
Na noite de quarta-feira, 10 de setembro, a Nova Acrópole São Leopoldo recebeu a palestra “O Senhor dos Anéis: Virtudes da Terra Média para o Mundo Real”, ministrada por Felipe Fidélis. O encontro filosófico trouxe uma nova perspectiva sobre a Terra Média, ao mostrar que ela não é apenas um cenário de fantasia. Na verdade, funciona como um espelho simbólico das nossas escolhas, medos e esperanças.
Desde o início, o palestrante contextualizou a importância dos mitos e das virtudes. Segundo ele, na antiguidade, os mitos representavam valores éticos profundos, por meio de personagens simbólicos. Assim, a jornada do herói, tão presente na obra de Tolkien, representa o caminho interno de cada um de nós rumo ao bem, à verdade e ao autodomínio.

Coragem: o primeiro passo para a transformação
A primeira virtude abordada foi a coragem, que significa agir com o coração e com consciência. Envolve sair do conhecido e aceitar os desafios. Por isso, todo herói precisa abandonar o conforto para seguir em direção ao novo. Como afirmou Joseph Campbell, “a jornada do herói sempre começa com um ato de coragem – o de sair de onde está e aceitar o chamado.” Portanto, ter coragem é também assumir a responsabilidade pelas próprias escolhas.

Humildade: grandeza que nasce do reconhecimento
Em seguida, Fidélis destacou a humildade como a virtude que nos lembra de nossa real condição: pequenos, mas significativos. Além disso, é por meio dela que respeitamos todos os seres vivos e evitamos vaidades. Jorge Angel Livraga sintetizou bem essa ideia ao dizer que “a humildade é a melhor joia da coroa das virtudes.” Logo, cultivar a humildade é essencial para quem deseja evoluir de forma verdadeira.

Amizade: laços que transformam
A amizade foi apresentada como uma das virtudes mais transformadoras. Afinal, ela permite conexões reais e profundas. Segundo Platão, “não é por necessidade ou prazer, mas pelo amor ao bem que as amizades florescem.” Assim, ao buscar o melhor no outro, também despertamos o melhor em nós mesmos. Desse modo, a amizade vai além da convivência — ela é um exercício constante de generosidade.
União: diferentes juntos pelo bem comum
A união é outro valor essencial em “O Senhor dos Anéis”. Na história, diferentes povos — elfos, homens, anões e hobbits — se unem por um propósito maior. Portanto, mesmo com divergências, eles entendem que a colaboração é mais forte do que a separação. Além disso, como lembrou o palestrante ao citar Helena Blavatsky: “Mantenha o elo intacto.” Ou seja, manter a união é manter viva a força do coletivo.
Esperança: uma promessa que exige ação
Encerrando a palestra, a virtude da esperança foi apresentada como uma força ativa. Não se trata de apenas esperar; é preciso agir com audácia e fé. Assim, mesmo diante de dificuldades, é possível manter o foco no que queremos construir. Como disse a professora Delia Steinberg Guzmán: “A esperança é uma promessa, mas devemos lutar incansavelmente por realizar essa promessa.” Por isso, quando temos clareza do nosso propósito, a esperança se transforma em ação.
Virtudes da Terra Média em “O Senhor dos Anéis”: lições para o presente
Através dos personagens e histórias da Terra Média, é possível refletir sobre nossas próprias atitudes. Dessa forma, virtudes como coragem, humildade, amizade, união e esperança mostram-se não apenas relevantes, mas urgentes em nosso mundo atual. Assim, Tolkien nos convida, simbolicamente, a sermos heróis na vida real — construindo um mundo mais ético, justo e fraterno.



🧩 ODS associado:
ODS#16 – Paz, Justiça e Instituições Eficazes
A palestra promove valores éticos, paz e cooperação entre diferentes, incentivando o autoconhecimento e a transformação social.