A Jovem e o Mar (2024)

O filme A Jovem e o Mar conta a história real de Gertrude Ederle, nadadora que enfrentou o preconceito e o Canal da Mancha. Quem decide onde termina o nosso esforço?

Esta ficha traz sinopse, abordagem filosófica, perguntas para reflexão e citações de Delia Steinberg Guzmán e de estoicos.

Arte de capa da ficha do filme A Jovem e o Mar: Breezing Up (A Fair Wind), de Winslow Homer

Ficha técnica

Título original Young Woman and the Sea
Ano 2024
Duração 129 min
Direção Joachim Rønning
Roteiro Jeff Nathanson, a partir do livro Young Woman and the Sea, de Glenn Stout
Elenco Daisy Ridley (Gertrude "Trudy" Ederle), Olive Abercrombie (Trudy criança), Tilda Cobham-Hervey (Margaret "Meg" Ederle), Stephen Graham (Bill Burgess), Kim Bodnia (Henry Ederle, o pai), Jeanette Hain (Gertrude Ederle, a mãe), Christopher Eccleston (Jabez Wolffe), Sian Clifford (Charlotte Epstein), Glenn Fleshler (James Sullivan)
País Estados Unidos
Gênero Drama biográfico e esportivo
Lançamento mundial 16 de maio de 2024 (pré-estreia mundial em Los Angeles)
Classificação indicativa 12 anos

Sinopse de "A Jovem e o Mar"

Nova York, começo do século XX. Uma menina está de cama, com sarampo, quando uma embarcação pega fogo e afunda. Morrem centenas de pessoas, muitas delas mulheres que não sabiam nadar. Por isso, a mãe decide que os filhos vão aprender a nadar; a menina, Gertrude Ederle, a Trudy, fica de fora por causa da doença. Assim que se recupera, porém, convence o pai e entra na água para não sair mais.

Os anos seguintes trazem recordes e, ao mesmo tempo, portas fechadas. Dirigentes e jornalistas acham que o esporte não é coisa de mulher, e um treinador, inclusive, faz o possível para atrapalhar Trudy. Ela disputa os Jogos Olímpicos de Paris, em 1924, e, de volta, encontra uma meta maior: atravessar a nado o Canal da Mancha, entre a França e a Inglaterra, travessia que até então só homens haviam completado. Baseado em fatos reais, o filme de Joachim Rønning acompanha essa obstinação e as pessoas em volta de Trudy: a irmã, Meg; uma família que hesita e apoia; um treinador que acredita nela. Além disso, há o mar, que não faz concessões.

Ulisses, amarrado ao mastro do navio, é cercado por sereias com corpo de ave enquanto os remadores seguem remando, de John William Waterhouse.
Ulisses e as sereias, John William Waterhouse, 1891. Domínio público, via Wikimedia Commons.

Abordagem filosófica

A história começa com um naufrágio. Mulheres morrem a poucos metros da margem porque ninguém as ensinou a nadar. Muitos povos guardaram o mito de um dilúvio, e a pergunta desse mito vale para todos: quando a água sobe, o que fazemos? Então, a mãe de Trudy responde com um gesto simples. Não afasta os filhos da água; pelo contrário, ensina-os a atravessá-la.

Vem depois outra água, mais difícil de atravessar: o preconceito. Trudy ouve que o esforço faria mal ao corpo de uma mulher e que o lugar dela é outro. Desse modo, o preconceito decide o resultado antes da prova. No entanto, há quase dois mil anos, o estoico Musônio Rufo já defendia que as mulheres também deviam estudar filosofia. Da mesma forma, o Tao Te Ching lembra que nada é mais suave que a água, e nada a supera diante do que é duro. Aquilo que se chama fraqueza pode ser, afinal, outra forma de força.

A promessa de não sair da água

Depois de uma primeira tentativa frustrada, Trudy pede ao novo treinador uma promessa estranha: que não a tire da água, aconteça o que acontecer. Não é desprezo pela vida. Ou seja, é recusar que outros decidam por ela onde termina o seu esforço. A família, o treinador e o barco podem acompanhá-la; as braçadas, contudo, são só dela.

Fotografia antiga de uma nadadora no mar, recebendo comida de um homem num barco a remo
Antes de voltar ao mar, Trudy pede que não a tirem da água: ninguém pode dar as braçadas por ela. Imagem: Underwood & Underwood, 1925. Library of Congress, Prints and Photographs Division, via fonte.

O que depende de nós

No mar aberto, quase nada depende da nadadora: a corrente, o frio, as águas-vivas, o vento. Os estoicos ensinavam, sobretudo, a separar o que depende de nós do que não depende. Epicteto, por exemplo, dizia que são as dificuldades que mostram o que somos, e comparava cada uma a um adversário escolhido por um treinador de lutadores. Trudy não escolhe o mar. Mas escolhe a próxima braçada e, em seguida, a outra. Essa é, portanto, a sua liberdade.

Os gregos contavam a viagem de Ulisses de volta a Ítaca. A meta estava dada; contudo, o modo de percorrer o caminho era escolha dele. Além disso, o caminho transformou o viajante. Assim, a travessia de Trudy ensina o mesmo: quem entra no mar não é a mesma pessoa que sai dele, chegue onde chegar.

Qual é o seu Canal da Mancha? Afinal, quem está decidindo, por você, a hora de sair da água?

Perguntas e problemas propostos por "A Jovem e o Mar"

O medo e a água

Preconceito e valor

Liberdade, esforço e companhia

Outras perguntas que surgem do filme

As grandes oposições do filme

Força e fraqueza

O que depende de nós e o que não depende

Solidão e companhia

Citações

Delia Steinberg Guzmán

“Navegar contra a corrente é: subir um rio quando ele desce para o mar. Enfrentar as ondas que vão se desfazer nas praias.”

Navegar contra corriente es: Remontar un río cuando éste baja hacia el mar. Enfrentar las olas que van a deshacerse en las playas.

Delia Steinberg Guzmán, Navegar contra corriente (artigo). Biblioteca de Nueva Acrópolis, publicado em 22-03-2015. Fonte (tradução livre)

Delia Steinberg Guzmán

“A Esperança é uma promessa, mas é preciso lutar denodadamente para concretizar essa promessa… Ela promete, nós realizamos.”

La Esperanza es una promesa, pero hay que luchar denodadamente para plasmar esa promesa… Ella promete, nosotros realizamos.

Delia Steinberg Guzmán, Hoy vi la esperanza (artigo da série Hoy vi…). Biblioteca de Nueva Acrópolis, publicado em 16-12-2015. Fonte (tradução livre)

Epicteto

“São as circunstâncias (as dificuldades) que mostram o que os homens são. Por isso, quando uma dificuldade cair sobre ti, lembra-te de que Deus, como um treinador de lutadores, te deu como adversário um jovem rude.”

It is circumstances (difficulties) which show what men are. Therefore when a difficulty falls upon you, remember that God, like a trainer of wrestlers, has matched you with a rough young man.

Epicteto, Discursos (Diatribes), registrados por Arriano. Livro I, cap. 24, 1-2 ("How we should struggle with circumstances"). Tradução inglesa de George Long, The Discourses of Epictetus, 1887 (domínio público); mesmo texto no Project Gutenberg nº 10661. Fonte (tradução livre)

Lao-Tsé

“Não há nada no mundo mais suave e fraco do que a água; e, no entanto, para atacar o que é firme e forte, nada a supera.”

There is nothing in the world more soft and weak than water, and yet for attacking things that are firm and strong there is nothing that can take precedence of it

Lao-Tsé (atribuição tradicional), Tao Te Ching. Capítulo 78. Tradução inglesa de James Legge (domínio público), Project Gutenberg nº 216. Fonte (tradução livre)

Leituras recomendadas

Podcast Nova Acrópole: “Reflexões Filosóficas sobre Filme: A Jovem e o Mar” — ouça ou baixe o episódio ou acesse no YouTube.

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Imagem de capa: Breezing Up (A Fair Wind), Winslow Homer, 1873–1876. Domínio público, via Wikimedia Commons.

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