Procurar a Arte – A balsa da Medusa

25 de julho de 2011 - 18:13
Por Nova Acrópole

Theodore Géricault

Museu do Louvre

Esta impressionante tela, de 4,91 por 7,16, que se encontra no Museu do Louvre, retrata um fato real ocorrido em julho de 1816: o naufrágio da fragata “Medusa”, 149 sobreviventes que se amontoaram na balsa que conseguiram construir, dotada inclusive de uma vela, vão morrendo um após o outro até ficarem em número reduzido. Géricault conseguiu falar com alguns sobreviventes, coletando detalhes que lhe possibilitaram a recriação pictórica e, para aumentar o realismo, fez observações em cadáveres, em agonizantes e loucos em hospitais e asilos, que transferiu com realismo absoluto ao retratar os rostos dos náufragos, tanto é que lhe foi muito difícil vender o quadro para os Museus Reais.

O esboço da composição corresponde a um barco: a linha superior que os corpos formam cria a curva da proa, arrematada por uma flâmula. Todas as linhas tendem em direção a ela, como se a empurrassem em direção a terra, para afastá-la da onda ameaçadora que chega pelo bombordo.

A estibordo, um afogado fica preso pelas pernas, enquanto que na proa um homem de rosto ausente a tudo que o cerca segura nos braços o corpo do filho morto, incapaz de entregá-lo às ondas, o que era feito com todos os mortos para aliviar o peso da fragata.

Podemos imaginar que no horizonte tenha aparecido o barco salvador, já que da proa alguns fazem sinais com trapos e um homem de rosto enlouquecido faz sinal para o além.

A cor é quase monocromática, pois o dramatismo da cena não deveria ser desvirtuado por nenhum tom alegre. Somente tons escuros, como o da onda, o das nuvens carregadas e as sombras embaixo da vela.

Géricault morre jovem. Viveu de 1791 a 1824. É exemplo da revolução do gosto pela arte numa época de transição que lhe coube viver. Viajou pela Itália e lá se inspirou nos antigos baixo-relevos e em seu equilíbrio rítmico. Isso acrescentou um dinamismo barroco que aparece em todas as suas obras e também alguns violentos contrastes de luz e sombra que sem dúvida procedem de Michelangelo.