Os hieróglifos e a visão de mundo egípcia
A escrita egípcia antiga não era apenas um código utilizado para registrar tributos, acontecimentos ou conhecimentos médicos. Ela também representava uma tentativa de expressar, em pedras e papiros, a ordem e o sentido do cosmos.
Para a mentalidade egípcia, as palavras não eram meros símbolos abstratos, mas realidades dotadas de força e significado. Assim, escrever era um ato de criação, enquanto ler era uma forma de recuperar e tornar presente o sentido do mundo.
Quando contemplamos um hieróglifo, não encontramos apenas letras, mas imagens extraídas do próprio tecido da realidade: o voo de uma coruja, a ondulação da água, o brotar de um papiro e o olhar atento de um falcão. Desse modo, cada sinal pode despertar uma forma diferente de perceber a relação entre imagem, som e significado.
A linguagem dos deuses no espelho da matéria
Os antigos egípcios chamavam sua escrita de Medu Netcher — as “Palavras Divinas”. Para eles, o Universo podia ser compreendido como um grande texto sagrado. Por isso, a arte do escriba consistia em aprender a interpretar e registrar os sinais que a própria natureza manifestava.
- O visível e o invisível: os sinais hieroglíficos podem articular diferentes dimensões, representando sons, imagens concretas e ideias. Desse modo, estabelecem uma ponte entre o mundo visível e a dimensão do significado.
- O tempo vencido pela pedra: ao gravar hieróglifos nas paredes de templos e monumentos, os escribas procuravam preservar nomes, acontecimentos e princípios para além da passagem do tempo. Assim, a escrita contribuía para a permanência da memória e da ordem, expressa pelos egípcios por meio do conceito de Ma’at.
- A leitura como despertar: aprender a ler hieróglifos também é um exercício de percepção. Além disso, é reencontrar o espanto diante de um mundo no qual cada ser, forma e objeto pode carregar um significado.
Sob a condução do egiptólogo Hasan Yousif Kamel, residente no Egito, o estudo dos hieróglifos torna-se muito mais do que a decifração de uma antiga forma de escrita. Nesse sentido, é um convite para desacelerar, apurar a percepção e reconhecer que, por trás das ruínas e da poeira dos milênios, os antigos egípcios ainda têm muito a nos dizer.
Ao decifrarmos suas pedras e seus papiros, não descobrimos apenas como eles escreviam, mas também como compreendiam a natureza, o ser humano e a presença do sagrado na vida cotidiana. Por isso, aprender a ler essa antiga escrita pode ser também uma oportunidade de ampliar nosso olhar sobre uma das grandes civilizações da Antiguidade.
Sobre o professor
Hasan Yousif Kamel é investigador em Egiptologia e guia profissional especializado na área, residente no Egito.
Pesquisador apaixonado pela civilização do Antigo Egito, dedica-se a apresentar ao mundo sua história, sua cultura e seus mistérios, unindo conhecimento acadêmico e experiência prática.
Dia Mundial da Filosofia
O curso integra a programação comemorativa do Dia Mundial da Filosofia, estabelecido pela UNESCO e celebrado anualmente na terceira quinta-feira de novembro.
Além disso, a atividade amplia o diálogo entre Filosofia, Ciência, História e simbolismo. Dessa forma, proporciona aos participantes uma aproximação viva com a maneira pela qual os antigos egípcios compreendiam e representavam o mundo.
Data e horários
Sábado, 14 de novembro
O curso será oferecido em duas edições independentes, com o mesmo conteúdo:
- Edição da manhã: das 9h às 12h;
- Edição da tarde: das 15h às 18h.
Ao realizar a inscrição, cada participante deverá escolher uma das duas edições.
Inscrições
As inscrições serão realizadas pela Sympla. Em breve, o link do evento estará disponível.