
O Rapto de Perséfone reuniu um público de 1.500 pessoas em Porto Alegre nos dias 22 e 23 de agosto de 2026. A segunda edição do espetáculo aconteceu no Teatro Simões Lopes Neto e apresentou uma releitura poética de uma antiga narrativa mitológica.
A Associação Hubble Filosófico promoveu o espetáculo em três apresentações. Ao longo da programação, o público acompanhou uma experiência marcada pela expressão simbólica, pela dança e pela música.
Dessa forma, o palco transformou-se em um espaço de encontro com a Antiguidade mítica. Ao mesmo tempo, a montagem aproximou uma narrativa ancestral do público contemporâneo.

O mito de Perséfone no palco
A montagem adotou um formato cênico-musical com forte presença da dança. Além disso, apresentou uma releitura poética do mito de Perséfone.
A obra buscou inspiração direta no Hino Homérico a Deméter. A partir dessa referência, o espetáculo apresentou artisticamente a lei da ciclicidade da vida.
Nesse sentido, a narrativa abordou os processos de morte e renascimento. Assim, o mito de Perséfone ganhou uma dimensão simbólica relacionada à eternidade da alma humana.
Como pano de fundo visual e rítmico, a alternância das estações do ano acompanhou a jornada da personagem. Dessa maneira, a natureza também passou a integrar a linguagem do espetáculo.

Catarse clássica e expressão contemporânea
O espetáculo reuniu diferentes linguagens artísticas. Entre elas, estavam o balé contemporâneo, o canto lírico, o drama e a orquestra ao vivo.
Com essa integração, o público pôde entrar em contato com um universo de grande profundidade simbólica. Além disso, a união entre arte e rito trouxe uma nova leitura para a narrativa de Perséfone.
Assim, a montagem reatualizou, para o olhar contemporâneo, a força catártica presente nas antigas tragédias gregas.
A catarse ocupava um lugar importante na experiência do teatro grego. Por isso, o espetáculo buscou recuperar essa dimensão transformadora por meio da música, da dança e da interpretação.
A inspiração de Bernini e Vivaldi
Além da narrativa mitológica, a montagem também estabeleceu um diálogo entre as artes visuais e a música.
A célebre escultura de Lorenzo Bernini, Il Ratto di Proserpina, serviu como ponto de partida para o roteiro. A partir dessa referência estética, o movimento corporal ganhou uma relação direta com a representação visual do mito.
Ao mesmo tempo, a música de Antonio Vivaldi conduziu a estrutura da narrativa. Dessa forma, imagem, movimento e música passaram a construir uma experiência artística integrada.
Por essa razão, o espetáculo não apresentou apenas uma história. Ele também criou uma linguagem capaz de unir diferentes manifestações da arte.

Uma superprodução integrada
A montagem reuniu elenco e equipe criativa. Assim, diferentes áreas artísticas contribuíram para a construção do espetáculo.
Em cena, a Sphaera Mundi Orquestra participou da apresentação ao vivo. Com isso, a música ampliou a tensão e o andamento dramático da narrativa.
A produção contou com os seguintes nomes na liderança criativa:
- Roteiro e Direção Artística: Márcio Cecconello
- Texto e Direção Cênica: Marcelo Silveira
- Coreografia: Mark Adriano
- Participações Especiais: Carol Dalmolin Estúdio de Dança, a soprano Raquel Fortes, a bailarina Marina Gardinal e o ator Pedro Melo
Um mito que continua vivo
Ao final das apresentações, a união de tantos talentos recebeu aplausos calorosos de um teatro completamente lotado.Além disso, a participação expressiva do público mostrou o interesse por experiências artísticas que aproximam a cultura, a mitologia e a reflexão sobre a existência.
Nesse sentido, o sucesso de O Rapto de Perséfone reforçou a permanência do mito como fonte de inspiração artística.
A história de Perséfone atravessou séculos e continua encontrando novas formas de expressão. Por isso, sua presença no teatro, na dança e na música demonstra a força das narrativas da Antiguidade.
Dessa forma, o espetáculo mostrou que um mito antigo ainda pode dialogar com o presente. Mais do que contar uma história, a montagem convidou o público a vivenciar temas universais, como transformação, perda, retorno e renovação.
Assim, O Rapto de Perséfone encerrou suas apresentações deixando uma mensagem de vitalidade cultural e renovação. O mito permanece vivo porque continua despertando perguntas, emoções e novas possibilidades de criação.