
Em sua terceira edição, encontro reuniu diferentes gerações para compartilhar talentos, cultivar a sensibilidade artística e fortalecer os laços de convivência
No sábado, 17 de outubro, às 16h30, a Nova Acrópole Florianópolis realizou a terceira edição de seu Sarau Artístico, reunindo apresentações de poesia, música, teatro, contos e dança.
Inspirado na tradição dos saraus literários e artísticos, o encontro proporcionou um espaço para que os participantes compartilhassem seus talentos e apreciassem diferentes formas de expressão. Além disso, a proposta buscou fortalecer a convivência e estimular a sensibilidade, aproximando arte e filosofia em uma experiência coletiva.

O que um sarau pode nos ensinar?
Os saraus têm uma longa tradição como espaços de encontro, expressão artística e intercâmbio cultural. Nos salões literários europeus dos séculos XVIII e XIX, por exemplo, reuniam pessoas interessadas em compartilhar poesias, músicas, ideias e conhecimentos.
Participar de um sarau significa entrar em contato com diferentes maneiras de perceber e interpretar a vida. Afinal, cada obra carrega algo da experiência humana e pode despertar reflexões, emoções e novas perspectivas.
Nesse sentido, o Sarau Artístico da Nova Acrópole procura cultivar valores como a beleza, a bondade, a justiça e a verdade. Ao mesmo tempo, oferece aos participantes a oportunidade de desenvolver habilidades, exercitar a criatividade e fortalecer os vínculos de amizade.

Poesia e música: diferentes formas de expressar a vida
A programação começou com a poesia. Dárcia declamou “Saber Viver”, de Cora Coralina. Em seguida, Lucas dos Anjos, integrante do Távolas, programa de formação infantil da Nova Acrópole, apresentou “Para ser grande, sê inteiro”, de Fernando Pessoa.
Na música, Schirley e Harry interpretaram “Como Uma Onda”, de Lulu Santos. Já Sérgio Murilo Seixas Vieira compartilhou uma composição de sua autoria, “Portas de Papel”, enquanto Gabriel e Harry apresentaram “The Impossible Dream”, de Mitch Leigh e Joe Darion.
Entre poemas e canções, o público encontrou reflexões sobre a vida, os sonhos e as possibilidades humanas. Além disso, a presença de uma composição autoral valorizou o exercício da criatividade e a coragem de compartilhar uma expressão própria.

A filosofia também ganhou forma no teatro e nos contos
Uma das apresentações trouxe a filosofia para o universo infantil. Gustavo dos Anjos, também participante do Távolas, apresentou sua interpretação da Alegoria da Caverna, de Platão, utilizando bonecos de Lego.
A escolha mostrou como uma ideia filosófica pode ganhar novas formas de expressão. Afinal, a conhecida alegoria de Platão aborda a relação entre aparência e realidade, além do esforço humano para superar as próprias limitações e buscar o conhecimento.
Na sequência, Camila Trindade Soares apresentou um conto sobre “A origem do amor segundo a mitologia dos orixás.
Assim, as duas apresentações recorreram a histórias e símbolos para abordar questões humanas que atravessam diferentes épocas e culturas.
A dança e a linguagem do movimento
A dança também integrou a programação. Roberta, Naiade e Camila apresentaram “Vento Sardo”, de Marisa Monte e Jorge Drexler, combinando música e movimento.
Em seguida, Marta de Souza Marques trouxe uma apresentação inspirada nos “ciclos da vida“, na conexão entre todas as coisas e na importância do amor e da união para superar desafios.
Por meio do movimento, a dança permite comunicar ideias e sentimentos que nem sempre encontram expressão nas palavras. Dessa forma, acrescentou outra linguagem ao encontro, ampliando as possibilidades de apreciação artística.
Arte, filosofia e convivência
A terceira edição do Sarau Artístico evidenciou o valor da participação de diferentes gerações. Crianças e adultos dividiram o espaço de apresentação, compartilhando obras conhecidas, interpretações pessoais e criações próprias.
Essa diversidade faz parte do propósito do encontro. Ao apresentar uma obra, cada participante exercita a expressão, a dedicação e a criatividade. Por outro lado, quem assiste também participa, aprendendo a observar, escutar e apreciar aquilo que o outro tem a oferecer.
Na Nova Acrópole, a arte ocupa um lugar importante na formação filosófica, pois contribui para o desenvolvimento da sensibilidade e para o reconhecimento da beleza em suas diferentes manifestações.
Assim, o sarau ofereceu mais uma oportunidade de aproximar a Filosofia da vida cotidiana, cultivando a amizade e a convivência por meio de experiências artísticas compartilhadas.