
Na quarta-feira, 16 de setembro, a unidade Tijuca da Nova Acrópole recebeu os inscritos para o início do minicurso “Quebrando ciclos mentais”. Aberto ao público, o curso foi estruturado a partir do livro Concentração e despertar interior, do professor, filósofo e antropólogo Fernando Schwarz.
Na obra, o autor conduz o leitor à observação de uma pintura do Lama Blo-bng Don-yod (ou Lobzang Donyo, 1602–1678). A imagem representa os caminhos da consciência segundo os ensinamentos do budismo tibetano.
Por que mais de um encontro?
O minicurso contou com três encontros, realizados nos dias 16, 23 e 30 de setembro. Durante esse período, os professores da Nova Acrópole Tijuca, Tarcila Peruzzo e Júlio Mesquita, alternaram-se na condução dos estudos.

Assim como o autor da obra, os professores ressaltaram que a riqueza de detalhes da pintura poderia se perder caso fosse observada de uma só vez. Por isso, a proposta de dividir o estudo em diferentes encontros também se tornou uma oportunidade para exercitar a atenção e a memória.
Nesse processo, o primeiro exercício consiste em eliminar os obstáculos que nublam o olhar. Dessa forma, torna-se possível integrar as informações e desenvolver uma capacidade mais plena de investigação.
Ao longo das aulas, as práticas físicas tiveram como objetivo favorecer a serenidade e o equilíbrio das tensões. A partir dessa preparação, os participantes puderam aprofundar a prática mental.
Enquanto isso, o praticante segue observando tanto o desenho quanto o próprio desenvolvimento. Nesse percurso, as seis virtudes que permeiam o caminho da iluminação podem servir como impulso para o desenvolvimento interior.
Roda da Vida e Nidanas
Nas duas aulas finais, o grupo se dedicou ao estudo dos 12 elos da originação dependente no Budismo Tibetano. A partir desse ensinamento, foi possível investigar como a ignorância e os impulsos não conscientes podem influenciar a experiência humana.
De modo geral, esses fatores condicionam nossa percepção e, consequentemente, também podem influenciar nossa maneira de agir.
Na ilustração da Roda da Vida, três animais — o porco, o galo e a cobra — representam aspectos que se interligam e se retroalimentam. Da mesma maneira, pensamentos e hábitos podem se repetir ao longo do tempo, condicionando nossas ações e nossa forma de perceber a realidade.
Como interromper o ciclo pernicioso?
Em primeiro lugar, criar um ambiente harmônico pode favorecer o trabalho interior. Além disso, manter a disciplina de realizar os exercícios regularmente ajuda a consolidar a prática.
Ao mesmo tempo, retornar às ilustrações e observar a si mesmo permite reconhecer padrões que muitas vezes passam despercebidos.
Nesse sentido, exercitar a vontade significa também buscar alternativas às atitudes conduzidas pelo automatismo. Consequentemente, ampliamos a consciência sobre nossas escolhas e nossas práticas.
Por fim, quebrar os ciclos mentais representados por esses animais interiores significa buscar uma vida para além da Roda. Assim, o despertar se relaciona à possibilidade de agir com maior lucidez, presença e compaixão.