conhecer a posição de uma partícula nos faz perder a precisão sobre sua velocidade (momento), e vice-versa.
Os pilares da Filosofia Acropolitana e a evolução humana
Saindo do mundo subatômico, o evento direcionou o foco para o “microcosmo intermediário”: o ser humano. De nada adianta o homem estar cercado de tecnologia de ponta, como supercondutores e computadores quânticos, ignorando sua essência e sua razão de existir.
A Nova Acrópole orienta suas ações em mais de 50 países através de três pilares fundamentais:
- Fraternidade: Busca a unidade na diversidade, reconhecendo a dignidade humana acima de diferenças culturais, religiosas ou sociais.
- Conhecimento: Promove uma busca comparativa, simbólica e unificadora entre ciência, arte, religião e filosofia, visando o discernimento e a sabedoria.
- Desenvolvimento: Propõe o fortalecimento integral (físico, emocional, mental e espiritual), despertando no ser humano qualidades como coragem, justiça e generosidade.
Uma ciência humanista para o futuro
A palestra, profundamente inspirada pelo autor e ganhador do Prêmio Nobel Werner Heisenberg e seu livro A Parte e o Todo, alertou que o amor ao absoluto deve subordinar as formas e os meios às práticas éticas. Nenhuma ideologia justifica seus fins se os meios também não forem “bons em si”.

A noite foi encerrada com uma reflexão poderosa do fundador da Nova Acrópole, prof. Jorge Ángel Livraga, definindo o propósito dessa união dos saberes: “Uma ciência humanista que não negue o ser humano nem tampouco a harmonia natural e Deus. Uma ciência que chegue a todos e que os beneficie e que não ameace nem polua o nosso planeta”.