Em Algum Lugar do Passado (1980)

Em Algum Lugar do Passado conta a história de um dramaturgo que atravessa o tempo para encontrar a mulher de um retrato antigo. O amor verdadeiro depende do tempo?

Esta ficha traz sinopse, abordagem filosófica, perguntas para reflexão e citações.

Em Algum Lugar do Passado: Richard (Christopher Reeve), de chapéu-coco, e Elise (Jane Seymour), de chapéu florido
Imagem de divulgação do filme Em Algum Lugar do Passado (Jeannot Szwarc, 1980).

Ficha técnica

Título original Somewhere in Time
Ano 1980
Duração 103 min
Direção Jeannot Szwarc
Roteiro Richard Matheson, baseado no seu romance Bid Time Return (1975)
Elenco Christopher Reeve (Richard Collier), Jane Seymour (Elise McKenna), Christopher Plummer (William Fawcett Robinson), Teresa Wright (Laura Roberts), Bill Erwin (Arthur Biehl)
País Estados Unidos
Gênero Drama romântico e fantasia
Lançamento mundial 3 de outubro de 1980 (estreia nos cinemas dos Estados Unidos)

Sinopse de "Em Algum Lugar do Passado"

Em 1972, na noite de estreia da sua primeira peça, um jovem dramaturgo recebe a visita de uma senhora desconhecida. Ela coloca um relógio de bolso em sua mão e lhe diz apenas: "Volte para mim". Em seguida, vai embora sem explicar nada.

Oito anos depois, Richard Collier é um autor de sucesso, mas está sem inspiração. Por isso, decide viajar e acaba hospedado no Grand Hotel, na ilha Mackinac. Ali, numa sala de memórias do hotel, encontra o retrato de uma bela atriz do início do século XX. Então, descobre que ela é Elise McKenna, a mesma mulher que lhe deu o relógio.

Desde esse momento, Richard não pensa em outra coisa. Assim, Em Algum Lugar do Passado transforma uma obsessão romântica numa travessia do tempo. Com ajuda da autossugestão, ele tenta voltar a 1912 para conhecer Elise, que vive sob a vigilância rígida do empresário, William Fawcett Robinson.

Abordagem filosófica

Um retrato antigo pendurado na parede basta para mudar uma vida. De fato, Richard não se apaixona apenas por um rosto, mas por algo que reconhece nele. Platão diria que a beleza visível desperta a lembrança de uma beleza mais alta. Assim, o amor começa como reconhecimento: encontramos no outro algo que, de algum modo, já buscávamos.

Para chegar a Elise, porém, Richard precisa convencer a si mesmo de que está em outra época. Ele veste um terno antigo, leva no bolso dinheiro de 1912 e esconde tudo o que lembra o presente. Nesse sentido, o filme sugere que o tempo também é uma questão de consciência. Afinal, onde está a nossa mente, ali estamos de algum modo.

Em Algum Lugar do Passado e o mistério do tempo

O tempo, contudo, é um mistério. Santo Agostinho confessava que sabia o que era o tempo até que alguém lhe pedisse para explicá-lo. Em Algum Lugar do Passado brinca com esse mistério sem pretender resolvê-lo. Por isso, o filme não explica como a viagem acontece. Ele apenas nos lembra que passado, presente e futuro talvez sejam menos separados do que imaginamos.

Delia Steinberg Guzmán observa que o que ficou para trás já está escrito e nos pertence. Em outras palavras, o passado não é um lugar perdido. Pelo contrário, é a base sobre a qual seguimos construindo. Logo, a nostalgia pode ser uma prisão, mas a memória viva também pode ser uma fonte de força.

Um amor que não cabe no relógio

Ao mesmo tempo, o filme fala do amor que não aceita ser medido pelo relógio. Richard e Elise vêm de épocas diferentes, mas se reconhecem como se sempre se tivessem conhecido. Enquanto o mundo exige pressa, eles vivem cada hora como algo inteiro. Portanto, não é a duração que dá valor a um encontro, e sim a verdade com que é vivido.

A melodia de Rachmaninoff que acompanha o casal atravessa o filme como uma ponte entre os tempos. Talvez o amor seja isso: uma música que continua tocando depois que os músicos se vão. E você, a que pessoa ou ideal gostaria de dizer "volte para mim"?

Perguntas e problemas propostos por "Em Algum Lugar do Passado"

Amor e reconhecimento

Tempo e consciência

Passado e memória

Citações

Delia Steinberg Guzmán

“Ir adiante no tempo é possível, mas penso que voltar atrás para recuperá-lo é muito mais fácil. O que ficou para trás já está escrito, já o vivemos, é nosso e nos pertence.”

Ir hacia delante en el tiempo es posible, pero pienso que ir hacia atrás a recuperarlo, es mucho más fácil. Lo de atrás ya está escrito, ya lo hemos vivido, es nuestro y nos pertenece.

Delia Steinberg Guzmán, En busca del tiempo perdido (artigo). Publicado originalmente na revista Nueva Acrópolis (Espanha), nº 157, fevereiro de 1988; Biblioteca de Nueva Acrópolis, 10-01-2024. Duas frases contíguas, conferidas literalmente por WebFetch em 13-10-2026. Fonte (tradução livre)

Santo Agostinho

“O que é, então, o tempo? Se ninguém me pergunta, eu sei; se quero explicá-lo a quem me pergunta, não sei.”

quid est ergo tempus? si nemo ex me quaerat, scio; si quaerenti explicare velim, nescio.

Santo Agostinho, Confissões. Livro XI, 14, 17. Texto latino da The Latin Library, conferido literalmente por WebFetch em 13-10-2026. Fonte (tradução livre)

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