Palestra “Mulheres na Filosofia” resgata legado de diferentes épocas

Por Rio Grande do Sul - São Leopoldo

Muitas mulheres fizeram a diferença em sua época e nos deixaram um grande legado, que, muitas vezes, não é sequer lembrado.

Quem foram as mulheres filósofas? Foram muitas, porém, não oficialmente classificadas como filósofas, termo cunhado na época da civilização grega.

Mas, como a filosofia esteve sempre presente na atividade humana, por seu caráter prático, como uma forma de vida, elas a vivenciaram em seus diferentes papéis na sociedade.

E foi com o objetivo de resgatar o legado de algumas grandes mulheres, de diferentes épocas da história, que a sede São Leopoldo da Organização Internacional Nova Acrópole promoveu a palestra “Mulheres na Filosofia”, na noite de 8 de março.

O evento, coordenado pelas palestrantes Simone Palmeiro e Ângela Virtuoso, serviu também como uma homenagem ao Dia Internacional da Mulher, comemorado na data.

O que chegou até os dias de hoje?

Apesar da pouca documentação – muitas vezes, alguns fragmentos – há um grande esforço em resgatar o legado dessas poetisas, nobres, mães, matemáticas… que reconhecidamente participaram e contribuíram para o desenvolvimento da filosofia.

Dessa forma foi lembrada inicialmente, a filósofa e profetisa do Templo de Delfos – Temistocleia (600 a.C.), que teria ensinado a Pitágoras sobre os preceitos morais que, mais tarde, influenciariam a Escola Pitagórica.

Entre as personagens relevantes também foi citada a poetisa grega Safo (630-604 a.C.) cuja influência na vida social e cultural da época, fez com que o filósofo Platão a considerasse como a “décima musa”. Por sua iniciativa foi criada a primeira escola de aperfeiçoamento para moças. Escrevia sobre dores e prazeres e seus poemas eram declamados ao som da lira. Entre suas obras, a única que chegou completa aos dias de hoje foi Ode à Afrodite.

No Egito, Hipátia (355-415 d.C.), fazia da filosofia a base teórica para a matemática, a astronomia e a lógica. Esteve à frente da Escola Neoplatônica. Na ciência contribuiu com o mapeamento dos corpos celestes e o aperfeiçoamento do astrolábio. Com sua morte, teve início a queda intelectual da cidade de Alexandria.

Filósofas da Idade Média

Hildegard von Bigen (1098-1179, Alemanha), renascentista em plena Idade Média, foi mística, visionária e pregadora. Atuou como diretora de monastério. Toda sua obra está preservada: cartas, fragmentos de autobiografia, peças teatrais, músicas, poesias e uma enciclopédia médica.

Heloísa de Argenteuil (1101-1164, França) destacou-se desde muito jovem pela inteligência e conhecimento. Teve como tutor o filósofo Pedro Abelardo, com quem casou-se escondida. Mais tarde tornaram-se religiosos, correspondendo-se por carta até sua morte. Nesta correspondência encontram-se suas reflexões filosóficas sobre virtudes, ética e justiça. O centro de sua filosofia é o amor como ponte de conexão entre o homem e Deus.

Durante a idade Média surgiram instituições denominadas Beguines, que oferecia às mulheres a oportunidade de levar uma vida religiosa de contemplação e oração, e, paralelamente, ganhar seu sustento. Seu envolvimento no mundo envolvia caridade, trabalho manual e ensino.

Entre elas, estava a francesa Marguerite Porete, autora de O Espelho das Almas Simples (1290), obra que representa a natureza da relação entre a alma humana e Deus.

Filósofas do Renascimento

Época de resgate dos valores humanos, onde as mulheres ainda tinham pouco acesso aos estudos. Isotta Nagarola (1418-1466), no entanto, destacou-se como uma das mais famosas mulheres eruditas do renascimento italiano. De conhecida família aristocrata, foi educada nos estudos humanistas pelo tutor Martino Rizzoni. Versada em filosofia clássica, retórica e teologia. Sua obra influenciou pensadoras e escritoras que vieram mais tarde.

Finalizando os relatos sobre filósofas de diferentes épocas, foi destacada ainda a atuação de Elisabeth da Bohemia (1618-1680). Filha de reis na Bohemia, foi cuidadosamente educada em música, dança, arte, latim, ciência natural e grego antigo. Sua reputação como filósofa se deve a intensa correspondência com o filósofo francês René Descartes.

Um diálogo entre os participantes encerrou com chave de ouro o encontro.

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